POLÍTICA NACIONAL

Comissão de Esporte foca no incentivo, valorização dos atletas e limite a bets

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Incentivo ao esporte, limites à propaganda de bets e campanhas de proteção à mulher em estádios. Esses foram alguns dos avanços debatidos e aprovados na Comissão de Esporte (CEsp), no primeiro semestre de 2025. Alguns deles, inclusive, prestes a serem sancionados pela Presidência da República. É o caso do projeto que fortalece a Lei de Incentivo ao Esporte, que aumenta  limite de dedução no Imposto de Renda para o incentivo a esse setor e torna essa política pública permanente. 

O texto (PLP 234/2024) foi apresentado pelo deputado Felipe Carreras (PSB-PE) e, no Senado, foi relatado pela senadora Leila Barros (PDT-DF), presidente da CEsp. 

Pela proposta, a partir de 2028, pessoas físicas que contribuírem financeiramente com iniciativas desportivas poderão abater até 7% do IR. Para empresas, a dedução será ampliada de 2% para 3%. Além disso, o limite para a pessoa jurídica sobe para 4% se o projeto for de inclusão social.

As regras para deduções fiscais também deverão ficar mais claras e transparentes, com a fixação de parâmetros para que estados e municípios criem leis semelhantes antes da adoção, em 2033, do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O objetivo é aumentar a captação de recursos para projetos esportivos, com estímulo especial ao desenvolvimento de base.

Segundo o Ministério do Esporte, desde 2007, a Lei de Incentivo ao Esporte já ajudou a captar cerca de R$ 6 bilhões. Somente em 2024 foi captado R$ 1 bilhão.

A lei atual de incentivo ao esporte foi sancionada no fim de 2006 e regulamentada por decreto em 2007. Em 2022, os incentivos fiscais previstos na lei foram prorrogados até 31 de dezembro de 2027.

Esse também foi um dos temas abordados em audiência pública da comissão. Durante o debate, a presidente da CEsp, senadora Leila Barros, chegou a destacar a importância estratégica dessa política pública para o presente e para o futuro do esporte nacional. 

— Nosso desafio é tornar essa política mais eficaz, mais transparente e mais acessível. Queremos garantir que os recursos da lei cheguem a quem mais precisa deles, desde pequenos projetos comunitários até centros de excelência do esporte nacional — afirmou a senadora, que conduziu a sessão. 

A audiência pública contou com a participação de lideranças e representantes do setor esportivo como a ex-ministra do Esporte e presidente-executiva da organização sem fins lucrativos Atletas pelo Brasil, Ana Moser, e a diretora de Programas e Políticas de Incentivo ao Esporte do Ministério do Esporte, Caroline Gomes Neves Carvalho. 

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Propagandas de bets

Um dos assuntos mais debatidos pelo Senado no primeiro semestre de 2025 foi o reflexo da liberação e da regulamentação do mercado de apostas on-line na vida dos brasileiros. Apesar de o assunto ter sido aprofundado pelas investigações e pelos depoimentos concedidos na CPI das Bets, a Comissão de Esporte também apresentou iniciativas para tentar proteger a sociedade e limitar a publicidade desenfreada desse mercado. 

Uma pesquisa do Banco Central indicou que, de janeiro a março deste ano, os apostadores destinaram até R$ 30 bilhões por mês às bets. Ainda conforme a instituição, os beneficiários do programa Bolsa Família chegaram a transferir R$ 3 bilhões às empresas de apostas, por meio de pix, em agosto de 2024. De acordo com o documento, a média gasta pelos beneficiários do programa social com as apostas no período foi de R$ 100. 

Nesse sentido, a CEsp aprovou e o Plenário do Senado referendou o projeto que restringe a propaganda de apostas eletrônicas. O texto, que aguarda votação na Câmara dos Deputados, cria regras para publicidade relacionadas às apostas de quotas fixas. Entre elas, está a proibição de utilizar imagem ou contar com a participação de atletas, artistas, comunicadores, influenciadores ou autoridades em ações de comunicação, publicidade e marketing veiculadas em rádio, televisão, redes sociais ou internet. Os horários de veiculação das peças publicitárias também passam a ser restritos. 

O PL 2.985/2023, do senador Styvenson Valentim (PSDB-RN), foi aprovado com parecer favorável do senador Carlos Portinho (PL-RJ). 

Combate à violência

A comissão aprovou ainda proposta que obriga clubes de futebol a exibirem campanhas de conscientização sobre a violência contra a mulher em eventos com mais de 10 mil espectadores (PL 4.842/2023). A obrigação vale para clubes que recebem verbas públicas de loterias e inclui a veiculação das campanhas nos telões, sistemas de som e contratos de transmissão dos jogos. As peças, conforme o projeto da senadora Augusta Brito (PT-CE), serão elaboradas por órgãos públicos e protagonizadas, sempre que possível, por figuras do esporte, cultura e artes.

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O texto aprovado foi relatado pela senadora Leila Barros e seguiu para a Câmara dos Deputados.

Valorização da carreira esportiva

Outras medidas importantes buscaram dar mais dignidade e segurança à trajetória dos atletas. Um projeto obriga organizações esportivas formadoras, como categorias de base de clubes, a promoverem a conscientização dos jovens sobre a limitação temporal da carreira esportiva e a necessidade de planejamento para o futuro. A proposta, que aguarda análise da Câmara dos Deputados, inclui cursos sobre formação educacional, planejamento financeiro e apoio psicológico para atletas a partir dos 16 anos.  O texto é da senadora Leila e foi aprovado pela comissão (PL 4.439/2024) com relatório do senador Jorge Kajuru (PSB-GO). 

Também foi aprovado o PL 3.047/2024, que isenta do Imposto de Renda os valores recebidos por atletas medalhistas olímpicos a título de premiação. A proposta, apresentada por Nelsinho Trad (PSD-MS) e relatada por Leila, surgiu após o fim da vigência da MP 1.251/2024, editada durante os Jogos de Paris. Leila defendeu a proposta como forma de estímulo direto à alta performance esportiva e valorização da carreira curta dos atletas. A matéria tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). 

Proteção de identidade e imagem

Outra medida aprovada pela CEsp (PL 3.074/2024) garante a clubes e atletas o uso exclusivo de seus nomes, símbolos e apelidos — mesmo sem registro no INPI. A proposta, do senador Carlos Portinho, busca proteger a identidade institucional e individual no contexto comercial e desportivo e agora aguarda votação na Câmara dos Deputados. 

Debates

A Comissão de Esporte também discutiu, ao longo do semestre, temas que mobilizaram o setor, como o fortalecimento das modalidades olímpicas e paralímpicas. Na audiência, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) pediu mais recursos públicos, especialmente com a regulamentação da receita proveniente das apostas esportivas. 

Os senadores discutiram ainda a desigualdade de gênero no esporte, reunindo atletas e ex-atletas para cobrar mais investimento, visibilidade e políticas inclusivas para mulheres dentro e fora das arenas esportivas.

A CEsp também promoveu audiência sobre os vetos à Lei Geral do Esporte, que foram amplamente criticados por representantes do setor por comprometerem avanços como a justiça desportiva e benefícios fiscais. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Cleitinho pede para sair, muda de ideia e Republicanos confirma candidatura ao Governo de Minas

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A novela envolvendo Cleitinho Azevedo e a disputa pelo Governo de Minas Gerais ganhou, ao menos por enquanto, um novo capítulo. Depois de pedir para deixar a corrida eleitoral e, posteriormente, manifestar o desejo de voltar à disputa, o senador foi novamente escolhido pelo Republicanos como candidato ao Palácio Tiradentes.

A decisão foi definida nesta sexta-feira (7), após uma reunião entre Cleitinho e o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), em São Paulo. A chapa deve ser oficializada nos próximos dias.

A confirmação encerra uma sequência de idas e vindas que transformou a candidatura de Cleitinho em um dos principais assuntos da articulação eleitoral em Minas. O senador chegou a pedir para sair da disputa, mas posteriormente mudou de posição e passou a defender novamente seu nome como candidato ao governo.

A confusão obrigou o Republicanos a reorganizar seus planos. O partido havia colocado o ex-prefeito de Patos de Minas, Luis Eduardo Falcão, como opção para a disputa. Falcão, porém, é aliado de Cleitinho e passou a atuar pela retomada da candidatura do senador.

A movimentação também ganhou força dentro do próprio partido. Candidatos a deputado estadual e federal pressionaram pela permanência de Cleitinho na chapa, avaliando que sua presença poderia fortalecer as candidaturas proporcionais. O senador é considerado um dos principais nomes eleitorais da legenda em Minas.

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Pedido de desculpas e novo compromisso

Na tentativa de colocar um ponto final na crise, o Republicanos informou que Cleitinho pediu desculpas à população mineira e às forças políticas envolvidas nas negociações para a formação da chapa.

O senador também assumiu o compromisso de levar a candidatura até o fim, numa tentativa de encerrar as dúvidas provocadas pelas mudanças anteriores de posição.

Além da confirmação da candidatura, outro acordo foi estabelecido: Cleitinho não utilizará recursos do fundo eleitoral do Republicanos para financiar sua campanha.

Liderança nas pesquisas pesou na decisão

A força eleitoral do senador foi um dos principais fatores considerados pela direção nacional do partido. Pesquisa Quaest divulgada em 28 de julho apontou Cleitinho com 35% das intenções de voto para o Governo de Minas, 23 pontos à frente do segundo colocado, Alexandre Kalil (PDT), que apareceu com 12%.

O desempenho nas pesquisas ajudou a mudar o cálculo político do Republicanos. Mesmo depois das sucessivas mudanças de posição do senador, a possibilidade de abrir mão de um candidato que aparece na liderança tornou-se mais difícil para a legenda.

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A decisão também atende a uma pressão que vinha dos próprios candidatos do partido, interessados em contar com Cleitinho como principal puxador de votos na disputa proporcional.

Reviravolta mexe com o PL

A volta de Cleitinho à corrida pelo governo também provoca impacto direto na estratégia do PL em Minas Gerais.

O partido vinha trabalhando com a possibilidade de contar com o senador como um nome importante para fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República no estado. Diante da possibilidade de Cleitinho deixar a disputa, o PL havia lançado o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), para o governo.

Agora, com o retorno de Cleitinho ao páreo, o cenário volta a mudar e obriga as forças políticas de direita a recalcularem suas estratégias para a eleição estadual.

O deputado federal Domingos Sávio também está no tabuleiro do PL para a disputa ao Senado.

Por enquanto, a principal novidade é que Cleitinho voltou ao jogo. Depois de pedir para sair, reconsiderar a decisão e enfrentar uma verdadeira queda de braço dentro do próprio campo político, o senador agora promete transformar a candidatura em compromisso definitivo.

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