POLÍTICA NACIONAL

Brasil precisa avançar na produção de vacinas, aponta audiência pública

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A pandemia de Covid-19 evidenciou a necessidade de o Brasil fortalecer a produção nacional de vacinas, com maior incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, avaliaram nesta quarta-feira (26) os especialistas que participaram de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT).

Na audiência, realizada a pedido (REQ 14/2024 – CCT) do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), os participantes debateram o Projeto de Lei 4.467/2021, do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que destina recursos a programas, projetos e pesquisas de imunobiológicos, com vistas à autonomia nacional na produção de vacinas. Assim como os profissionais de saúde, os senadores ressaltaram a importância de investimentos contínuos e estruturados na área. 

Os debatedores afirmaram que a pandemia de Covid-19 evidenciou a vulnerabilidade do Brasil diante da dependência de insumos importados. Instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan tiveram papel fundamental no combate à crise sanitária, mas a necessidade de fortalecer a pesquisa científica nacional ficou ainda mais clara. 

Financiamento

Profissionais da área médica também ressaltaram a importância do financiamento contínuo. Coordenador do Centro Nacional de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ricardo Tostes Gazzinelli salientou que até hoje muitas pesquisas ainda dependem de recursos emergenciais obtidos durante a pandemia. 

— Precisamos de continuidade nos investimentos. A biologia sintética e a inteligência artificial estão revolucionando a área e o Brasil não pode ficar para trás — declarou.  

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O professor titular da Universidade de São Paulo (USP) Jorge Kalil afirmou que cortar recursos significa interromper avanços. 

— Diferente de uma obra de construção, onde se pode retomar de onde parou, na ciência, se você interrompe a pesquisa, muitas vezes tem que recomeçar do zero — ponderou.  

Já a professora da Universidade de Oxford Daniela Ferreira destacou que o Brasil tem vantagens estratégicas para se tornar um polo global de pesquisa. 

— Temos uma população geneticamente diversa, ideal para ensaios clínicos de fase 3, e precisamos fomentar esse potencial com infraestrutura adequada e parcerias — citou.  

Autossuficiência

Autor do projeto de lei, Alessandro Vieira enfatizou a necessidade de garantir a autossuficiência brasileira na produção de vacinas. 

— No auge da pandemia, vimos países produtores priorizar as próprias populações. O Brasil não pode mais correr esse risco — observou. 

Astronauta Marcos Pontes elogiou o projeto por prever recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para o setor. O senador ainda lembrou que o desenvolvimento de vacinas é complexo. 

— Esse não é um processo simples. Começa no laboratório, prossegue para testes clínicos em três fases e passa pelo desenvolvimento em escala nas empresas. Se o Brasil não estiver preparado, os resultados podem ser trágicos em futuras pandemias — disse. 

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Nova pandemia

Diretor de parcerias estratégicas do Instituto Butantan, Tiago Rocca reforçou que uma nova pandemia é apenas questão de tempo. 

— Estamos sob risco iminente de um novo surto de Influenza. O Butantan já iniciou pesquisas para uma nova vacina monovalente, mas a ampliação desse e de outros projetos depende de investimentos consistentes — afirmou.  

Ele também citou a necessidade de regionalização da capacidade produtiva, o que ajudará a reduzir a dependência brasileira de laboratórios estrangeiros. 

O senador Izalci Lucas (PL-DF) criticou a falta de previsão orçamentária para projetos de longo prazo. 

— Pesquisa não se faz com discurso, se faz com recurso. Muitos avanços científicos esbarram na falta de financiamento. O FNDCT ainda é insuficiente frente às demandas da ciência — disse.  

Novas tecnologias

A senadora Dra. Eudócia (PL-AL) destacou o potencial das novas tecnologias, como as vacinas de RNA mensageiro. 

— Essas inovações estão sendo aplicadas para doenças como malária e leishmaniose visceral. Além disso, já temos no Brasil um projeto avançado de vacina para o tratamento do câncer, em desenvolvimento pelo Instituto de Amor de Barretos — declarou. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Flávio diz que queria uma mulher como vice, mas escolheu Gaspar “em cima da hora”

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou que pretendia ter uma mulher como candidata a vice, mas acabou escolhendo o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa. Segundo o senador, a definição ocorreu menos de 24 horas antes do anúncio oficial.

A declaração foi feita durante a live semanal de Flávio, na quinta-feira (6). De acordo com o candidato, a intenção inicial era encontrar uma mulher de outro partido para integrar a chapa, mas as negociações não avançaram depois que outras legendas decidiram manter posição de neutralidade na disputa presidencial.

“Todo mundo sabe da minha tentativa de buscar uma mulher, não apenas por ser mulher, mas uma pessoa qualificada para estar junto com a gente na composição dessa chapa”, afirmou.

Flávio disse ainda que a composição com outros partidos também seria importante para ampliar o tempo de televisão e a quantidade de inserções durante a campanha.

Tereza Cristina e Daniella foram cotadas

Entre os nomes apontados como possíveis candidatas a vice estavam a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a economista Daniella Marques (Republicanos).

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Segundo as informações divulgadas sobre as articulações, as possibilidades foram prejudicadas pela decisão das cúpulas do PP e do Republicanos de não formar coligação com o PL na eleição presidencial.

Flávio afirmou que, apesar da ausência de uma mulher na chapa, lideranças femininas de outros partidos que chegaram a ser consideradas continuam apoiando sua candidatura.

“Todas estão com a gente. Quer dizer, os quadros mais qualificados de todos os partidos estão caminhando conosco”, declarou.

Michelle Bolsonaro (PL-DF) e a deputada federal Priscila Costa (PL-CE) também foram mencionadas nas articulações. Michelle não teria aceitado o convite, enquanto Priscila teria demonstrado disposição para assumir a função.

Flávio contesta versão de Valdemar

Durante a transmissão, Flávio também comentou uma declaração do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sobre a escolha de Alfredo Gaspar.

No anúncio da chapa, realizado na quarta-feira (5), Valdemar afirmou que o nome do deputado vinha sendo guardado havia cerca de seis meses.

Flávio apresentou uma versão diferente. Segundo ele, Gaspar foi escolhido na reta final das negociações.

“Eu não entendi, o Valdemar falou na hora lá ‘estamos aqui há seis meses guardando esse nome’. Pô, presidente, não foi isso”, afirmou.

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Na sequência, disse que a sugestão partiu do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha.

“Realmente foi em cima da hora que o Marinho teve essa ideia. Eu achei a ideia fantástica”, declarou.

Segurança pública será foco da chapa

Flávio justificou a escolha de Alfredo Gaspar destacando sua atuação em temas como segurança pública e combate à corrupção, áreas que o candidato afirmou que pretende priorizar durante a campanha.

“É alguém que tenho certeza de que o PT se tremeu”, disse Flávio.

Durante a live, Rogério Marinho associou a escolha à estratégia de explorar, na campanha, as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fábio Luís é alvo de apurações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência. As investigações, contudo, não equivalem a uma condenação e eventuais responsabilidades dependem da conclusão dos procedimentos e das decisões das autoridades competentes.

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