O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a postura de parte da imprensa após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma operação de busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (11), Nikolas afirmou que, apesar das divergências políticas entre ele e parte dos jornalistas, a categoria deveria se posicionar em defesa da atividade profissional e da proteção das fontes jornalísticas.
“Eu sei que a maioria de vocês nem gosta de mim, não gosta da direita. Mas esquece o mensageiro e foca na mensagem”, afirmou o parlamentar.
Na sequência, Nikolas direcionou as críticas aos próprios jornalistas e disse que parte da imprensa teria contribuído para o fortalecimento do poder de Moraes.
“Uma boa parte de vocês durante um tempo alimentaram este monstro. E agora a água bateu no bumbum de vocês”, declarou.
Segundo o deputado, a medida contra uma pessoa apontada como fonte de um jornalista deveria provocar uma reação mais ampla da categoria, independentemente de posições políticas ou ideológicas.
“Agora é hora de vocês abrirem suas bocas para defender sua profissão. É um ataque frontal ao trabalho de vocês”, afirmou.
Nikolas também questionou a ausência de críticas mais contundentes ao ministro do STF diante das decisões envolvendo jornalistas e fontes.
“Não sei mais o que falta para acontecer para vocês chamarem Moraes de ditador”, disse.
Caso envolve reportagens sobre Flávio Dino
Raimundo Cutrim foi apontado na decisão como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens relacionadas ao ministro Flávio Dino, também integrante do Supremo Tribunal Federal.
As reportagens tratavam de um suposto uso irregular de veículos oficiais por Dino e familiares durante o período em que ele ocupava cargos públicos no Maranhão.
O episódio citado por Nikolas não é o primeiro envolvendo o jornalista. Em março, Luís Pablo também foi alvo de uma operação de busca e apreensão após a publicação de reportagens sobre o mesmo assunto.
A nova medida reacendeu o debate sobre os limites das investigações envolvendo profissionais de imprensa, a proteção das fontes jornalísticas e a atuação do Judiciário em casos relacionados à atividade jornalística.