POLÍTICA NACIONAL

Ministra defende solução negociada para terra indígena em Rondônia

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A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, declarou que as recentes ações que retiraram ocupantes da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, enfrentaram uma série de atividades ilegais. Ela também afirmou que essa área estava sujeita à ocupação de grandes produtores rurais. Por outro lado, Guajajara ressaltou a disposição do ministério para debater a regularidade dos assentamentos anteriores à demarcação dessa terra indígena. A ministra fez essas declarações durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH) nesta quarta-feira (10).

Por outro lado, o senador Marcos Rogério (PL-RO), que presidiu parte da audiência, afirmou que a demarcação da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau foi um “erro grosseiro do governo federal que não respeitou os projetos de assentamento vigentes. Ele resssaltou que há a disposição para buscar um entendimento técnico sobre a questão com os órgãos envolvidos na controvérsia.

A operação de desintrusão dessa terra indígena, que reuniu diversos órgãos federais, foi iniciada em setembro, em cumprimento à determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que obrigou o Estado a assegurar a integridade dos povos originários.

Em novembro, as notícias de supostas ilegalidades na operação levaram uma comitiva de senadores a discutir o problema em outra audiência pública, promovida no município de Alvorada d’Oeste, em Rondônia. Foi nessa ocasião que Marcos Rogério sugeriu que a ministra fosse convidada a debater a questão — o que aconteceu nesta quarta-feira. Durante aquela visita, ele argumentou que a operação provocou “impactos sociais severos” e afetou pequenos produtores rurais que vivem há décadas no local.

Sobrevivência

Sonia Guajajara apoiou a decisão do STF e ressaltou que as práticas de grilagem, desmatamento e garimpo ocorrem “corriqueiramente” em reservas. Ela disse que, no caso da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, há povos de recente contato e de isolamento voluntário, que são mais vulneráveis aos efeitos de invasões de não-indígenas.

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— Estamos tratando da sobrevivência de um povo que quase foi exterminado. (…) Não se trata apenas de propriedade de terra; é a garantia de que o Estado impeça, no presente, que se repita um genocídio.

Citando uma série de dados, a ministra negou que a operação de desintrusão tenha afetado somente a subsistência de “famílias pobres, sem alternativa”. Ela afirmou que 74% da área das ocupações irregulares foi destinada à pecuária e, em muitos casos, ocupou grandes extensões ou tem vínculos com grandes proprietários de terras. Mas, segundo Guajajara, os assentados que praticam agricultura familiar e ocupam terras de boa-fé têm recebido “tratamento digno” do governo.

— Muitos migrantes pobres foram, sim, induzidos a ir a Rondônia com a promessa de terra e prosperidade. Eles também foram vítimas de uma política de colonização mal planejada. (…) Não somos inimigos do pequeno agricultor. Somos aliados na luta contra a grilagem, contra a violência e contra o uso da terra para especulação e para crime ambiental.

Erro do Estado

Para Marcos Rogério, a demarcação dessa área foi um “erro grosseiro” do governo federal que não respeitou os projetos de assentamento vigentes.

— Não se trata de área de grilagem, mas sim de área de projeto de assentamento — argumentou ele, ressaltando que vários senadores estão dispostos a buscar um entendimento técnico junto aos órgãos envolvidos.

A presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que também participou da comitiva que foi a Alvorada d’Oeste, declarou que os posseiros que estavam na terra indígena eram reconhecidos pelo Estado como legítimos, recebiam assistência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO) há mais de trinta anos e tinham acesso a crédito de bancos oficiais.

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— Esse Estado que errou no passado vai ter de consertar o erro agora. E os agricultores estão entendendo: (…) “os indígenas estão sendo vítimas, assim como nós também”

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) pediu diálogo e responsabilidade com os indígenas e os pequenos produtores rurais. Ele declarou que nunca imaginou que veria famílias sendo expulsas e casas sendo queimadas.

— Queremos ter a paz entre os não-indígenas e nossos irmãos indígenas.

Visões divergentes

Manoel Prado, diretor de demarcação de terras indígenas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), afirmou durante a audiência que essa autarquia busca “solução e equalização de direitos”.

Já Elias Soares, representante dos produtores rurais da região, disse que a convivência dos assentados com os indígenas tem sido pacífica — ele pediu “carinho” e “misericórdia” das autoridades.

Fernando Antônio Prazeres, desembargador do Paraná, destacou a atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na busca de um consenso sobre a desocupação.

Ramon Coutinho, advogado dos produtores rurais de Alvorada d’Oeste, declarou que houve irregularidades no processo de desintrusão e também apoiou uma reunião técnica para solução do problema.

Por sua vez, o prefeito de Jaru (RO), Jeverson Lima, disse que a desintrusão foi um “ato de covardia” contra pequenos produtores.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Projeto proíbe abate de jumentos devido ao risco de extinção

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O projeto de lei que proíbe o abate de jumentos em todo o território nacional pode receber emendas de senadoras e senadores até terça-feira (2). O PL 2.613/2026 impede o abate do jumento (Equus asinus), exceto em casos de abate sanitário motivado por doenças infectocontagiosas. Após acabar o prazo de emendas, a Mesa do Senado despachará o projeto para as comissões pertinentes à matéria.

A proposta teve origem em uma sugestão legislativa, a SUG 9/2025, que foi apresentada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal por meio do Portal e-Cidadania

Ao ser analisada na Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH), a sugestão recebeu parecer favorável do senador Fabiano Contarato (PT-ES), sendo então transformada em projeto de lei.

Para Contarato, a proposta atende à necessidade de se proteger um animal historicamente ligado ao desenvolvimento do país e reconhecido como patrimônio cultural.

“Além de preservar a espécie frente ao risco iminente de extinção, a medida promove o bem-estar animal e mitiga sérios riscos sanitários causados pelas condições precárias de transporte e abate. Trata-se de uma iniciativa que reflete o compromisso com valores éticos, a saúde pública e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, sem acarretar prejuízos significativos à economia nacional”, afirma Contarato em seu parecer.

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Patrimônio brasileiro

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal argumenta que a forma como o jumento abatido é transportado e comercializado coloca em risco a biossegurança e, consequentemente, a própria imagem do agronegócio brasileiro — que, ressalta a entidade, é respeitado pelos elevados padrões sanitários e de controle de zoonoses.

A entidade lembra que os jumentos — também conhecidos como asnos, jegues ou jericos — foram trazidos da África para o Brasil há centenas de anos e, por serem dóceis e resistentes, ajudaram no desenvolvimento brasileiro carregando água, alimentos, materiais de construção e pessoas.

Com o passar do tempo, destaca o fórum, o jumento virou símbolo da “luta, da força e da resistência do sertanejo”, recebendo homenagens de artistas como Luiz Gonzaga e Chico Buarque e se tornando “verdadeiro patrimônio histórico e cultural”.

Ainda de acordo com o fórum, há anos os jumentos são capturados ou comprados, transportados por longos trajetos, confinados em fazendas sem biossegurança e com rastreabilidade quase inexistente. Depois, são abatidos para exportação de sua pele para a China, onde ela é usada para produzir o ejiao — que teria “propriedades medicinais não comprovadas cientificamente”. A entidade também informa que a carne do jumento é exportada para o Vietnã ou eventualmente consumida no Brasil (como charque ou jabá).

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Se o abate continuar, argumenta o fórum, os jumentos podem se extinguir em poucos anos. 

Biossegurança

Os autores da sugestão também afirmam que “a rastreabilidade precária e frequentemente inexistente dentro do comércio de pele de jumento” deixa o Brasil vulnerável aos riscos de biossegurança, que podem afetar as pessoas e outros equídeos (como os cavalos), facilitando a propagação de doenças como o mormo (zoonose com 95% de letalidade em humanos).

Por essas razões, o fórum defende a proibição imediata do abate — para proteger o valor histórico-cultural da espécie, evitar sua extinção, preservar a saúde pública, preservar o agronegócio e evitar “escândalos sanitários”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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