POLÍTICA NACIONAL

CSP aprova projeto de estímulo ao videomonitoramento

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A Comissão de Segurança Pública (CSP) aprovou nesta terça-feira (27) o projeto que cria o programa Vigia Mais, iniciado no estado do Mato Grosso, em esfera nacional. O objetivo é fortalecer a segurança pública através da ampliação e do compartilhamento de câmeras de vídeo em locais públicos e privados, contribuindo para a prevenção e repressão de crimes. A matéria segure agora para análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O PL 3.639/2024 foi apresentado pela ex-senadora Rosana Martinelli (MT) e recebeu parecer favorável do senador Marcos Rogério (PL-RO), lido pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). 

O programa Vigia Mais é uma iniciativa do governo de Mato Grosso, apoiada na cooperação técnica e operacional entre o estado e entidades públicas e privadas para a instalação e utilização de câmeras de vigilância. De acordo com a autora da proposta, as câmeras são estrategicamente posicionadas em áreas urbanas e rurais, permitindo o acompanhamento em tempo real de atividades suspeitas e ações criminosas. Ainda de acordo com a autora, o sistema de videomonitoramento do programa, instituído em 2022, auxilia na identificação de infratores, na prevenção de delitos e no trabalho policial.

Além de aumentar a disponibilidade e abrangência de câmeras de vigilância e outros instrumentos de captura de imagens para os órgãos, entidades e pessoas públicas e privadas participantes o programa fomenta a cooperação entre os participantes para redução de problemas sociais, principalmente dos índices de criminalidade. O texto também indica que a medida poderá reduzir o custo do poder público com a aquisição e a geração de imagens.

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O funcionamento da plataforma de compartilhamento será ininterrupto, obrigatoriamente com a adoção de backup.

— Nos últimos anos, as câmeras de segurança têm sido as principais aliadas dos órgãos de segurança pública na determinação da autoria e da materialidade das infrações penais. Sabendo que estão sendo filmadas, as pessoas pensarão duas vezes antes de cometer crimes — leu Mourão. 

PEC da Segurança 

Durante a discussão da matéria, o senador Sérgio Moro (União-PR) elogiou a medida, classificando-a de eficiente, e aproveitou para criticar a PEC da Segurança Pública, encaminhada pelo governo federal e que está tramitando na Câmara dos Deputados. Para Moro, a PEC é desnecessária, já que a cooperação entre entes federados para combater a criminalidade é previsto em leis ordinárias. 

— Então você tem uma lei do Susp [Sistema Único de Segurança Pública], que já prevê essa cooperação federativa, inclusive fundo e de repente não. Agora você precisa de uma PEC para dizer a mesma coisa que está na lei do Susp lá desde o governo Temer […]. Não precisa de PEC para dizer que os entes federados precisam cooperar entre eles para combater a criminalidade — criticou.

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O Susp foi criado em 2018 integrar as forças de segurança pública, promovendo a cooperação entre órgãos federal, estadual e municipal. Em abril, o governo encaminhou ao Congresso Nacional a proposta de emenda à Constituição (PEC) 18/2025, para reformular a gestão da segurança pública no Brasil. Um dos objetivos é a constitucionalização do Susp.

Os senadores Jorge Seif (PL-SC), Margareth Buzetti (PSD-MT) e Hamilton Mourão concordaram com Moro nas críticas de à PEC da Segurança Pública. 

— Essa PEC traz um museu de novidades. Traz tudo o que já está previsto na legislação. […] Ameaça ainda a autoridade dos governos dos estados, dos secretários de segurança pública […], a autonomia federativa e, em ultima instância, dos comandantes das polícias militares dos estados — disse Seif. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Em audiência, feirantes do DF relatam medo de perder locais de trabalho

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Feirantes do Distrito Federal estão preocupados com uma licitação que, segundo eles, pode deixá-los sem local para exercer suas atividades. Em audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa dos Feirantes, nesta segunda-feira (22) no Senado, eles pediram apoio dos parlamentares para garantir espaços comerciais e segurança jurídica para a profissão.

Em abril, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) derrubou regras que permitiam a ocupação de boxes em feiras sem processo licitatório. O tribunal declarou inconstitucionais dispositivos de uma lei distrital que regula o funcionamento das feiras públicas e público-privadas no Distrito Federal. Foi mantido apenas o dispositivo que autoriza, de forma provisória, a permanência dos ocupantes atuais até a realização da licitação.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) alertou para o risco de que a licitação abra espaço para especuladores sem vínculo com a atividade:

— O que nos preocupa é alguém que nem é feirante entrar na licitação e arrematar tudo e virar um shopping. Isso não pode acontecer — apontou.

O objetivo da reunião era ouvir a posição dos feirantes sobre o PL 117/2026, de autoria da senadora Leila Barros (PDT-DF). A proposta cria regras para proteger feirantes tradicionais, isentando-os de licitações para renovação de espaço e garantindo o direito de transmitir o ponto a familiares.

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A presidente da frente, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), conclamou os parlamentares para uma luta coletiva em defesa da categoria. Ela sugeriu que a frente discuta a entrega de uma agenda de propostas a candidatos ao governo do Distrito Federal e ao governo federal.

— Se tem alguém que acorda de madrugada, que coloca sua saúde em risco o tempo todo, é o feirante. Então a gente vai ter que se unir para lutar — disse.

Sobre o PL 117/2026, Izalci Lucas, relator da proposta, alertou que precisará fazer ajustes no texto: uma nota técnica da Consultoria Legislativa do Senado apontou que a proposta, na forma atual, invadiria a competência de estados e municípios. O senador também estuda incorporar ao projeto medidas previstas em outras iniciativas legislativas, como a questão da seguridade social para os feirantes.

— Há controvérsia em relação ao projeto. Estamos defendendo que ele é constitucional — afirmou.

Direito de uso

Na audiência pública, os feirantes pediram que seja reconhecido o “direito real de uso”, medida que assegura a utilização dos espaços para atividades comerciais e oferece maior segurança jurídica do que uma simples permissão de uso.

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— Os feirantes de Brasília e de todo o Brasil precisam de maior segurança. Esse documento dá estabilidade, garante mais tempo, dá estabilidade emocional ao feirante — disse Nalva Fomes, da Feira Permanente do Guará.

Orlando Batista dos Passos Filho, do Sindicato dos Feirantes do Distrito Federal, rejeitou o modelo de licitação, que, segundo ele, abre a possibilidade de participação de “não-feirantes”.  

— As feiras têm uma função social na comunidade onde estão inseridas. Não tem como comparar uma feira com um shopping center. Feira é um comércio de subsistência. A licitação vai desvirtuar o cunho social das feiras — argumentou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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