Bruna Ghetti

Quando a mudança é uma oportunidade

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“Doutora, eu não sou mais a mesma”. Ao longo dos anos ouvindo minhas pacientes, notei que frases desse tipo se repetem com certa frequência. O que parece apenas uma fala simples, solta entre tantas outras, é na verdade um desabafo carregado de emoções. Um desabafo que expressa as dificuldades em ter que lidar com mudanças físicas e emocionais que chegam junto com o período da transição hormonal e da menopausa.

Os relatos de alterações são diversos: “Não produzo mais como antes”, “Não consigo me concentrar”, “Minha qualidade no sono não é mais a mesma”, “Tenho instabilidade emocional com mais frequência”, sem falar nas famosas ondas de calor. Além das queixas, percebo que elas têm em comum a busca não apenas pelo alívio dos sintomas, mas sim pelo resgate da versão mais plena de si mesmas.

Pensando sobre isso durante a montagem do meu planejamento de atendimentos para o ano, cheguei à conclusão que, com a chegada de 2025, surge também a oportunidade de refletir como estamos cuidando de nós mesmas. Talvez seja o momento de enxergar as mudanças, mesmo essas que chegam sem qualquer desejo nosso, como um chamado ao recomeço, à transformação.

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É o momento de se colocar como protagonista da própria história e fazer escolhas que tragam mais qualidade de vida. Amenizar os sintomas das mudanças fisiológicas pode ser a abertura de uma porta para a adoção de uma postura mais ativa em relação ao autocuidado. Isso inclui buscar apoio médico, entender as necessidades do corpo e da mente, e priorizar a saúde como parte essencial da rotina.

A saúde feminina vai além de exames ou consultas de rotina. É sobre olhar para si com carinho, entender os sinais que o corpo nos dá e procurar o equilíbrio em todas as áreas da vida. Por exemplo, as ondas de calor e a sudorese noturna, sintomas tão comuns no climatério, podem ser aliviadas com mudanças no estilo de vida, alimentação adequada, hidratação e, quando necessário, tratamentos especializados.

2025 é o ano para quebrar os padrões e abraçar o que fortalece. O ano de aceitar que a vida é feita de ciclos e que a chegada dos 40+ e suas mudanças está nesse pacote. Você pode até não ser mais a mesma. Mas, ainda assim, é possível fazer com que essa sua nova versão seja muito melhor do que o imaginado. Só não espere que isso aconteça por acaso. Escolha cuidar de si mesma, com coragem e gentileza.

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Drª Bruna Ghetti é médica ginecologista, referência em saúde íntima e longevidade da mulher

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A ILUSÃO DA PICANHA: O PRATO VAZIO DO POVO E A FARTURA DOS MARAJÁS

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Prometeram picanha e cervejinha. O brasileiro, ingênuo como sempre, acreditou. Esqueceram de avisar um detalhezinho: a picanha era metafórica – Abóbora.

Na vida real, o trabalhador vai ao mercado, olha o preço da carne, do café, do gás, da energia, e faz aquela engenharia financeira de fim de mês: tira daqui, corta dali troca isso por aquilo. A cervejinha? Fica para o mês que vem — se sobrar. Enquanto o cidadão reorganiza o orçamento para pagar luz, água e aluguel, Brasília segue

morando na sua realidade paralela particular. É a verdadeira Ilha da Fantasia: para o povo, pede-se sacrifício; para a máquina pública, a conta nunca parece chegar. E quando falta dinheiro, a solução é sempre a mesma, batida e requentada: cobra-se mais de quem trabalha, produz e consome. Imposto aqui, taxa ali, “ajuste” acolá. O brasileiro virou sócio do Estado entra com o capital, mas nunca vê o lucro. E, como se não bastasse, abriram-se as portas para a epidemia das bets. O aplicativo que promete recuperar o mês em três toques de tela consome exatamente o dinheiro que deveria pagar comida e conta de luz. Perde-se R$ 50, tenta-se recuperar, perde-se R$ 100, aposta-se R$ 200. O vício nasce, o salário some, e fica só a esperança — que nunca se cumpre — de que a próxima rodada devolve tudo. Progresso, dizem.

O pequeno empresário, esse sim, faz malabarismo de verdade: juro alto, crédito caro, imposto, burocracia, folha de pagamento e um consumidor cada vez mais endividado. Depois perguntam por que tanta empresa fecha. Será que é falta de pensamento positivo?

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Pior que o imposto, pior que a aposta, é o deboche. O cidadão reclama, vem uma piada. Reclama de novo, vem uma gracinha. Governar virou stand-up comedy — só esqueceram

de avisar que quem está na plateia é quem paga o ingresso, o palco e o cachê dos artistas. O povo não quer piada. Quer respeito. Quer empreender sem o Estado agarrado na perna. Quer escola que ensine, segurança que proteja, oportunidade que exista. E, no entanto, existe algo mais espantoso do que tudo isso: a paixão cega por político. Tem gente que não avalia mais resultado, não compara promessa com entrega, virou torcida organizada. O político erra, gasta mais, taxa mais, decepciona — e o apaixonado segue na arquibancada, buzinando rumo ao precipício. Político se tornou ídolo. Acorda! Não é dono do seu voto. É funcionário temporário — e funcionário que não entrega resultado deve ser demitido. Simples assim.

Mas o auge do descaramento tem nome e sobrenome: a eleição da esposa a qualquer custo. Tem político que passa o mandato inteiro fazendo piada, posando de humilde, mas no fundo só pensa em blindar o próprio patrimônio e transformar o cargo em herança de família. Na cara mais dura, aparece pedindo: “me ajudem a eleger minha esposa”, “a família tem que continuar no poder”. E o eleitor, vai lá, bate palma, vibra e ajuda a montar o próximo capítulo da dinastia. Otário por opção, balança bandeira, grita nome de sobrenome e ainda aplaude de pé o enriquecimento do político sem-vergonha. No fim, quem se elege é a esposa; quem lucra é a família; e quem paga a conta, como sempre, é o povo.

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Precisamos quebrar esse círculo — e a pergunta que fica não é de quem você é fã, é qual país você está construindo com o seu voto. Porque governo passa, político passa, partido passa. Quem fica com a conta é você, é o seu filho, é o seu neto. Então fica o desafio: que país você quer deixar para eles? Um país onde se aprende a apostar em vez de trabalhar, a torcer em vez de fiscalizar, a aceitar migalhas, esmolas, bolsa família em vez de exigir resultado? Ou um país, um estado onde o voto é ferramenta de cobrança, não paixão de arquibancada?

A urna não pergunta de quem você gosta. Pergunta, em silêncio, que futuro você escolheu para quem vem depois de você. Só não reclame se, depois de mais quatro anos esperando a picanha prometida, seus netos herdarem apenas o prato vazio — e a conta dobanquete do seu político de estimação.

ACORDA! Você é responsável pelo futuro do Brasil.

Naime Márcio Martins Moraes – Advogado e Professor Universitário – planejamento sucessório e direito da família

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