POLÍTICA NACIONAL

Adiada votação de projeto que muda cálculo do ITR

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) adiou a votação do Projeto de Lei (PL) 1.648/2024, que altera o modelo de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), para passar a considerar a real área aproveitável dos imóveis a serem tributados (ao utilizar o índice do Grau de Utilização – GU). A proposta também exclui a tributação de áreas ambientais e de outros itens a serem deduzidos do valor da terra nua.

Apresentado pelo senador Jayme Campos (União-MT), o projeto tem parecer favorável do senador Jaime Bagattoli (PL-RO) e estava na pauta da CAE desta terça-feira (3). A senadora Augusta Brito (PT-CE), no entanto, pediu mais tempo para analisar a matéria.

O PL 1.648/2024 trata de investimentos e outras aplicações econômicas dos produtores rurais; ajusta a apuração dos preços de referência da terra para calcular o ITR; e determina a adequada aplicação dos recursos arrecadados. Para isso, o texto altera a Lei do ITR (Lei 9.393, de 1996), modificando as fontes de informações sobre preços de terras e critérios de cobrança do tributo. A proposta altera também a Lei 11.250, de 2005, para obrigar os municípios a vincular a arrecadação do ITR a despesas com infraestrutura e com medidas que beneficiem os moradores do campo; e a Lei 6.938, de 1981, que trata da Política Nacional do Meio Ambiente.

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Bagattoli disse que o projeto será um instrumento de segurança jurídica para os produtores.

— Como representante de Rondônia, e atento às necessidades de quem vive no campo, parabenizo essa iniciativa. O ITR é um tributo federal brasileiro, de apuração anual, e essa proposta aprimora os mecanismos de cobrança, proporcionando mais justiça fiscal e isonomia tributária dos contribuintes. É importante frisar que a gente não está tirando nenhum tipo de arrecadação. Nada mais justo do que fazermos justiça aos produtores, independentemente do seu tamanho — disse Bagattoli na reunião da CAE .

O senador Izalci Lucas (PL-DF) elogiou a a proposta, ressaltando que o ITR é um imposto regulatório, e não arrecadatório. Para ele, o PL 1.648/2024 dá garantias jurídicas aos produtores e regula a atividade rural.

Augusta Brito argumentou que é preciso mais tempo para estudar o assunto. Ela disse que pretende sugerir uma emenda para beneficiar as mulheres do campo.

A ideia dos senadores é votar o texto na próxima semana.

Arquivamento

A CAE descartou nesta terça projeto para garantir a quem recebe o salário mínimo um ganho real — acima da inflação — de pelo menos 1% todos os anos. O PL 605/2019, do senador Humberto Costa (PT-PE), recebeu parecer pela prejudicialidade do senador Paulo Paim (PT-RS) e segue para o arquivamento.

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Paim lembrou que, apesar de não haver dúvidas em relação ao mérito do projeto, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei 14.663, de 2023, estabelecendo uma política de valorização do salário-mínimo — que, agora, será permanente. As atualizações anuais estão sujeitas aos percentuais mínimo de 0,6% e máximo de 2,5%, por força da Lei 15.077, de 2024, ficando a nova regra muito próxima da proposta no texto.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Nunes Marques restabelece filiação de Flávio Bolsonaro ao PL

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Às vésperas do prazo final para o registro de candidaturas, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL). A decisão ocorre após o nome do parlamentar aparecer como filiado ao Partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral, justamente no período em que ele busca registrar sua candidatura à Presidência da República.

A medida foi tomada a pedido do próprio PL. Na decisão, Nunes Marques considerou que a filiação partidária é uma condição necessária para que o cidadão possa disputar uma eleição e destacou que o vínculo não poderia ser alterado sem a manifestação de vontade do filiado.

Segundo o ministro, documentos apresentados no processo comprovam que Flávio Bolsonaro mantém vínculo com o PL desde 30 de novembro de 2021. Uma certidão da Justiça Eleitoral, citada na decisão, apontaria a regularidade e a exclusividade da filiação do senador à legenda.

Nunes Marques também considerou incompatível com as circunstâncias do caso a hipótese de uma mudança voluntária de partido. Flávio é apresentado publicamente como pré-candidato do PL à Presidência, enquanto o Missão já possui Renan Santos como nome lançado para a disputa ao Palácio do Planalto.

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A decisão ocorreu no mesmo dia em que o presidente do TSE determinou a abertura de investigação para apurar como a filiação ao Missão foi registrada. De acordo com o tribunal, não houve invasão ou ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. A suspeita é de uso indevido das credenciais de acesso de alguém autorizado a realizar filiações em nome do partido.

O caso também deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral para as providências cabíveis, enquanto a Polícia Federal investigará as circunstâncias do registro.

Em nota, o Missão afirmou ter sido alvo de uma tentativa de filiação fraudulenta e informou que já havia comunicado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre as tentativas de inclusão do senador no quadro partidário desde o dia 2 de agosto.

O partido também declarou que pretende colaborar com as investigações e disponibilizar informações técnicas, como registros de acesso, e-mails e endereços de IP, para ajudar na identificação dos responsáveis.

Com a decisão do TSE, Flávio Bolsonaro volta a ter oficialmente o PL como partido de filiação, afastando, neste momento, um dos obstáculos para o registro de sua candidatura à Presidência da República.

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