Fim da escala 6x1 pode elevar mensalidades escolares em até 11%, aponta estudo
Segundo o editorial, a ampliação do descanso semanal exigirá mudanças na organização das instituições e poderá elevar as despesas com pessoal, com reflexos no valor das mensalidades.

A mudança da escala de trabalho 6x1 para o modelo 5x2 pode provocar aumento de custos para empresas, reajustes de preços e dificuldades para pequenos negócios. O alerta foi apresentado em editorial publicado pelo jornal O Globo, que questiona os impactos econômicos da alteração na jornada de trabalho.
Um dos setores apontados como exemplo é o ensino privado, que reúne aproximadamente 1,4 milhão de trabalhadores no país, dos quais cerca de dois terços são professores. Segundo o editorial, a ampliação do descanso semanal exigirá mudanças na organização das instituições e poderá elevar as despesas com pessoal, com reflexos no valor das mensalidades.
O jornal cita um levantamento elaborado pelo economista Luiz Alvares Rezende de Souza, da consultoria NumbersTalk, a pedido da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). O estudo estima que a mudança poderá aumentar os gastos com folha de pagamento do setor entre 9% e 17%, o que representaria um custo adicional anual de R$ 9,3 bilhões a R$ 17,3 bilhões.
As projeções indicam ainda que as mensalidades escolares poderiam subir entre 8% e 11%. O editorial avalia que o impacto poderá atingir especialmente instituições de menor porte, que teriam menos capacidade financeira para absorver os custos adicionais.
A presidente da Confenen, Beth Guedes, também demonstrou preocupação com a sobrevivência das pequenas escolas. Na avaliação dela, grandes redes terão melhores condições de adaptação às novas exigências. “Só as grandes sobreviverão. As pequenas ficarão para trás”, afirmou.
Restaurantes também calculam aumento de despesas
O setor de alimentação aparece como outro exemplo dos possíveis efeitos da mudança. O editorial menciona o caso de Laurisvan Ferreira, proprietário de dois restaurantes em São Paulo, que calcula precisar contratar três funcionários adicionais para adequar as operações à nova jornada.
Segundo reportagem anterior de O Globo, a contratação representaria aumento de aproximadamente 17% na folha de pagamento do empresário.
A avaliação é que estabelecimentos de diferentes segmentos poderão precisar ampliar equipes, reorganizar escalas ou reduzir horários de funcionamento. Para negócios com margens menores, o aumento das despesas pode representar um desafio adicional e, em situações mais graves, comprometer a continuidade das atividades.
Editorial questiona discussão sobre a mudança
O Globo também critica a forma como a alteração foi conduzida. Na avaliação do jornal, a proposta ganhou espaço durante a campanha eleitoral sem debate aprofundado sobre os impactos econômicos e sem estudos específicos sobre as consequências para cada setor.
O editorial ainda questiona a ausência de uma regulamentação que, segundo o veículo, considere as diferenças entre as atividades econômicas. O texto menciona também a chamada PEC do Trabalho Flexível, apresentada como alternativa para adaptar as relações de trabalho às transformações do mercado, mas que acabou deixada de lado pelo Congresso.
Ao final, o jornal alerta que o aumento dos custos operacionais poderá ser repassado aos consumidores por meio de mensalidades e preços mais altos. Também aponta o risco de pequenos estabelecimentos enfrentarem dificuldades para manter suas atividades.
As estimativas de aumento de custos e mensalidades citadas na publicação são projeções do estudo encomendado pela Confenen, e não reajustes já confirmados. Os efeitos efetivos dependerão das regras de implementação, das negociações trabalhistas e da capacidade de adaptação de cada setor.
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