POLÍTICA NACIONAL

CDH quer saber se protocolos de proteção a crianças foram adotados em operação policial no RJ

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A presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH), senadora Damares Alves (Republicanos-DF), manifestou preocupação com os acontecimentos na cidade do Rio de Janeiro, após a operação policial deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha na terça-feira (28). Durante a reunião desta quarta-feira (29), a senadora lamentou as “cenas de guerra” e informou que a comissão vai pedir informações ao governo do Rio de Janeiro sobre os protocolos adotados para a proteção de crianças e adolescentes, seja em procedimentos adotados antes, durante e após a operação. De acordo com as últimas informações divulgadas pela imprensa, já foram contados mais de 130 mortos.

— No caso do Rio de Janeiro ontem, as cenas que nós vimos são gravíssimas, são cenas de guerra, explosivos foram jogados, carros incendiados, houve tiroteio. Tudo o que nós queremos saber é quando essa ação foi planejada, com 2,5 mil policiais. Ninguém é ingênuo de saber que numa operação dessa não teria danos colaterais. Qual foi o item pensado em criança para esta operação? O Conselho Tutelar foi junto com a polícia? Crianças foram acolhidas durante a operação? Como foi feito o trabalho junto às escolas porque as crianças estavam em aula? Escolas foram atingidas. Os professores foram orientados? Qual foi o protocolo acionado para conter os danos às crianças, do antes, durante e, agora, após a operação? — questionou a senadora. 

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A senadora lembrou que em casos de operações que possam gerar uma tragédia, como a que ocorreu no rompimento das barragens e Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, assim como nas enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, as instituições públicas envolvidas precisam recorrer a protocolos internacionais para assegurar a proteção de crianças. 

— Quando há uma tragédia, uma calamidade, existe protocolos internacionais que precisam ser acionados para proteger crianças. Deixe eu dar o exemplo de Brumadinho, Mariana e Rio Grande do Sul. Durante aquelas tragédias imediatamente um protocolo é acionado para que as crianças sejam atendidas. 

Na terça-feira as forças de segurança do estado do Rio de Janeiro realizaram ação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital com o objetivo de prender integrantes do Comando Vermelho (CV). A operação acabou gerando um cenário de guerra, com drones lançando explosivos, ônibus incendiados e o bloqueio de linhas em toda a Região Metropolitana. Na noite de terça, contavam-se 64 mortes, sendo quatro policiais, além de dezenas de feridos. De acordo com a imprensa, na manhã desta quarta-feira moradores do Complexo da Penha levaram a uma praça pelo menos 74 corpos. 

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

IA entra na mira do TSE e pode ser proibida em vídeos de campanha nas eleições

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O uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais entrou no centro das discussões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte avalia alternativas para conter abusos envolvendo vídeos produzidos ou modificados por IA, em um debate que pode estabelecer novos limites para a propaganda política nas eleições de 2026.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ainda não definiu publicamente como deverá votar em um processo que envolve um vídeo produzido com inteligência artificial e atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso ganhou relevância porque envolve a reprodução de uma mensagem de Bolsonaro durante uma convenção do Partido Liberal.

A discussão ocorre justamente quando a tecnologia permite criar vídeos e áudios cada vez mais próximos de conteúdos reais. O principal desafio para a Justiça Eleitoral é estabelecer mecanismos capazes de combater manipulações sem transformar a fiscalização eleitoral em uma restrição desproporcional à utilização legítima de novas ferramentas.

As regras eleitorais de 2026 já tratam especificamente de conteúdo sintético produzido por inteligência artificial. A regulamentação do TSE prevê mecanismos para responsabilização e, em determinadas situações, permite que o juiz determine a inversão do ônus da prova quando a comprovação técnica da manipulação for excessivamente difícil. Nessa hipótese, quem produziu ou divulgou o conteúdo pode ser obrigado a demonstrar como a IA foi utilizada e comprovar a veracidade da informação divulgada.

O próprio TSE também estabeleceu que os tribunais eleitorais poderão firmar acordos com universidades e instituições especializadas em perícia digital e inteligência artificial para auxiliar na análise de possíveis ilícitos durante o processo eleitoral.

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A possível discussão sobre uma proibição mais ampla, portanto, representa um passo além das regras atualmente estabelecidas. Em vez de apenas exigir transparência ou responsabilizar conteúdos considerados ilícitos, a Corte poderá discutir se determinadas formas de utilização da tecnologia devem ser impedidas durante a campanha.

O caso envolvendo Bolsonaro pode se tornar um dos primeiros testes relevantes desse novo cenário. A decisão deverá ajudar a estabelecer parâmetros para situações em que uma pessoa pública aparece dizendo algo que não disse, especialmente quando o material é distribuído nas redes sociais com potencial de alcançar milhares ou milhões de eleitores em poucas horas.

A preocupação não se limita aos vídeos. A Justiça Eleitoral também terá de lidar com áudios clonados, imagens manipuladas e outros conteúdos capazes de simular declarações ou acontecimentos que nunca ocorreram.

Pesquisas também entram na pauta

Além da inteligência artificial, outro tema relacionado diretamente à disputa presidencial está sob análise de Nunes Marques: a pesquisa AtlasIntel que apontou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro.

Em junho, o ministro determinou liminarmente a suspensão da divulgação da pesquisa após pedido apresentado pelo PL. Nunes Marques apontou suspeitas de indução dos entrevistados por causa da metodologia utilizada no levantamento. A decisão, entretanto, é liminar e depende de análise do plenário do TSE.

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A AtlasIntel contestou a decisão e afirmou que o questionário havia sido concluído antes da exposição dos entrevistados ao áudio relacionado ao caso Dark Horse, defendendo a regularidade da metodologia.

Os dois episódios colocam o TSE diante de uma questão que deverá acompanhar toda a campanha de 2026: qual é o limite entre fiscalização necessária para proteger o eleitor e restrição ao debate político?

No caso da inteligência artificial, a resposta poderá ter impacto direto na forma como partidos e candidatos produzirão conteúdo eleitoral. A tecnologia pode ser usada para criação e edição de materiais, mas a utilização de recursos capazes de fabricar declarações, acontecimentos ou informações falsas coloca a Justiça Eleitoral diante de um dos desafios mais complexos da próxima eleição.

O calendário oficial do TSE estabelece 15 de agosto como prazo final para o registro das candidaturas às eleições gerais de 2026. A partir daí, a disputa entra em uma etapa ainda mais intensa, aumentando também a pressão sobre a Corte para definir rapidamente os limites aplicáveis à propaganda digital.

O julgamento sobre o uso de inteligência artificial, portanto, não deverá tratar apenas de um vídeo específico. A decisão poderá criar um precedente para toda a campanha eleitoral e determinar como a Justiça Eleitoral pretende enfrentar uma tecnologia que já faz parte da disputa política.

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