A escolha de Farina para a vice de Wellington Fagundes cria um movimento político que reconecta duas pontas de sua trajetória.
Foi Wellington quem participou de sua entrada no PL em 2003. Agora, mais de duas décadas depois, o senador volta a colocá-lo em uma posição de destaque dentro de uma chapa majoritária, desta vez na disputa pelo Governo de Mato Grosso.
O retorno ocorre em um cenário político completamente diferente daquele de 2004. O PL passou a ser uma das principais forças do campo conservador no país, enquanto a disputa eleitoral em Mato Grosso é marcada pela forte influência do bolsonarismo.
É justamente nesse contexto que o passado partidário de Farina ganha peso.
A presença de um nome que teve passagem pelo PT pode alimentar questionamentos dentro da ala mais identificada com o bolsonarismo no PL de Mato Grosso.
A escolha também acontece depois da retirada de Marcelo Maluf, do Novo, da vaga de vice. Maluf afirmou publicamente que havia aceitado o convite para integrar a chapa e acusou o grupo de Wellington de romper um compromisso político.
Com Farina, Wellington opta por um nome com trajetória política conhecida e uma relação antiga com o próprio senador, mas que também carrega em seu currículo eleitoral passagens pelo campo petista.
A composição coloca em evidência uma característica que acompanha a carreira de Farina desde sua entrada na política: a capacidade de transitar entre diferentes grupos e projetos partidários.
A história política de Alencar Farina começou no PL, passou pelo PT e agora retorna à legenda que marcou sua entrada na vida pública.
Em 2004, esteve em uma chapa formada por PT, PL e PCdoB. Em 2008, disputou uma eleição pelo PT. Em 2012, foi lançado pelo partido como pré-candidato à Prefeitura de Várzea Grande.
Agora, em 2026, volta ao PL pelas mãos de Wellington Fagundes para disputar a vice-governadoria de Mato Grosso.
A escolha transforma o passado político de Farina em um dos elementos que deverão acompanhar a campanha. Mais do que uma mudança partidária, sua trajetória revela como as alianças eleitorais de Mato Grosso foram se reorganizando ao longo de mais de duas décadas, atravessando diferentes partidos e espectros ideológicos.
Inf. GD