POLÍTICA NACIONAL

CI discutirá impacto de cortes orçamentários em agências reguladoras

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Em meio a preocupações com cortes orçamentários que afetam as agências reguladoras, a Comissão de Infraestrutura (CI) aprovou nesta terça-feira (1º) o Requerimento 55/2025 – CI, que propõe audiência pública sobre a situação financeira desses órgãos e os seus impactos sobre a prestação de serviços essenciais à população.

O requerimento foi apresentado pelo presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO). A audiência ainda não tem data definida. A proposta, segundo ele, é reunir os diretores-presidentes de sete agências reguladoras para debater os reflexos da conjuntura atual sobre a autonomia regulatória do Estado brasileiro.

Deverão ser convidados representantes das seguintes agências:

  • Agência Nacional de Aviação Civil (Anac);
  • Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT);
  • Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq);
  • Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);
  • Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel);
  • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
  • Agência Nacional de Mineração (ANM).

— Em relação a esse tema das agências, dada a gravidade do assunto e do que tem acontecido, hoje temos todas as agências reguladoras afetadas por esses cortes orçamentários. São agências indispensáveis, que atuam em setores estratégicos. O contingenciamento de recursos afeta a autonomia e traz insegurança a consumidores e investidores — alerta Marcos Rogério.

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De acordo com ele, o debate com os diretores dessas agências pode ajudar a apontar caminhos para uma possível atualização legislativa que dê o mínimo de condições para o funcionamento das agências.

Dados citados no requerimento indicam que as agências reguladoras perderam até 65% dos orçamentos na última década, em valores corrigidos pela inflação. Segundo Marcos Rogério, o montante total, que era de R$ 6,4 bilhões em 2016, caiu para R$ 5,4 bilhões em 2025, mesmo com o aumento do número de órgãos reguladores, que passou de 10 para 11.

Entre os senadores que apoiaram o requerimento estão Sergio Moro (União-PR) e Esperidião Amin (PP-SC),

— Temos 11 agências reguladoras e a situação, de um modo geral — há exceções —, é lastimável. O estrangulamento financeiro é de tal ordem que temos caminhado para um caos na economia formal — declarou Esperidião Amin, acrescentando que isso pode “afetar dramaticamente a segurança e a qualidade dos serviços”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

TSE abre investigação sobre Lula e Alckmin por desfile de Carnaval com recursos públicos

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu dar andamento a uma ação que coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) diante de um novo questionamento na Justiça Eleitoral. O processo, apresentado pelo Partido Novo, busca apurar se a utilização da imagem e da trajetória política de Lula em um desfile de Carnaval pode ter ultrapassado os limites legais e produzido vantagem eleitoral.

A controvérsia envolve a Acadêmicos de Niterói, que levou à Marquês de Sapucaí, em fevereiro deste ano, um enredo dedicado à história política e pessoal de Lula. Para o Novo, a homenagem ganhou dimensão eleitoral justamente em um momento próximo ao início da disputa presidencial e teria contado com recursos públicos.

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, entendeu que os fatos apresentados podem, em tese, justificar a investigação de possíveis práticas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Lula e Alckmin foram chamados a apresentar suas defesas.

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O episódio abre uma discussão que vai além do Carnaval: até que ponto dinheiro público e estruturas de grande alcance podem ser utilizados em eventos que promovam a imagem de um político que disputa a Presidência?

Na avaliação apresentada pelo Novo, a exposição de Lula não teria ocorrido simplesmente como uma homenagem cultural. O partido sustenta que a associação entre a imagem do presidente, o enredo da escola e a ampla divulgação do desfile poderia ter produzido uma vantagem eleitoral diante dos demais concorrentes.

Outro ponto levantado na ação é o financiamento do desfile. Segundo a legenda, cerca de R$ 9,65 milhões teriam sido destinados ao projeto por meio de recursos públicos de diferentes esferas. A tese apresentada à Justiça Eleitoral é que os repasses precisam ser analisados diante da exposição política proporcionada pelo evento.

A decisão do TSE, entretanto, ainda não representa uma condenação. O tribunal não declarou que Lula ou Alckmin cometeram irregularidades. A partir de agora, a Justiça deverá analisar as acusações, as provas e as defesas dos investigados.

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Mesmo assim, o processo cria um novo desgaste para o grupo governista em plena corrida eleitoral. Caso as acusações sejam comprovadas e a Justiça reconheça abuso de poder econômico ou uso indevido dos meios de comunicação, a ação poderá resultar em sanções eleitorais, incluindo pedidos formulados pelo Novo de cassação dos registros ou diplomas e inelegibilidade.

O caso também reforça uma cobrança frequente dos setores de oposição: a necessidade de separar ações de Estado, recursos públicos e promoção política durante o período eleitoral. Para a direita, a questão central é garantir que nenhum candidato tenha acesso privilegiado a estruturas financiadas pelo contribuinte para ampliar sua exposição diante do eleitor.

Por enquanto, porém, o processo está apenas começando. O que existe é uma investigação autorizada pelo TSE, e não uma decisão definitiva contra Lula ou Alckmin. A eventual responsabilização dependerá da comprovação das irregularidades apontadas na ação.

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