Pela primeira vez em uma eleição geral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a divulgar estatísticas sobre orientação sexual e identidade de gênero dos candidatos aos cargos em disputa. Os dados, ainda sujeitos a alterações durante a análise dos registros, mostram que 1,93% das 20.575 candidaturas registradas até terça-feira (18) correspondem a pessoas que se declararam bissexuais, gays, lésbicas, pansexuais ou assexuais.
O levantamento também aponta que 0,51% do total de candidaturas é formado por pessoas que se identificaram como transgênero. O preenchimento dessas informações é facultativo e, por isso, os números não representam necessariamente o perfil completo dos candidatos.
A inclusão da orientação sexual nos formulários eleitorais começou nas eleições municipais de 2024. Em 2026, porém, é a primeira vez que o TSE reúne e apresenta esse recorte nas eleições para presidente, governador, senador e deputados.
Entre os candidatos que optaram por informar a orientação sexual, 55,09% preencheram o campo, enquanto 44,91% preferiram não declarar. No caso da identidade de gênero, 57,75% forneceram a informação e 42,25% não responderam.
Quando considerados apenas os candidatos que declararam sua orientação, 3,58% se identificaram como LGBTQIAPN+. No universo total de 20.575 candidaturas, o índice corresponde aos 1,93% registrados pelo TSE. Já entre aqueles que informaram a identidade de gênero, 0,89% se declararam transgênero, percentual que representa 0,51% quando calculado sobre todas as candidaturas.
O banco de dados eleitoral também apresenta mudanças em outros recortes do perfil dos candidatos, especialmente entre pessoas com deficiência e indígenas.
Nas eleições de 2026, foram registrados 499 candidatos com deficiência, equivalente a 2,42% do total. Em 2022, eram 476, ou 1,62% das candidaturas. O crescimento proporcional foi de 0,8 ponto percentual, equivalente a uma alta de 49%.
Entre os candidatos com deficiência, 39,7% declararam deficiência física. Na sequência aparecem deficiência visual, com 21,7%; autismo, com 14,2%; e deficiência auditiva, com 10,89%. Outras condições representam 14% do grupo.
No recorte racial, os candidatos brancos continuam representando a maior parcela, com 48,82%. Pardos somam 36,11% e pretos, 13,62%.
A participação indígena também apresentou crescimento. O percentual passou de 0,64% em 2022 para 0,93% em 2026, uma elevação de 0,29 ponto percentual. Entre os candidatos classificados pelo TSE como amarelos, também houve aumento proporcional em relação à eleição geral anterior.
Os dados integram as estatísticas oficiais de candidaturas disponibilizadas pelo TSE. Como o processo de registro ainda está em andamento, os números poderão sofrer alterações conforme a Justiça Eleitoral analise e julgue os pedidos de candidatura.
Fonte: Agência Senado, com dados do TSE.