A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (6), a Operação Heritage e cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), candidato ao Senado Federal, e da ex-primeira-dama Virgínia Mendes (União Brasil), candidata à Câmara dos Deputados.
Conforme apurado, a operação investiga um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões relacionado a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, envolvendo a restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária.
Ao todo, a Operação Heritage tem 25 alvos e apura a suposta prática dos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a operação financeira tenha sido estruturada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento em cascata e empresas interpostas, mecanismo que teria sido utilizado para ocultar a origem, a movimentação e o destino dos valores.
As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e incluem, além das buscas, a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite de R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes, proibição de saída do país e restrições de contato entre os investigados.
Os mandados são cumpridos nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informou que acompanha a investigação e afirmou confiar no trabalho da Polícia Federal.
“A Procuradoria-Geral do Estado confia nas investigações da Polícia Federal e irá contribuir com tudo que for requerido. Aguarda com naturalidade o desdobramento da investigação, pois acredita que o caso será totalmente esclarecido”, diz o comunicado.
A investigação segue em andamento e a Polícia Federal não divulgou, até o momento, detalhes sobre o envolvimento individual de cada um dos investigados.