POLÍTICA NACIONAL

Senado aprova selo de diversidade e à inclusão no trabalho

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A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (2) projeto que cria o selo “Diversidade, Inclusão e Equidade no Ambiente de Trabalho”. O PL 4.988/2023, do senador Marcos do Val (Podemos-ES), contou com parecer favorável, na forma de substitutivo, da senadora Leila Barros (PDT-DF). Aprovado em caráter terminativo, o texto segue para a Câmara dos Deputados, se não houver recurso para votação no Plenário do Senado.

O objetivo do selo é incentivar empresas e órgãos públicos a adotarem práticas voltadas à inclusão de mulheres, pessoas pretas ou pardas e pessoas com deficiência no ambiente de trabalho.

Na proposta, o senador explica que a desigualdade racial e de gênero é uma realidade no Brasil e afeta diretamente indicadores sociais. De acordo com ele, mulheres têm, em média, menor empregabilidade e menor renda do que homens, enquanto pessoas pretas e pardas têm menor empregabilidade e menor renda do que pessoas brancas.

No entendimento de Marcos do Val, o selo é uma forma de combater essa desigualdade. “Trata-se de instrumento não apenas de reconhecimento, mas de incentivo à adoção de medidas de proteção e equidade em termos de sexo e cor no ambiente de trabalho que pode gerar oportunidades a grupos historicamente excluídos ou desfavorecidos”, justifica.

Incentivo

Relatora da proposta, Leila Barros destacou que o projeto apresenta mecanismos eficazes de incentivo para adoção de boas práticas na gestão laboral.

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— Não podemos perder a capacidade de sermos empáticos, de nos colocarmos no lugar do outro ou, ao menos, refletir sobre as dificuldades que o outro, que está ao nosso lado, enfrenta — disse.

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) aplaudiu a criação do selo.

— No Brasil já existe uma lei, com cota para as pessoas com deficiência, e a gente tem que dar visibilidade a isso, justamente com um selo, como temos o ISO. Temos que criticar sim, mas quando alguém cumpre com o previsto [em lei], também é nosso papel elogiar — afirmou.

Critérios

Pela proposta, a concessão do selo levará em consideração critérios como a proporção equitativa de homens e mulheres e de brancos, pretos ou pardos no quadro de pessoal e em funções de liderança; a igualdade salarial; a adoção de práticas educativas sobre inclusão e diversidade; medidas de combate ao assédio e discriminação; e promoção dos direitos das mulheres, das pessoas pretas e pardas e das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho.

O selo poderá ser concedido nos níveis bronze, prata ou ouro, de acordo com a quantidade de critérios atendidos, e terá validade de dois anos, renovável por igual período. Os procedimentos de concessão, renovação e perda serão definidos em regulamento. 

No substitutivo, Leila incluiu emendas apresentadas na Comissão de Direitos Humanos (CDH), que acrescentaram aos critérios para a concessão do selo a promoção de treinamento regular dos funcionários e prestadores de serviço para conscientização sobre racismo, sexismo e capacitismo, bem como a existência de canais de denúncia e de procedimentos para apuração e responsabilização em casos de assédio ou discriminação.

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Acessibilidade

A relatora ainda incorporou ao texto uma emenda da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que acrescenta como critérios para a concessão do selo ações relacionadas às pessoas com deficiência, como por exemplo o atendimento a regras de acessibilidade e o fornecimento de recursos de tecnologia assistida. 

A emenda também torna obrigatório para a concessão do selo, em qualquer nível, o cumprimento da reserva legal prevista na Lei de Benefícios da Previdência Social, em que as empresas com mais de 100 empregados são obrigadas a preencher pelo menos 2% dos cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência. 

— Vivemos um momento difícil na área das pessoas com deficiência nas empresas. Há um movimento que tenta desqualificar a contratação dessas pessoas. A Lei de Cotas no Brasil mudou a perspectiva dessas pessoas, que passaram a ter um trabalho, um rendimento, e essa foi uma transformação muito grande — citou Mara.

Por fim, Leila também apresentou outra emenda que cria mais uma modalidade do selo, direcionada especificamente às micro e pequenas empresas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Em audiência, feirantes do DF relatam medo de perder locais de trabalho

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Feirantes do Distrito Federal estão preocupados com uma licitação que, segundo eles, pode deixá-los sem local para exercer suas atividades. Em audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa dos Feirantes, nesta segunda-feira (22) no Senado, eles pediram apoio dos parlamentares para garantir espaços comerciais e segurança jurídica para a profissão.

Em abril, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) derrubou regras que permitiam a ocupação de boxes em feiras sem processo licitatório. O tribunal declarou inconstitucionais dispositivos de uma lei distrital que regula o funcionamento das feiras públicas e público-privadas no Distrito Federal. Foi mantido apenas o dispositivo que autoriza, de forma provisória, a permanência dos ocupantes atuais até a realização da licitação.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) alertou para o risco de que a licitação abra espaço para especuladores sem vínculo com a atividade:

— O que nos preocupa é alguém que nem é feirante entrar na licitação e arrematar tudo e virar um shopping. Isso não pode acontecer — apontou.

O objetivo da reunião era ouvir a posição dos feirantes sobre o PL 117/2026, de autoria da senadora Leila Barros (PDT-DF). A proposta cria regras para proteger feirantes tradicionais, isentando-os de licitações para renovação de espaço e garantindo o direito de transmitir o ponto a familiares.

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A presidente da frente, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), conclamou os parlamentares para uma luta coletiva em defesa da categoria. Ela sugeriu que a frente discuta a entrega de uma agenda de propostas a candidatos ao governo do Distrito Federal e ao governo federal.

— Se tem alguém que acorda de madrugada, que coloca sua saúde em risco o tempo todo, é o feirante. Então a gente vai ter que se unir para lutar — disse.

Sobre o PL 117/2026, Izalci Lucas, relator da proposta, alertou que precisará fazer ajustes no texto: uma nota técnica da Consultoria Legislativa do Senado apontou que a proposta, na forma atual, invadiria a competência de estados e municípios. O senador também estuda incorporar ao projeto medidas previstas em outras iniciativas legislativas, como a questão da seguridade social para os feirantes.

— Há controvérsia em relação ao projeto. Estamos defendendo que ele é constitucional — afirmou.

Direito de uso

Na audiência pública, os feirantes pediram que seja reconhecido o “direito real de uso”, medida que assegura a utilização dos espaços para atividades comerciais e oferece maior segurança jurídica do que uma simples permissão de uso.

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— Os feirantes de Brasília e de todo o Brasil precisam de maior segurança. Esse documento dá estabilidade, garante mais tempo, dá estabilidade emocional ao feirante — disse Nalva Fomes, da Feira Permanente do Guará.

Orlando Batista dos Passos Filho, do Sindicato dos Feirantes do Distrito Federal, rejeitou o modelo de licitação, que, segundo ele, abre a possibilidade de participação de “não-feirantes”.  

— As feiras têm uma função social na comunidade onde estão inseridas. Não tem como comparar uma feira com um shopping center. Feira é um comércio de subsistência. A licitação vai desvirtuar o cunho social das feiras — argumentou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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