POLÍTICA NACIONAL

Festas juninas movimentam cultura, turismo e projetos em análise no Senado

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Celebradas em diversas regiões do país entre junho e agosto, as festas juninas reúnem manifestações culturais ligadas à música, à dança, à culinária e às tradições populares. Além da importância cultural, os festejos mobilizam atividades econômicas relacionadas ao turismo, ao comércio e aos serviços. No Senado, projetos em tramitação buscam reconhecer e fortalecer expressões associadas a esse patrimônio cultural.

Dados do Ministério do Turismo indicam que os festejos juninos movimentaram cerca de R$ 7,4 bilhões em 2025. As comemorações têm forte presença no Nordeste, onde ocorrem algumas das maiores festas do país, mas também se espalham por cidades das regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

A movimentação foi comprovada em pesquisa feita em 2025 pela JLeiva Cultura & Esporte, que apontou que nos 12 meses anteriores ao levantamento, 78% dos entrevistados em capitais brasileiras afirmaram ter participado de um arraial, contra 48% dos que curtiram os dias de folia carnavalesca

Quadrilhas Juninas

info_circuito+junino.pngEstá em análise no Senado o Projeto de Lei (PL) 1.602/2026, da deputada Fernanda Pessoa (PSD-CE), que cria o Circuito Nordestino de Quadrilhas Juninas e o inclui no Calendário Turístico Oficial do Brasil. A proposta, que ainda não foi distribuída para as comissões, tem o objetivo de promover e valorizar as tradições culturais juninas e prevê a participação de municípios como Maracanaú (CE), Campina Grande (PB), Caruaru (PE), Patos (PB), Petrolina (PE) e Juazeiro do Norte (CE).

Originárias de danças de salão europeias, as quadrilhas se popularizaram em todo o Brasil. No Nordeste, é comum a realização de concursos de quadrilhas, que analisam desempenho, coreografia, musicalidade e figurino.

Para o  senador Efraim Filho (PL-PB), a iniciativa reconhece a relevância cultural e econômica das quadrilhas juninas.

— Cidades como Campina Grande, Patos, Caruaru, Maracanaú, Petrolina e Juazeiro do Norte são exemplos de como a cultura popular pode movimentar a economia e fortalecer o orgulho de uma região. Fomentar as nossas quadrilhas juninas com um circuito oficial é valorizar a essência do povo brasileiro — afirmou à Agência Senado.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também destacou à Agência Senado a importância cultural das quadrilhas.

— Elas são uma manifestação muito potente da criatividade e da alegria do nosso povo. Esse reconhecimento consolida um dos momentos mais importantes do nosso calendário, que é o período de São João — disse.

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O consultor legislativo do Senado nas áreas de Cultura e Esporte, Vinícius Machado Calixto, avalia que a criação do circuito pode ampliar a visibilidade dessas manifestações e fortalecer atividades ligadas ao turismo.

— A instituição desse circuito contribui para fortalecer essas manifestações e incrementar o turismo e a economia que gira em torno dessas celebrações — afirmou.

Para o senador Eduardo Girão (Novo-CE), a criação do circuito é importante para o fortalecimento da cultura regional, “muito diferente dos gastos públicos abusivos com o pagamento de bandas e cantores famosos”, comuns nesta época.

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O consultor legislativo do Senado nas áreas de Cultura e Esporte Vinícius Machado Calixto avalia que a criação do circuito pode ampliar a visibilidade dessas manifestações e fortalecer atividades ligadas ao turismo.

— A instituição desse circuito contribui para fortalecer essas manifestações e incrementar o turismo e a economia que gira em torno dessas celebrações  — disse Vinícius Calixto.

Barco de Fogo

Outro projeto em tramitação é o PL 2.772/2024, do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que reconhece o Barco de Fogo, tradição do município de Estância (SE), como manifestação da cultura nacional.

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A proposta já foi aprovada em primeiro turno na Comissão de Educação (CE), na forma de substitutivo apresentado pelo relator, senador Laércio Oliveira (PP-SE), e aguarda votação em turno suplementar.

Produzido artesanalmente com madeira e papel, o Barco de Fogo é uma estrutura impulsionada por fogos de artifício que percorre um cabo de aço durante as celebrações juninas. A manifestação já é reconhecida como patrimônio histórico e cultural de Sergipe.

Criada pelo fogueteiro Antônio Francisco da Silva Cardoso há cerca de 90 anos, a estrutura é movida por fogos de artifício e desliza por um cabo de aço.

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“Ao elevá-lo ao patamar de manifestação da cultura nacional, o Barco de Fogo servirá como um lembrete do poder da criatividade e da cultura em unir as pessoas e educar o público mais amplo sobre sua importância”, defende Rogério na justificativa do projeto.

Participação

É comum o trabalho de senadores no regime semipresencial em algumas semanas de junho e junho para que possam participar dos festejos nos estados.

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O consultor Vinícius Calixto lembra que o Nordeste tem 27 senadores, o equivalente a um terço da Casa. E a festa junina também é celebrada em outras regiões.

— Faz parte da nossa representação estar próximo às bases e os senadores fazem esse movimento porque este é um momento em que as comunidades se mobilizam. […] É muito importante que os parlamentares acompanhem de perto, até para poder entender quais as demandas, as necessidades do povo — disse.

O senador Efraim lembra ainda que em 2026 o país atravessa um ano atípico, com Copa do Mundo e eleições.

— Sabemos que isso interfere na agenda legislativa do Congresso Nacional porque mexe com a vida de todos os brasileiros, mas vamos trabalhar no sentido de não deixar que isso afete demasiadamente o nosso calendário legislativo — afirmou Efraim.

Legislação

As festas juninas e as quadrilhas já foram objeto de reconhecimento legal. A Lei 14.555, de 2023, classificou as festas juninas como manifestação da cultura nacional. Em seguida, a Lei nº 14.900, de 2024, estendeu esse reconhecimento às quadrilhas juninas.

Também está em vigor a Lei 12.390, de 2011, que institui o Dia Nacional do Quadrilheiro Junino, celebrado em 27 de junho.

Segurança

Órgãos públicos também reforçam, nesse período, o alerta contra a soltura de balões. A prática é proibida pela Lei de Crimes Ambientais, que prevê pena de detenção de um a três anos, multa ou ambas as sanções para quem fabricar, vender, transportar ou soltar balões capazes de provocar incêndios.

Além dos riscos ambientais, os balões podem atingir áreas urbanas, redes elétricas, estabelecimentos comerciais, residências e rotas de aeronaves. As autoridades orientam que denúncias sobre a prática sejam feitas aos órgãos de segurança pública.

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Em junho 2020, por exemplo incêndio provocado por balões juninos devastou uma área aproximada de 30 campos de futebol no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

PF encontra diálogos de Lulinha com empresária investigada no caso do INSS

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Novas informações obtidas pela Polícia Federal ampliaram a apuração sobre a relação entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Mensagens apreendidas durante a investigação mostram conversas entre Lulinha e Roberta sobre negócios, articulações e reuniões com pessoas que ocupavam posições estratégicas no governo federal.

Entre os diálogos está uma conversa de 22 de março de 2024 na qual Roberta afirma que os dois atuavam em um nível diferenciado e menciona a Suíça como perspectiva para o futuro. Na mesma troca de mensagens, segundo o material divulgado, Lulinha relata participação em reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Os novos elementos passaram a ser analisados no contexto da investigação sobre o esquema de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, apura um esquema que teria movimentado bilhões de reais entre 2019 e 2024.

A PF também investiga a atuação de Roberta Luchsinger, apontada como uma das conexões entre Lulinha e o Careca do INSS. Segundo documentos já apresentados no âmbito da CPMI, a empresária teria recebido R$ 1,5 milhão de empresas ligadas a Antunes. Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, o lobista teria determinado o pagamento de R$ 300 mil a uma empresa ligada a Roberta e, ao ser questionado sobre o destinatário, utilizado a expressão “filho do rapaz”. A PF passou a investigar se a referência seria a Lulinha.

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Outro ponto que entrou no radar dos investigadores são viagens internacionais realizadas em 2024. Documentos apresentados à CPMI apontam pelo menos três ocasiões em que Lulinha, Roberta e Antunes estiveram na Península Ibérica, incluindo períodos em Lisboa e Madri. Em uma das viagens, Lulinha e Roberta viajaram juntos de Guarulhos para Lisboa, em junho daquele ano.

A defesa de Lulinha nega participação em negociações ou irregularidades. Segundo os advogados, ele foi convidado por Antunes para conhecer um projeto relacionado à produção de medicamentos à base de canabidiol durante uma viagem a Portugal, mas não teria participado de negociações, investido recursos ou recebido proposta de sociedade no empreendimento.

Roberta Luchsinger também nega irregularidades. Em depoimento à Polícia Federal, prestado em maio, ela afirmou que os recursos recebidos de Antunes estavam relacionados a um projeto de regulamentação do mercado de canabidiol e negou que Lulinha tivesse prestado serviços ou recebido valores relacionados à contratação.

 

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Conversa entre Lulinha e Roberta Luchsinger revela que filho do presidente partipava de reuniões com núcleo-duro de Lula

A investigação ganhou ainda uma dimensão política após a CPMI do INSS aprovar o indiciamento de Lulinha. Documentos apresentados no Congresso sustentam que os investigadores encontraram indícios de possível atuação como facilitador de acesso a instâncias governamentais e levantam a hipótese de sociedade oculta com Antunes. Essas conclusões, porém, fazem parte das alegações e linhas investigativas da comissão e ainda estão sujeitas à análise das autoridades competentes.

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A situação de Lulinha também chegou ao Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal havia solicitado a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático, medida autorizada pelo ministro André Mendonça. Posteriormente, o ministro Flávio Dino suspendeu a quebra de sigilo aprovada pela CPMI, enquanto informações financeiras relacionadas ao caso já haviam sido divulgadas.

Com as novas mensagens, a investigação passa a analisar não apenas possíveis vínculos financeiros, mas também o conteúdo das conversas e a eventual atuação de pessoas próximas ao governo em reuniões e tratativas de interesse empresarial. Até o momento, contudo, não há condenação de Lulinha e as apurações sobre sua eventual participação no esquema continuam em andamento.

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