Política MT

Júlio Campos aponta risco de repetir erro de Dante e questiona estratégia de Mauro Mendes

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O deputado estadual Júlio Campos (União) recorreu à história política de Mato Grosso para chamar atenção para os riscos de uma campanha conduzida com excesso de confiança e pouca articulação. Em entrevista à imprensa, o parlamentar comparou a atual disputa pelas duas vagas ao Senado com a eleição de 2002, marcada pela derrota inesperada do então governador Dante de Oliveira.

Segundo Júlio, o resultado daquele pleito mostrou que índices elevados de aprovação e a força de um grupo político não garantem, por si só, uma vitória nas urnas. Na avaliação apresentada pelo deputado, a falta de diálogo com aliados e a concentração das decisões contribuíram para o desfecho desfavorável ao grupo governista.

Ao relembrar aquele episódio, Júlio afirmou que Dante, após deixar o governo com elevada aprovação popular, teria optado por uma composição eleitoral sem ampliar as negociações com os demais partidos.

“O Dante, na época, devido a sua empáfia de ter saído do governo com 80% de aprovação favorável, impôs uma chapa, destituiu Roberto França da governança e lançou Antero Paes de Barros que tinha mais quatro anos de mandato pela frente”, afirmou.

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O deputado também recordou a composição dos suplentes e destacou que, segundo sua leitura daquele cenário, a falta de uma articulação mais ampla acabou prejudicando a candidatura considerada favorita.

“Como suplentes colocou o Avalone e o empresário Eraí Maggi, da soja, e não conversou com os outros partidos, achou que já estava eleito e deu no que deu”, disse Júlio.

A lembrança da eleição de 2002 ocorre em um momento de novas movimentações no cenário político de Mato Grosso. O União Brasil, sob a presidência estadual do ex-governador Mauro Mendes, decidiu apoiar o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa pelo Governo do Estado.

A decisão contrariou a expectativa em torno de uma eventual candidatura do senador Jayme Campos, também do União Brasil, ao Palácio Paiaguás.

Ao estabelecer o paralelo histórico, Júlio Campos coloca a articulação política e a construção de alianças no centro do debate eleitoral. A referência à derrota de Dante serve, segundo o próprio parlamentar, como um alerta de que cenários considerados favoráveis podem mudar durante a campanha e que a disputa majoritária exige diálogo permanente com diferentes grupos políticos.

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Política MT

Pivetta e Wellington travam novo embate e colocam passado político de MT no centro da eleição

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, elevou o tom contra o senador Wellington Fagundes (PL) durante uma coletiva de imprensa e trouxe para o centro da disputa eleitoral episódios relacionados à antiga gestão do Estado. A reação ocorreu após críticas de Wellington ao governo e ao uso do termo “fazimento”, expressão frequentemente utilizada por Pivetta.

Ao responder ao adversário, Pivetta mencionou a colaboração premiada do ex-governador Silval Barbosa, homologada pela Justiça em 2017, e afirmou que o conteúdo da delação envolveu políticos e integrantes da administração estadual da época. Entre os nomes citados pelo governador está o de Wellington Fagundes.

“O Silval delatou o Cinésio, chefe de gabinete do Wellington, e delatou o WF também. Falou certinho a roubalheira que eles faziam. Eles querem voltar à cena do crime, estão com saudade do que eles faziam na Sinfra”, afirmou Pivetta.

As declarações fazem referência ao período em que Silval Barbosa comandava Mato Grosso e às investigações que apuraram suspeitas de corrupção relacionadas a contratos de obras públicas. Pivetta também mencionou a atuação de Cinésio Nunes Oliveira, que ocupou a Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana, estrutura que posteriormente deu lugar à atual Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística.

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O governador aproveitou o embate para comparar sua trajetória empresarial com a de Wellington. Segundo Pivetta, sua entrada na política ocorreu depois de construir uma carreira profissional no setor privado.

“Esse senhor falar de mim é preciso que ele repense a minha trajetória comparada com a dele. É de um trabalhador que começou com 15 anos, que fez uma trajetória de resultado e que enveredei para a política com a vida feita para servir o povo”, declarou.

Pivetta também questionou a atuação parlamentar de Wellington e colocou as emendas destinadas pelo senador ao longo dos últimos anos no centro da discussão eleitoral.

Segundo o governador, Wellington teria destinado mais de R$ 1,5 bilhão em emendas parlamentares durante o período em que exerce mandato no Senado. Pivetta questionou onde os recursos foram aplicados e afirmou que pretende apresentar informações sobre a destinação das verbas durante a campanha.

“Nos últimos 10 anos, 12 anos que ele é senador, ele distribuiu mais de R$ 1,5 bilhão de emendas. Procure saber onde estão as emendas dele”, afirmou.

Pivetta ainda comparou o volume mencionado com investimentos na área da saúde e questionou a existência de grandes obras financiadas diretamente por esses recursos.

“Esse valor daria para fazer quatro vezes um Hospital Central. Tem algum hospital que ele fez? Aonde está esse bilhão dos últimos 12 anos?”, provocou.

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O confronto ocorre em meio à disputa pelo Governo de Mato Grosso, que reúne Pivetta e Wellington entre os principais nomes do cenário eleitoral. O debate entre os dois passou a incorporar não apenas propostas para a próxima gestão, mas também críticas sobre trajetórias políticas, investimentos públicos e episódios de administrações anteriores.

Na mesma coletiva, Pivetta também voltou a defender sua atuação à frente do Executivo estadual e afirmou que pretende transformar o histórico político dos adversários em um dos temas da campanha.

O governador ainda citou a Operação Heritage, investigação conduzida pela Polícia Federal envolvendo um acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi. O caso alcançou nomes ligados ao atual grupo político do Executivo estadual, entre eles o ex-governador Mauro Mendes, o ex-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho e o deputado federal Fábio Garcia.

A menção à operação ocorreu no contexto das críticas trocadas entre os candidatos e reforça a tendência de uma campanha marcada pelo confronto direto entre os grupos políticos que disputam o comando de Mato Grosso.

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