A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro voltaram a aparecer juntos publicamente nesta terça-feira (11), em Brasília, durante a gravação de vídeos de campanha. O reencontro ocorreu cerca de dois meses após a crise familiar que expôs divergências dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Michelle afirmou que o episódio entre os dois foi superado e que ambos decidiram se unir em torno de um objetivo maior. Ela também declarou apoio à candidatura de Flávio à Presidência da República.
“Qual família não tem problema? Conversamos e nos unimos em prol de algo muito maior para nossa nação”, afirmou Michelle a jornalistas.
Segundo a ex-primeira-dama, o reencontro foi marcado por um abraço e pela retomada do diálogo. “Foi normal. É meu enteado há 19 anos, nos abraçamos”, resumiu.
Apesar do tom conciliatório, Michelle evitou comentar diretamente a situação envolvendo Carlos e Eduardo Bolsonaro. Questionada sobre os dois, preferiu não entrar em detalhes.
“Eu não vou polarizar. Um dia de cada vez. […] Mas não guardo mágoa de ninguém”, declarou.
Campanha ao Senado
O encontro aconteceu na sede de campanha de Flávio Bolsonaro e reuniu candidatos ao Senado que contam com o apoio do senador. Ao longo do dia, foram gravados materiais eleitorais e discutidas pautas para a campanha.
Michelle, que disputa uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, chegou por volta das 13h50 e permaneceu no local até depois das 15h30.
Durante a reunião, Flávio apresentou propostas e reforçou pautas que pretende levar para a campanha presidencial. Entre os temas abordados estavam críticas à política econômica do governo Lula e a defesa de uma atuação mais alinhada do Senado com a oposição.
A maioria dos candidatos presentes também manifestou apoio ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Michelle mantém críticas ao PL no Ceará
Apesar da reconciliação com Flávio, Michelle deixou claro que algumas divergências políticas permanecem.
A ex-primeira-dama reiterou sua oposição à aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. A escolha do nome apoiado pelo partido para a disputa no Estado foi um dos fatores que contribuíram para o desgaste entre Michelle e integrantes da legenda.
Ela também afirmou que não se sentiu respeitada em relação à autonomia que esperava ter à frente do PL Mulher.
“Foi um desgaste gerado muito grande, desnecessário. E, querendo ou não, não fui tão respeitada no quesito de autonomia para trazer a mulher para a política”, afirmou.
Michelle também comentou a escolha do deputado Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa de Flávio. Embora tenha defendido anteriormente a presença de uma mulher na posição, disse que espera que o escolhido mantenha atenção especial às mulheres e às mães atípicas.
Oração e mensagem de unidade
Michelle e Flávio também participaram de uma oração conduzida por Alcides Fernandes, pastor e candidato ao Senado pelo Ceará.
O momento teve significado político porque Fernandes foi escolhido pelo partido em uma decisão que contrariou a preferência anteriormente manifestada por Michelle.
“Nos abraçamos, desejei boa sorte, oramos juntos e está tudo certo”, afirmou a ex-primeira-dama.
Durante o encontro, Michelle também pediu liberdade para os presos pelos atos de 8 de Janeiro e para Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
A ex-primeira-dama afirmou ainda que terá dificuldades para percorrer o país durante a campanha de Flávio, uma vez que é uma das principais responsáveis pelos cuidados com Jair Bolsonaro.
Flávio intensifica críticas a Moraes
Durante o evento, Flávio Bolsonaro voltou a criticar Alexandre de Moraes e afirmou que pretende eleger uma maioria no Senado capaz de apoiar medidas defendidas pela oposição, incluindo processos de impeachment contra ministros do STF.
Ao questionar os candidatos presentes sobre o afastamento de Moraes, recebeu manifestações favoráveis.
O senador também criticou a atuação política do ministro e fez referência à reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e Moraes, realizada na casa do ministro.
“Não adianta querer dar canetada, ameaçar, inventar operações contra nós, os pré-candidatos”, afirmou Flávio.
O encontro entre Michelle e Flávio, portanto, marca uma tentativa pública de demonstrar unidade dentro do grupo político, embora a própria ex-primeira-dama tenha reconhecido que algumas divergências familiares e políticas ainda permanecem.