POLÍTICA NACIONAL
Educação e segurança devem caminhar entrelaçadas, dizem debatedores
Publicado em
15 de setembro de 2025por
Da Redação
Dando continuidade à avaliação do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), instituído em 2009, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) discutiu nesta segunda-feira (15) os eixos educação e segurança pública — e suas intersecções. Para os debatedores, a educação e a proteção à vida caminham juntas e são mutuamente indispensáveis.
Presidente da CDH, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) lembrou que, há cerca de uma semana, uma menina de 11 anos morreu após ter sido espancada em um banheiro de escola por não querer namorar um colega. Alícia Valentina Lima dos Santos Silva morava em Belém de São Francisco, no sertão de Pernambuco.
— Então nós vemos que tem tanto para fazer, tanto para avançar. E nós estamos nos perdendo em tantas brigas bobas, com tanta coisa para a gente fazer nesta nação — afirmou a senadora.
Damares argumentou que o programa, pela sua importância, precisa ser revisto e reavaliado após mais de 15 anos de funcionamento.
— Nesse período o mundo mudou, o Brasil mudou, as relações sociais mudaram. Queremos saber: o PNDH-3 alcançou os objetivos propostos? (…) Está na hora de a gente fazer uma mudança e propor novas metas arrojadas, que provoquem o Executivo, e também o Judiciário e o Legislativo, na execução dessas metas? — questionou a senadora.
Além disso, para Damares, as diretrizes sobre os direitos humanos deveriam estar em lei, não em um decreto. O Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) está previsto no Decreto 7.037, de 21 de dezembro de 2009).
As audiências públicas que a CDH vêm promovendo sobre esse programa acontecem a pedido do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR). Ele solicitou os debates por meio de um requerimento: o REQ 4/2025 – CDH.
Educação e democracia
Representante do Ministério da Educação, Erasto Fortes Mendonça afirmou o PNDH-3 salientou que compreende a ideia de segurança como proteção da vida, da dignidade e cidadania.
Mendonça, que é o coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do MEC, informou que a pasta tem promovido encontros frequentes e oficinas com gestores, que são os pontos focais da temática sobre direitos humanos, além de estabelecer parcerias com instituições federais de ensino para a formação de profissionais de educação.
Ele declarou que a educação em direitos humanos que se desenvolve nas instituições de ensino é — na medida em que promove no ambiente escolar e acadêmico o respeito e a garantia dos direitos humanos — um mecanismo privilegiado de fortalecimento da democracia. Assim, argumentou, “em um mundo em que os homens estão desumanizados, cabe à educação em direitos humanos humanizar a humanidade”.
— A conexão entre direitos humanos e democracia é reconhecida em vários instrumentos de direitos humanos aprovados e ratificados pelo Estado brasileiro. Educar em direitos humanos envolve a pretensão de formação de uma nova mentalidade de convivência humana, mentalidade coletiva do exercício de solidariedade, respeito às diversidades e tolerância. Mecanismo, portanto, de formação de sujeitos de direitos, especialmente no que se refere às populações vulnerabilizadas — enfatizou Mendonça.
Discriminação e justiça social
Representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Élida Lauris explicou que a educação em direitos humanos tem objetivos claros: incluir o tema direitos humanos em currículos, formar professores e agentes públicos, valorizar a diversidade cultural e democratizar a comunicação. Nesse ministério, ela está à frente da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos.
— Ela [a educação em direitos humanos] combate o que a gente entende como discriminações estruturais, como, por exemplo, o capacitismo. Ela enfrenta o discurso de incitação à violência e valoriza informações credíveis e fiáveis para consolidar a melhor formação e a capacitação, tanto do público em geral quanto dos agentes públicos — ressaltou Élida.
Segundo a coordenadora-geral de Relações Estudantis e Serviços Digitais do MEC, Lucia Campos Pellanda, garantir direitos humanos na educação superior significa “enfrentar desigualdades históricas, combater todas as formas de discriminação e assegurar que os estudantes de diferentes origens tenham condições reais de acesso, permanência e sucesso acadêmico”.
— Isso exige políticas públicas robustas, intersetoriais e sustentáveis que reconheçam a educação como instrumento de justiça social — disse ela.
Pellanda citou a assistência estudantil como uma das principais políticas de direitos humanos, por ser um dos instrumentos de garantia da permanência e da inclusão no ensino superior. Ele também enfatizou que diversas universidades federais têm incluído o tema direitos humanos em seus currículos.
Segurança
Quanto à segurança pública, a secretária do MEC Élida Lauris destacou que é necessário dignidade, investimento, integração, equipes multidisciplinares e a criação de procedimentos e protocolos comuns.
— Temos trabalhado no Ministério da Educação para consolidar as políticas de maneira integrada, apostando na maior interação federativa, apostando nos estados, na maior cobertura das políticas de proteção e na criação de procedimentos e protocolos adicionais de atendimento.
Ela alertou sobre o risco de se substituir o PNDH-3 com medidas que enfraqueçam o compromisso de se garantir a inclusão histórica de grupos que sofrem discriminação estrutural.
— Sem proteção não há como aprender. Educação e segurança são duas mãos que se entrelaçam e garantem o presente e o futuro — destacou Élida.
Para Maria Clara D’Avila Almeida, representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o PNDH-3 continua sendo um guia fundamental e um norte estratégico para a construção de “um Brasil mais justo, mais democrático e mais seguro”. Nesse ministério, ela atua como diretora de Promoção de Direitos da Secretaria Nacional de Acesso à Justiça.
— O PNDH-3 ainda é um marco fundamental na concretização dos direitos humanos. Esse programa mostra que os direitos humanos, a segurança pública e o acesso à Justiça são como caminhos complementares. E mostra que a democracia só se fortalece quando a segurança e a justiça são garantidas com o respeito à cidadania e à dignidade de todas as pessoas — expôs Maria Clara.
Revisão e novas tecnologias
Ao tratar da possibilidade de revisão do PNDH-3, Daniele de Sousa Alcântara disse que uma proposta com esse objetivo não deve anular tudo o que já foi feito, mas revisitar alguns programas e ações públicas.
Major da Polícia Militar do Distrito Federal, Daniele é chefe da Assessoria de Segurança Cidadã e assessora especial na Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Ela também possui um doutorado pela Universidade de Brasília, na linha de pesquisa sobre violência, segurança e cidadania.
— Não se pensa hoje em promoção dos direitos humanos no Brasil que não seja por meio de uma atuação para quem está na rua, para quem está na ponta. Daí o papel fundamental do Consesp [Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública]. (…) O fortalecimento dos direitos humanos no âmbito dos profissionais de segurança pública também tem sido pensado considerando as tecnologias, considerando a rotina desses profissionais e a necessidade de o Brasil ter atendimento humanizado, de forma integrada.
Daniele lembrou que os crimes cibernéticos têm crescido em todo o país e representam um desafio e, por isso, defendeu ações específicas nessa área.
Presidente da Associação Brasileira de Criminalística, Marcos Antônio Contel Secco destacou que a perícia é citada 14 vezes no PNDH-3, em quase todos os seus eixos. Ele salientou que é preciso investimento em novas tecnologias, novos métodos para o cumprimento das demandas, que hoje enfrentam ausência de recursos humanos e infraestrutura.
— Na tentativa de dar uma resposta rápida à sociedade, infelizmente a segurança pública tem, intencionalmente ou não, descumprido a legislação, tem tentando dar um by-pass na legislação, colocando o andor na frente de quem puxa. E tem sido derrubada nas cortes superiores, justamente porque não seguiu o rito devido. Quanto dinheiro se jogou fora, dinheiro que poderia ter sido investido? É uma análise que precisamos fazer — afirmou Secco.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Projeto proíbe abate de jumentos devido ao risco de extinção
Published
21 minutos agoon
22 de junho de 2026By
Da Redação
O projeto de lei que proíbe o abate de jumentos em todo o território nacional pode receber emendas de senadoras e senadores até terça-feira (2). O PL 2.613/2026 impede o abate do jumento (Equus asinus), exceto em casos de abate sanitário motivado por doenças infectocontagiosas. Após acabar o prazo de emendas, a Mesa do Senado despachará o projeto para as comissões pertinentes à matéria.
A proposta teve origem em uma sugestão legislativa, a SUG 9/2025, que foi apresentada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal por meio do Portal e-Cidadania.
Ao ser analisada na Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH), a sugestão recebeu parecer favorável do senador Fabiano Contarato (PT-ES), sendo então transformada em projeto de lei.
Para Contarato, a proposta atende à necessidade de se proteger um animal historicamente ligado ao desenvolvimento do país e reconhecido como patrimônio cultural.
“Além de preservar a espécie frente ao risco iminente de extinção, a medida promove o bem-estar animal e mitiga sérios riscos sanitários causados pelas condições precárias de transporte e abate. Trata-se de uma iniciativa que reflete o compromisso com valores éticos, a saúde pública e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, sem acarretar prejuízos significativos à economia nacional”, afirma Contarato em seu parecer.
Patrimônio brasileiro
O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal argumenta que a forma como o jumento abatido é transportado e comercializado coloca em risco a biossegurança e, consequentemente, a própria imagem do agronegócio brasileiro — que, ressalta a entidade, é respeitado pelos elevados padrões sanitários e de controle de zoonoses.
A entidade lembra que os jumentos — também conhecidos como asnos, jegues ou jericos — foram trazidos da África para o Brasil há centenas de anos e, por serem dóceis e resistentes, ajudaram no desenvolvimento brasileiro carregando água, alimentos, materiais de construção e pessoas.
Com o passar do tempo, destaca o fórum, o jumento virou símbolo da “luta, da força e da resistência do sertanejo”, recebendo homenagens de artistas como Luiz Gonzaga e Chico Buarque e se tornando “verdadeiro patrimônio histórico e cultural”.
Ainda de acordo com o fórum, há anos os jumentos são capturados ou comprados, transportados por longos trajetos, confinados em fazendas sem biossegurança e com rastreabilidade quase inexistente. Depois, são abatidos para exportação de sua pele para a China, onde ela é usada para produzir o ejiao — que teria “propriedades medicinais não comprovadas cientificamente”. A entidade também informa que a carne do jumento é exportada para o Vietnã ou eventualmente consumida no Brasil (como charque ou jabá).
Se o abate continuar, argumenta o fórum, os jumentos podem se extinguir em poucos anos.
Biossegurança
Os autores da sugestão também afirmam que “a rastreabilidade precária e frequentemente inexistente dentro do comércio de pele de jumento” deixa o Brasil vulnerável aos riscos de biossegurança, que podem afetar as pessoas e outros equídeos (como os cavalos), facilitando a propagação de doenças como o mormo (zoonose com 95% de letalidade em humanos).
Por essas razões, o fórum defende a proibição imediata do abate — para proteger o valor histórico-cultural da espécie, evitar sua extinção, preservar a saúde pública, preservar o agronegócio e evitar “escândalos sanitários”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Confira a agenda de atendimentos da Van Rosa nesta semana
Projeto proíbe abate de jumentos devido ao risco de extinção
Pré-candidata entra na brincadeira e leva a melhor em desafio com apoiadores jovens
Atletas revelados pelo VG Mais Esporte conquistam período de avaliação nas categorias de base do Cruzeiro
Corpo de Bombeiros apresenta proposta de programa para ampliar regularização de empresas em Mato Grosso
GRANDE CUIABÁ
O poder do Visual Merchandising: Paulo Selani traz palestra inédita a Cuiabá
Cuiabá será palco, no dia 9 de outubro, de uma experiência única para quem atua no varejo, na moda...
Sexta tem noite nordestina em Cuiabá; entenda
Na próxima sexta-feira (7), Cuiabá será palco de uma verdadeira celebração da cultura nordestina. O Restaurante do Tião, conhecido por...
Parceria entre Abílio e Mauro Mendes agrada população, diz levantamento
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), começa sua gestão com grande aprovação popular. De acordo com pesquisa da Percent,...
MATO GROSSO
Confira a agenda de atendimentos da Van Rosa nesta semana
O Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT), dá continuidade nesta...
Corpo de Bombeiros apresenta proposta de programa para ampliar regularização de empresas em Mato Grosso
Com foco na desburocratização e no fortalecimento do ambiente de negócios em Mato Grosso, o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMT)...
Polícia Militar prende homem com 14 caixas de produtos contrabandeados em Alto Araguaia
Policiais militares do 15º Batalhão prenderam um homem pelo crime de contrabando, durante fiscalização na BR-364, na madrugada deste domingo...
POLÍCIA
PF prende homem com 40 caixas de anabolizantes em operação em Cáceres
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (11) a operação A.D.E. em Cáceres, com o objetivo de combater a distribuição...
Indígena se entrega após matar irmão e ferir outros dois familiares em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, nesta segunda-feira (10), a prisão temporária de um indígena investigado pelo homicídio do...
Ataque fatal: Tiros matam dois e ferem jovem em frente a campo de futebol
Um jovem de 22 anos, identificado como Silas Armando Cruz de Freitas, e um adolescente de 13 foram executados a...
ENTRETENIMENTO
Lore Improta exibe ensaio de Levi em clima de Copa do Mundo: ‘Mini craque chegou’
Lore Improta compartilhou com os seguidores, na noite desta sexta-feira (19), um ensaio fotográfico especial do filho caçula, Levi, fruto...
Clássico do cinema brasileiro, Xica da Silva será relançado em versão restaurada
Um dos maiores clássicos do cinema nacional, Xica da Silva voltará às telonas em versão restaurada. O longa dirigido por...
Suzanna Freitas celebra primeiro imóvel presenteado pelos pais: ‘Nem acredito’
A influenciadora Suzanna Freitas, de 25 anos, está vivendo uma nova fase em sua vida. A criadora de conteúdo ganhou...
ESPORTES
Colômbia vence Uzbequistão e assume a ponta do Grupo K na Copa do Mundo
A seleção da Colômbia iniciou sua caminhada no Mundial com uma vitória segura. Em partida realizada nesta quarta-feira, no Estádio...
Gana vence Panamá na estreia e assume vice-liderança do Grupo L
Gana começou bem sua campanha na Copa do Mundo de 2026 ao superar o Panamá por 1 a 0 nesta...
Inglaterra vence Croácia em estreia movimentada na Copa do Mundo
A seleção da Inglaterra começou sua trajetória no Mundial de 2026 com o pé direito. Em um confronto repleto de...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
Esportes6 dias agoNeymar volta ao gramado e alimenta esperança para sequência do Brasil na Copa
-
Esportes6 dias agoHaaland brilha em estreia e Noruega goleia Iraque na Copa do Mundo
-
ENTRETENIMENTO6 dias agoRenata Silveira realiza sonho histórico ao narrar Copa do Mundo direto do estádio
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias agoPaim cobra avanço de PEC que acaba com a escala 6×1

