POLÍTICA NACIONAL

Redução de alíquotas tributárias para indústria química segue para sanção

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O Plenário do Senado aprovou, nesta quarta-feira (25), o projeto que reduz as alíquotas para indústrias químicas e petroquímicas participantes de regime fiscal especial até sua migração para um novo regime com vigência em 2027 (PLP 14/2026).

Foram 59 votos a favor e apenas 3 contrários, além de uma abstenção. Do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) e relatado pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), o projeto segue agora para a sanção da Presidência da República.

Segundo o texto, as alíquotas referentes ao pagamento menor de PIS e Cofins valerão de março a dezembro de 2026 e substituem outras vetadas em projeto anterior pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por falta de previsão de impacto orçamentário. Daniella informou que houve um acordo para o texto do novo texto.

O veto parcial do presidente Lula (VET 46/2025) atingiu vários pontos da Lei 15.294, de 2025, que trata da criação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). O texto tem origem no PL 892/2025aprovado no Senado no dia 18 de novembro de 2025. A maior parte dos itens vetados teve como justificativa a renúncia de receita estar desacompanhada dos demonstrativos de impacto.

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O projeto aprovado agora pretende corrigir essa lacuna apontada pelo Executivo e limita a renúncia fiscal em 2026 a R$ 2 bilhões, mas isenta a proposta de critérios para tramitação recém incluídos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF -Lei Complementar 101, de 2000) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias deste ano (LDO 2026 – Lei 15.321, de 2025).

Outro R$ 1,1 bilhão bancará créditos tributários adicionais previstos na legislação para as centrais petroquímicas e indústrias químicas participantes do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) que apurarem os créditos normais com os índices do projeto.

Assim, não será necessário indicar, por exemplo:

  •  estimativa de quantitativo de beneficiários;
  •  metas de desempenho objetivas e quantificáveis em dimensões econômicas, sociais e ambientais;
  •  impacto previsto na redução das desigualdades regionais, se for o caso; e
  •  mecanismos de transparência e de monitoramento e avaliação de resultados das metas.

Fica afastada ainda a proibição da LDO de ampliação de gasto tributário em 2026.

Os benefícios serão extintos a partir do mês seguinte àquele em que for demonstrado pelo Executivo o alcance dos limites fixados. A proposta tem caráter transitório para evitar descontinuidade abrupta de política pública previamente instituída, preservando a previsibilidade regulatória e a estabilidade econômica do segmento durante o período de transição. Os benefícios tributários relativos ao Reiq se encerrarão no início do ano de 2027, devido ao fim da Contribuição para o PIS e da Cofins, promovido pela reforma tributária.

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Alíquotas

O texto vetado anteriormente pelo governo previa aplicação de alíquotas de 0,67% de PIS e 3,08% de Cofins nos meses de novembro e dezembro de 2025, baixando para 0,54% e 2,46%, respectivamente, em todo o ano de 2026.

A proposição de agora estabelece novas alíquotas reduzidas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, fixadas em 1,52% e 7%, respectivamente, para fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, e em 0,62% e 2,83% para fatos geradores ocorridos de março a dezembro de 2026. 

Isso valerá para indústrias participantes do Reiq, que será extinto no final do ano. Essas alíquotas se aplicam também à importação com incidência de PIS-Importação e Cofins-Importação. A renúncia abrange a compra de nafta petroquímica, parafina e vários outros produtos químicos utilizados como insumo pela indústria.

Com Agência Câmara de Notícias

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Relatório do 8 de Janeiro omitiu 11 alertas recebidos por ex-ministro, aponta investigação

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O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Lula, general Gonçalves Dias, é acusado de ter determinado a retirada de 11 alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de um relatório oficial encaminhado ao Congresso Nacional antes dos atos de 8 de janeiro de 2023.

A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, que aponta divergências entre versões do relatório produzido pela Abin sobre os avisos emitidos antes da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

A primeira versão do documento foi entregue à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) em 20 de janeiro de 2023. Segundo a reportagem, o material não registrava 11 mensagens que haviam sido encaminhadas diretamente a Gonçalves Dias pelo aplicativo WhatsApp.

Os alertas tratavam dos riscos de invasão e de manifestações violentas nas imediações dos prédios públicos durante o período que antecedeu os atos de 8 de janeiro.

Alertas ficaram fora da primeira versão

De acordo com a apuração da Folha, a retirada das mensagens teria ocorrido sob orientação de Gonçalves Dias, sob o argumento de que os avisos encaminhados diretamente pelo aplicativo não teriam seguido os canais oficiais de comunicação.

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A versão original do relatório, entretanto, teria permanecido arquivada nos registros da Abin. Posteriormente, uma nova versão do documento passou a incluir os 11 alertas enviados ao então chefe do GSI.

A existência de duas versões do relatório coloca sob questionamento a forma como as informações de inteligência foram selecionadas antes de serem encaminhadas ao Congresso.

A segunda versão foi entregue posteriormente, após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Nela, os alertas que não apareciam no primeiro documento passaram a constar do material oficial.

Responsabilidade dentro do sistema de inteligência

A discussão também envolve as regras de funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin).

Segundo a legislação que disciplina o sistema, o GSI possui atribuições relacionadas à coordenação das atividades de inteligência e ao encaminhamento de documentos produzidos pela Abin às autoridades competentes.

Na época em que o primeiro relatório foi elaborado, a Abin era comandada por Saulo Moura da Cunha, oficial de inteligência. Ele posteriormente deixou o comando da agência e passou a ocupar uma função no próprio GSI sob a gestão de Gonçalves Dias.

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Cunha deixou o cargo em março de 2023 e, posteriormente, também deixou a função que ocupava no GSI.

Gonçalves Dias deixou o GSI após 8 de Janeiro

Gonçalves Dias pediu exoneração do comando do GSI em abril de 2023, depois da divulgação de imagens das câmeras de segurança do Palácio do Planalto que mostraram sua presença no interior do prédio durante a invasão ocorrida em 8 de janeiro.

Na época, o general afirmou que estava no local para atuar diante da invasão e negou ter recebido previamente informações que apontassem para a dimensão dos ataques.

A revelação sobre as diferentes versões do relatório acrescenta um novo elemento às investigações sobre os alertas de inteligência que antecederam os atos.

Defesa

Procurado sobre o caso, o advogado de Gonçalves Dias, André Callegari, afirmou que não concederia entrevistas sobre o assunto.

Segundo a defesa, o ex-ministro tem respondido às investigações oficiais relacionadas ao episódio.

Até o momento, a acusação de que Gonçalves Dias teria ordenado a retirada dos alertas deve ser tratada como informação atribuída à apuração jornalística e ainda sujeita à confirmação pelas investigações e pelos documentos oficiais.

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