POLÍTICA NACIONAL

CDH debaterá educação financeira com foco em empréstimos garantidos pelo FGTS

Publicado em

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) vai debater na quinta-feira (10), a partir das 9h30, os impactos da nova modalidade de empréstimo consignado direcionada aos trabalhadores celetistas do setor privado, que poderão oferecer como garantia aos bancos parcela do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os motoristas de aplicativos também poderão recorrer a esses empréstimos. O pedido da audiência pública foi feito pela presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), por meio do requerimento (REQ 57/2025), aprovado 25 de junho.

No requerimento, a senadora cita que o Crédito do Trabalhador movimentou mais de R$ 14 bilhões, distribuídos em 25 milhões de contratos. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a maior parcela das operações, 62,66% do total, está concentrada em tomadores que recebem até quatro salários mínimos. Além disso, ela acrescenta que “trabalhadores com contratos antigos de empréstimos consignados poderão migrar para o Crédito do Trabalhador. A estimativa é que existam cerca de 3,8 milhões de contratos antigos, totalizando aproximadamente R$ 40 bilhões, e grande parte desse montante deve ser transferida para a nova modalidade”.

Leia Também:  Proibição de aborto a partir da 22ª semana de gestação avança na CDH

Desconhecimento

Com base em recente pesquisa O real impacto do novo modelo de Crédito Consignado na vida dos brasileiros, da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin) em parceria com o Instituto Axxus de Pesquisas [ligado à Universidade Estadual de Campinas – Unicamp], a senadora fundamenta a importância e a urgência do debate. No requerimento, ela diz que a pesquisa mostrou que a maioria dos tomadores busca o crédito para necessidades emergenciais, como pagar outras dívidas e despesas com saúde, sendo que “quase 70% deles contrataram o crédito sem compreender plenamente o impacto das parcelas em seu orçamento. Mais alarmante, 83% dos pesquisados declararam não saber a taxa de juros que estão pagando, e 54% não receberam qualquer tipo de orientação financeira antes da contratação”.

Damares alega estar preocupada com a diferença de quase 4% ao mês em abril deste ano entre a taxa anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)  e a efetivamente praticada. Segundo ela, o percentual é mais que o dobro das taxas cobradas a aposentados e servidores públicos.

Sem educação financeira

“Essa gritante assimetria de informação e a ausência de educação financeira tornam os trabalhadores vulneráveis a práticas abusivas e ao superendividamento, configurando um comprometimento invisível de um patrimônio de proteção futura. O uso do FGTS e da multa rescisória como garantias levanta alertas sobre a segurança financeira do trabalhador e sobre os possíveis impactos estruturais na política habitacional ‘Minha Casa, Minha Vida’”, diz a senadora. 

Leia Também:  Brasil precisa avançar na produção de vacinas, aponta audiência pública

Damares acrescenta que fraudes em outras modalidades de consignado, como no caso do INSS, exigem a revisão da prevenção e combate a golpes contra grupos vulneráveis. Ela defende parcerias com instituições financeiras e a análise da atuação da Dataprev nos sistemas de controle.

Para o debate, estão convidados representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), dos Ministérios do Trabalho e Emprego e das Cidades, do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública da União, do Ministério Público do Trabalho, da Associação Brasileira de Defesa dos Clientes de Operações Financeiras e Bancárias e da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin). Até agora, o único confirmado é o representante da Febraban, Ico Mósca.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Advertisement

POLÍTICA NACIONAL

Nunes Marques restabelece filiação de Flávio Bolsonaro ao PL

Published

on

Às vésperas do prazo final para o registro de candidaturas, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL). A decisão ocorre após o nome do parlamentar aparecer como filiado ao Partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral, justamente no período em que ele busca registrar sua candidatura à Presidência da República.

A medida foi tomada a pedido do próprio PL. Na decisão, Nunes Marques considerou que a filiação partidária é uma condição necessária para que o cidadão possa disputar uma eleição e destacou que o vínculo não poderia ser alterado sem a manifestação de vontade do filiado.

Segundo o ministro, documentos apresentados no processo comprovam que Flávio Bolsonaro mantém vínculo com o PL desde 30 de novembro de 2021. Uma certidão da Justiça Eleitoral, citada na decisão, apontaria a regularidade e a exclusividade da filiação do senador à legenda.

Nunes Marques também considerou incompatível com as circunstâncias do caso a hipótese de uma mudança voluntária de partido. Flávio é apresentado publicamente como pré-candidato do PL à Presidência, enquanto o Missão já possui Renan Santos como nome lançado para a disputa ao Palácio do Planalto.

Leia Também:  Proibição de aborto a partir da 22ª semana de gestação avança na CDH

A decisão ocorreu no mesmo dia em que o presidente do TSE determinou a abertura de investigação para apurar como a filiação ao Missão foi registrada. De acordo com o tribunal, não houve invasão ou ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. A suspeita é de uso indevido das credenciais de acesso de alguém autorizado a realizar filiações em nome do partido.

O caso também deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral para as providências cabíveis, enquanto a Polícia Federal investigará as circunstâncias do registro.

Em nota, o Missão afirmou ter sido alvo de uma tentativa de filiação fraudulenta e informou que já havia comunicado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre as tentativas de inclusão do senador no quadro partidário desde o dia 2 de agosto.

O partido também declarou que pretende colaborar com as investigações e disponibilizar informações técnicas, como registros de acesso, e-mails e endereços de IP, para ajudar na identificação dos responsáveis.

Com a decisão do TSE, Flávio Bolsonaro volta a ter oficialmente o PL como partido de filiação, afastando, neste momento, um dos obstáculos para o registro de sua candidatura à Presidência da República.

Leia Também:  Sancionada Semana Nacional de Retiros Culturais

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA