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Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Justiça

“Vorcaro de Cuiabá”: advogada compara Zampieri a banqueiro antes de julgamento; VEJA VÍDEO

A comparação feita pela advogada, contudo, é uma manifestação da defesa e não representa, por si só, uma conclusão das investigações ou da Justiça sobre eventual relação entre os dois casos.

Redação Assembleia News3 min de leitura
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“Vorcaro de Cuiabá”. Foi dessa forma que a advogada Sarah Quinetti Pironi, integrante da defesa do coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, se referiu ao advogado Roberto Zampieri durante declaração nesta terça-feira (29), antes do início do julgamento dos acusados pela morte do jurista.

“A gente tem falado que é um ‘Vorcaro de Cuiabá’, o doutor Zampieri”, afirmou a defensora, fazendo referência ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo Sarah, a defesa considera que ainda existem conversas relacionadas ao caso que não foram divulgadas publicamente. A advogada também citou o conteúdo extraído do celular de Zampieri durante as investigações sobre sua atuação e as relações mantidas pelo advogado.

As informações obtidas a partir da quebra de sigilo do aparelho passaram a integrar diferentes frentes de investigação. Entre elas está a Operação Sisamnes, conduzida pela Polícia Federal e relacionada a apurações que envolvem suspeitas de negociação de decisões judiciais e a atuação de advogados, empresários, lobistas, assessores e magistrados.

A comparação feita pela advogada, contudo, é uma manifestação da defesa e não representa, por si só, uma conclusão das investigações ou da Justiça sobre eventual relação entre os dois casos.

Julgamento pela morte de Zampieri

A declaração ocorreu no mesmo dia em que começou, em Cuiabá, o julgamento dos acusados pelo assassinato de Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023.

O julgamento é conduzido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, no Tribunal do Júri.

Estão sendo julgados Antônio Gomes da Silva, apontado como executor do crime; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de intermediar a ação e fornecer a arma; e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de financiar e articular a execução.

Todos respondem às acusações no processo, que será analisado pelo Tribunal do Júri.

Celular de Zampieri virou peça central de investigações

Após o assassinato, o celular de Zampieri foi submetido a medidas de investigação e o conteúdo obtido passou a ser analisado pelas autoridades.

As informações extraídas do aparelho deram origem a novas linhas de apuração e foram relacionadas à Operação Sisamnes, que investiga suspeitas envolvendo relações entre integrantes da advocacia, empresários, lobistas e integrantes do Judiciário.

As investigações também alcançaram suspeitas de negociação de decisões judiciais. Eventuais responsabilidades individuais dependem da conclusão das apurações e das decisões judiciais nos respectivos processos.

Disputa por fazenda é apontada como possível motivação

No processo que apura o assassinato, o Ministério Público sustenta que o crime teria relação com uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Ribeirão Cascalheira, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.

O MP aponta Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Manoel de Rondon como supostos mandantes do assassinato.

A acusação sustenta que a disputa pela propriedade teria motivado a execução. As imputações apresentadas pelo Ministério Público ainda são objeto de julgamento.

A expressão usada pela advogada ao comparar Zampieri a Daniel Vorcaro ocorre, portanto, em meio a duas frentes distintas: o julgamento sobre a morte do advogado e as investigações que surgiram a partir da análise de seu celular.

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