A falta de pacientes a consultas e exames agendados voltou a chamar atenção na rede municipal de saúde de Cuiabá. Entre os dias 1º e 13 de agosto, a Unidade de Saúde da Família (USF) Despraiado registrou 147 ausências, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). O número reacende o debate sobre o impacto das faltas no atendimento de pessoas que aguardam por uma vaga no sistema público.
De acordo com a Prefeitura de Cuiabá, as equipes da unidade adotam medidas para reduzir os chamados “faltômetros”, entre elas o contato prévio com os usuários para confirmação dos atendimentos. O trabalho também conta com a atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que durante as visitas domiciliares reforçam junto às famílias as informações sobre consultas e exames previamente marcados.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, afirma que uma ausência sem comunicação prejudica o aproveitamento da agenda e pode prolongar a espera de outros pacientes.
“Quando uma pessoa falta a uma consulta ou exame sem avisar, aquela vaga que poderia atender outro paciente acaba sendo perdida. Isso impacta diretamente a rede, porque temos pessoas aguardando por atendimento e precisamos trabalhar para reduzir cada vez mais o tempo de espera”, afirmou.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o problema não está restrito à USF Despraiado. A secretária adjunta de Atenção Primária, Cinara Brito, afirma que as faltas são uma realidade observada nas 72 unidades de atenção primária do município.
“As equipes fazem a sua parte. Existe o contato com o paciente para confirmar a consulta ou o exame, os agentes comunitários realizam as visitas e também orientam as famílias sobre os atendimentos agendados. Mesmo com todo esse trabalho de busca e confirmação, ainda temos um número significativo de faltas”, explicou.
O problema tem efeito direto sobre a organização da rede. Quando um usuário não comparece e não comunica previamente a unidade, a vaga permanece sem utilização e deixa de ser oferecida a outro paciente que poderia ser atendido naquele mesmo horário. Além do desperdício da agenda, a situação pode contribuir para o aumento do tempo de espera por consultas e exames.
A orientação da SMS é para que o paciente que não possa comparecer informe a unidade de saúde com antecedência. A comunicação permite que a equipe reorganize a agenda e, quando houver tempo hábil, ofereça a vaga a outro usuário.
O caso registrado no Despraiado mostra que o desafio da saúde pública não está apenas na oferta de consultas e exames, mas também no aproveitamento efetivo das vagas disponibilizadas. Em uma rede pressionada pela demanda, cada ausência sem aviso representa uma oportunidade de atendimento que deixa de ser utilizada.
A mensagem da Prefeitura é direta: faltou? Avise a unidade. A comunicação prévia ajuda a evitar o desperdício de vagas e pode contribuir para que mais pacientes tenham acesso aos serviços da rede municipal.