POLÍTICA NACIONAL

CRE estende prazo para pedido de regularização de terras na fronteira

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A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou nesta terça-feira (8) projeto de lei que prorroga por mais cinco anos o prazo para a ratificação de registros imobiliários de imóveis rurais em faixa de fronteira. De autoria do presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o PL 1.532/2025 foi aprovado com parecer da senadora Tereza Cristina (PP-MS), com alterações. Agora o texto segue para votação em Plenário, com requerimento para análise em regime de urgência.

O texto alternativo da relatora muda a Lei 13.178 para estender o período em que os interessados podem pedir a certificação de georreferenciamento pelo Incra e a atualização da inscrição do imóvel no Sistema Nacional de Cadastro Rural, para obterem a ratificação dos imóveis com área superior a 15 módulos rurais. O prazo atual (de 10 anos, contados a partir de 2015) se encerraria neste ano. Pelo projeto, o novo prazo passa a ser de 15 anos, contados a partir da publicação da lei gerada pela proposta. Como a lei é de 2015, na prática o projeto prorroga o período até 2030.  

Segundo Tereza Cristina, ao fim desse prazo, caso o proprietário não tenha se manifestado ou se a ratificação for considerada materialmente impossível, o órgão competente poderá requerer o registro do imóvel em nome da União, ou seja, o dono perde as terras.

Durante a discussão, Tereza Cristina explicou que nos últimos 10 anos o processo de regularização de imóveis em faixa de fronteira enfrentou muitas dificuldades, por falta de regras claras e definitivas. Durante esse período, de acordo com ela, havia dúvidas sobre como aplicar a lei, especialmente por causa de uma ação que questionava trechos importantes da legislação e que só foi decidida em 2023.

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Além disso, embora mudanças recentes na legislação tenham estabelecido novos critérios para esse processo, essas normas ainda não foram uniformizadas em todo o país, disse a relatora. Por isso, o projeto original e a primeira versão do relatório traziam também a regulamentação do encaminhamento, ao Congresso Nacional, dos pedidos de autorização para ratificação de imóveis com área superior a 2,5 mil hectares situados em faixa de fronteira, trecho que foi retirado do substitutivo.

Acordo

Tanto a senadora como o líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), anunciaram a construção de um acordo com o governo para que a Presidência da República não vete a prorrogação do prazo para a ratificação de registros imobiliários de imóveis rurais em faixa de fronteira, que é uma situação mais urgente. E, em contrapartida, a regulamentação para ratificação desses imóveis com área superior a 2,5 mil hectares viria por meio de um outro projeto (PL 4.497/2024), apresentado pela Câmara  e em tramitação no Senado.

Esse segundo projeto tem como objetivo resolver as demais pendências, garantindo que todos os estados tenham as mesmas diretrizes para regularizar os imóveis.

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— Falando aqui com o líder do governo, o senador Jaques Wagner, fizemos um acordo, dada a urgência de se prorrogar esse prazo, para que a gente faça realmente aquilo que é necessário, que são todos esses projetos de lei que são importantes para a gente ter o rito, porque cada estado tem um rito, cada um pede uma coisa. Eu tive a oportunidade de ver um levantamento feito pela CNA [Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil] em que cada estado pede algum documento, e aí é um embaralhado e as pessoas ficam meio sem saber como fazer, como chegar a essa retificação desses títulos de fronteira.

De acordo com o presidente da CRE, há um compromisso para que a matéria seja analisada ainda nesta terça pelo Plenário do Senado e assim ser encaminhada para análise da Câmara dos Deputados o mais rapidamente possível.

— Tem esse compromisso do senador Jaques Wagner colocado nesta comissão, e o compromisso também do senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, de pautar essa matéria extrapauta já na sessão de hoje [do Plenário], para que ela possa ser votada hoje, aprovando o seu rito de urgência. Com isso, a intenção nossa foi dar uma segurança e uma tranquilidade jurídica aos proprietários que estão na linha de fronteira.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Nunes Marques restabelece filiação de Flávio Bolsonaro ao PL

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Às vésperas do prazo final para o registro de candidaturas, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL). A decisão ocorre após o nome do parlamentar aparecer como filiado ao Partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral, justamente no período em que ele busca registrar sua candidatura à Presidência da República.

A medida foi tomada a pedido do próprio PL. Na decisão, Nunes Marques considerou que a filiação partidária é uma condição necessária para que o cidadão possa disputar uma eleição e destacou que o vínculo não poderia ser alterado sem a manifestação de vontade do filiado.

Segundo o ministro, documentos apresentados no processo comprovam que Flávio Bolsonaro mantém vínculo com o PL desde 30 de novembro de 2021. Uma certidão da Justiça Eleitoral, citada na decisão, apontaria a regularidade e a exclusividade da filiação do senador à legenda.

Nunes Marques também considerou incompatível com as circunstâncias do caso a hipótese de uma mudança voluntária de partido. Flávio é apresentado publicamente como pré-candidato do PL à Presidência, enquanto o Missão já possui Renan Santos como nome lançado para a disputa ao Palácio do Planalto.

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A decisão ocorreu no mesmo dia em que o presidente do TSE determinou a abertura de investigação para apurar como a filiação ao Missão foi registrada. De acordo com o tribunal, não houve invasão ou ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. A suspeita é de uso indevido das credenciais de acesso de alguém autorizado a realizar filiações em nome do partido.

O caso também deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral para as providências cabíveis, enquanto a Polícia Federal investigará as circunstâncias do registro.

Em nota, o Missão afirmou ter sido alvo de uma tentativa de filiação fraudulenta e informou que já havia comunicado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre as tentativas de inclusão do senador no quadro partidário desde o dia 2 de agosto.

O partido também declarou que pretende colaborar com as investigações e disponibilizar informações técnicas, como registros de acesso, e-mails e endereços de IP, para ajudar na identificação dos responsáveis.

Com a decisão do TSE, Flávio Bolsonaro volta a ter oficialmente o PL como partido de filiação, afastando, neste momento, um dos obstáculos para o registro de sua candidatura à Presidência da República.

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