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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Economia

Consumo nos lares brasileiros cresce 2,70% de janeiro a setembro, aponta Abras

Alta foi registrada mesmo com recuo de 1,46% em setembro na comparação com agosto; associação destaca mercado de trabalho, renda e programas sociais, mas alerta para endividamento e novos impostos**

Redação Assembleia News3 min de leitura
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O consumo nos lares brasileiros acumulou alta de 2,70% entre janeiro e setembro de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O resultado ficou praticamente estável em relação ao acumulado até agosto, quando o crescimento registrado foi de 2,71%.

Na comparação com setembro de 2025, o consumo avançou 0,59%. Já em relação ao mês anterior, houve recuo de 1,46%, interrompendo uma sequência de dois meses de crescimento: em julho, a alta foi de 3,01%, e em agosto, de 2,21%.

O levantamento considera todos os formatos de supermercados, desde pequenos estabelecimentos de bairro até grandes redes. Os dados são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para Marcio Milan, vice-presidente da Abras, o resultado reflete, entre outros fatores, o desempenho do mercado de trabalho e a capacidade das famílias de conciliar as compras de alimentos com outras despesas do orçamento.

### Mercado de trabalho e renda sustentam consumo

Entre os indicadores destacados pela entidade está a taxa de desocupação, que ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto. A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica.

O rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.777, com aumento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. A massa de rendimento real habitual também atingiu recorde, chegando a R$ 385,6 bilhões, avanço anual de 4,8%, equivalente a R$ 17,5 bilhões a mais.

Milan também mencionou o impacto de políticas públicas e transferências de renda. Em setembro, o Bolsa Família destinou R$ 13,04 bilhões a aproximadamente 19,3 milhões de famílias. O executivo citou ainda a liberação de R$ 3,22 bilhões para pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) e a restituição do Imposto de Renda a 521,9 mil contribuintes.

Na avaliação do representante da Abras, a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica também contribui para preservar o poder de compra. A medida abrange itens como carnes, frango e peixe.

### Abras demonstra preocupação com impostos e endividamento

Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, o setor supermercadista acompanha com preocupação o endividamento das famílias e a possibilidade de novos tributos sobre produtos de consumo.

Milan afirmou que as futuras alíquotas precisam ser definidas de maneira a evitar aumento da carga tributária sobre os demais itens da cesta de consumo.

Outro ponto mencionado pelo vice-presidente foi a relação entre apostas on-line e consumo de alimentos. Segundo dados apresentados pela entidade, as vendas de alimentos cresceram 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. Milan defendeu a manutenção da proibição das apostas on-line e associou a medida ao aumento do consumo.

### Setor acompanha discussão sobre jornada de trabalho

O representante da Abras também manifestou preocupação com mudanças na legislação trabalhista relacionadas ao fim da escala 6x1 e à redução da jornada de trabalho.

Segundo Milan, os supermercados desempenham papel essencial no abastecimento da população e precisam de condições para manter o funcionamento de toda a cadeia. Ele alertou que mudanças na jornada podem afetar a organização do setor e a distribuição de produtos.

O resultado de janeiro a setembro indica crescimento do consumo nos lares, mas a queda registrada em setembro na comparação mensal e as preocupações apontadas pela Abras mostram que o setor acompanha de perto os efeitos da renda, do endividamento, dos tributos e das possíveis mudanças trabalhistas.

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