O candidato ao Senado por Mato Grosso Antônio Galvan (Avante) abriu um debate sobre a legislação de combate ao feminicídio ao questionar a diferenciação das penas aplicadas quando a vítima é mulher. Durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (19), na Assembleia Legislativa, o produtor rural afirmou defender que crimes sejam punidos de acordo com sua gravidade, independentemente do sexo da vítima.
Galvan criticou o endurecimento das penas para o feminicídio e afirmou que o aumento do tempo de prisão, por si só, não seria suficiente para impedir novos crimes. Para o candidato, o enfrentamento da violência precisa começar antes que os conflitos cheguem a situações extremas.
“A morte de uma mulher não é diferente da morte de um homem. Nós somos seres humanos”, declarou.
O candidato também questionou a eficácia de penas mais severas. Segundo ele, mesmo a adoção de punições extremamente longas não impediria necessariamente a ocorrência de crimes motivados por conflitos pessoais.
“Você pode botar 100 anos de pena para o cara, pode botar prisão perpétua”, afirmou Galvan, ao defender que as políticas públicas sejam direcionadas às causas que levam à violência.
Durante a entrevista, o candidato relacionou o aumento dos conflitos familiares a fatores como dificuldades financeiras e problemas dentro dos lares. Na avaliação dele, a pressão provocada pelas despesas e pelo desgaste cotidiano pode agravar situações de conflito entre casais.
A declaração ocorre em um momento de atenção à violência contra a mulher em Mato Grosso. Dados citados na reportagem apontam registros de feminicídios no Estado ao longo de 2026, com junho aparecendo como o mês com maior número de ocorrências no levantamento mencionado.
Galvan também foi questionado sobre um caso recente de tentativa de feminicídio em Nova Mutum, no qual uma mulher foi atacada a facadas pelo ex-companheiro. Ao responder sobre o episódio, o candidato voltou a defender que o debate público precisa ir além da punição posterior ao crime.
A legislação brasileira passou a estabelecer o feminicídio como crime autônomo, com penas mais severas, por meio da Lei nº 14.994/2024. A discussão levantada por Galvan coloca em lados opostos duas estratégias: o endurecimento das punições e a adoção de políticas preventivas voltadas à redução da violência antes que ela resulte em mortes.
Para além da disputa eleitoral, a declaração deve alimentar o debate sobre segurança pública, proteção às mulheres e os mecanismos capazes de prevenir situações de violência doméstica e familiar.