Política MT

Uma menina de 11 anos e o racismo que continua sangrando neste país

Publicado em

Vivemos tempos que exigem coragem para encarar verdades que, por muito tempo, foram ignoradas ou disfarçadas. No último dia 11, uma menina de 11 anos foi chamada de “macaca” por um colega dentro de uma escola municipal na Zona Leste de São Paulo. Quando a irmã mais velha foi ao aluno para defendê-la, levou um soco na boca. Na Escola Municipal Forte dos Reis Magos, em São Mateus, zona leste da capital paulista, estudantes colocaram cartazes nos portões em protesto, porque palavras, às vezes, são o único escudo que crianças têm.

Esse caso não é uma exceção. É um espelho.

Ele escancara o que muitos ainda insistem em negar. O racismo segue presente, atuante e perigosamente naturalizado, inclusive entre crianças, dentro de salas de aula, em espaços que deveriam ser de acolhimento e formação. Se uma menina de 11 anos já carrega esse peso, algo profundo está errado na forma como construímos nossa sociedade.

O racismo no Brasil não se manifesta apenas em agressões explícitas. Ele se revela nos olhares desconfiados, nas oportunidades negadas, nas piadas “inofensivas” e nas estruturas que, silenciosamente, excluem. É uma violência que se infiltra no cotidiano e, por isso, muitas vezes passa despercebida e, especialmente por quem não é seu alvo.

Leia Também:  Deputado Max Russi garante promoção de militares junto ao Governo de MT

Não podemos esquecer que somos um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão. Foram mais de três séculos de exploração e desumanização que não desapareceram com a assinatura de uma lei. Suas consequências ainda estão vivas, refletidas nas disparidades sociais, no acesso desigual à educação, à saúde, ao mercado de trabalho e à justiça. No Brasil, 57% da população é negra, e essa maioria ainda enfrenta, diariamente, o peso de um passado que o país insiste em não assumir. Negar o racismo é negar a própria história.

O Brasil avançou na legislação. A Constituição de 1988 tornou o racismo crime inafiançável e imprescritível, e em 2023 a Lei 14.532 equiparou a injúria racial ao crime de racismo, endurecendo as punições. Aqui em Mato Grosso, temos feito nossa parte. Instituímos por lei o Dia Estadual de Tereza de Benguela e da Mulher Negra — homenagem à rainha quilombola que, no século XVIII, liderou a resistência negra e indígena no Quilombo do Quariterê, em nosso próprio Estado.

Em 2025, foi promulgada a Lei nº 12.856, que criou o Fundo Estadual da Promoção da Igualdade Racial, destinado a financiar ações concretas voltadas às populações negra, indígena e outras etnias vulneráveis. São avanços reais, conquistados com trabalho. Mas legislar não basta enquanto a mentalidade social não acompanha o texto da lei.

Leia Também:  Dr Eugênio faz caravana em defesa da pavimentação da rodovia estadual MT-322

É preciso mais. Educação antirracista desde a infância, dentro das próprias escolas onde essa violência acontece. Políticas públicas que reparem desigualdades históricas. E coragem individual para não silenciar diante da discriminação, porque o silêncio, nesses casos, também é conivência.

O racismo não é um problema apenas de quem sofre com ele. É um problema de todos nós. Enquanto uma criança precisar de cartazes nos portões da escola para dizer que merece respeito, não poderemos falar em democracia plena.

O desafio está posto. Exige mais do que indignação: exige consciência, responsabilidade e ação.

*Max Russi é deputado (Pode), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Política MT

Max Russi articula a convocação de 50 oficiais e mais 200 soldados da PM

Published

on

O deputado Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa, anunciou nesta terça-feira (19), o avanço nas negociações para a ampliação do efetivo da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT). Após reuniões consecutivas com o governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos), e com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), o parlamentar confirmou a sinalização positiva para a convocação de 50 vagas para o Curso de Formação de Oficiais (CFO) e mais 200 soldados aprovados no concurso.

A convocação para o CFO vai abrir 50 vagas para aspirantes a oficial da Polícia Militar. Desse total, 18 candidatos já atuam na instituição como praças e agora ingressarão no oficialato, o que reduz o impacto financeiro para o Estado. O chamamento atende a uma forte cobrança dos aprovados e busca suprir as necessidades de comando da corporação.

Além das vagas para oficiais, Russi garantiu o encaminhamento junto ao governo do estado para o chamamento de, pelo menos, mais 200 soldados da lista de aprovados. O objetivo do Parlamento estadual é colocar esses novos soldados nas ruas o mais rápido possível, direcionando o reforço do policiamento preventivo e ostensivo principalmente para os municípios do interior.

Leia Também:  Governo lança Programa 'MT Produtivo' e destaca parceria com a ALMT nos avanços do equilíbrio fiscal

“O governador Pivetta foi muito sensível ao nosso pleito. Ele reforçou que a prioridade da gestão é o combate firme às facções e a melhoria da segurança pública nos 142 municípios de Mato Grosso. A Assembleia Legislativa fez esse pedido de forma unificada porque o fortalecimento do efetivo é a resposta que a nossa população precisa. Vamos continuar nessa luta para que essa convocação aconteça nos próximos dias”, afirmou Max Russi.

Fonte: ALMT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA