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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Justiça

Vendedor é investigado após casal pagar R$ 155 mil por GAC que não foi entregue em MT

O processo é mencionado no depoimento do gerente regional como uma das reclamações anteriores envolvendo o vendedor.

ANA SANTOS6 min de leitura
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Vendedor é investigado após casal pagar R$ 155 mil por GAC que não foi entregue em MT

“O carro chega dia 4”: casal paga R$ 155 mil por GAC, não recebe veículo e acusa vendedor de golpe
Gerente da concessionária relatou à Polícia Civil que já havia conhecimento de reclamações anteriores envolvendo o vendedor; caso é investigado e também tramita na Justiça

Um casal de aposentados de Cuiabá afirma ter pago R$ 154.990 por um SUV GAC GS4 Premium zero quilômetro na concessionária GAC de Várzea Grande, pertencente ao Grupo Canopus, e não ter recebido o veículo nem o dinheiro de volta. A negociação foi conduzida pelo vendedor Douglas Alexandre de Paula Tonholo, que é investigado pela Polícia Civil por suspeita de estelionato.

O caso envolve a Gemini Motors Ltda., responsável pela concessionária, e também está sendo discutido na Justiça. A reportagem teve acesso ao boletim de ocorrência registrado pelo casal, documentos relacionados à negociação e ao processo judicial.

Segundo os documentos apresentados pelos consumidores, a negociação ocorreu dentro da concessionária e o vendedor utilizou canais de comunicação vinculados ao atendimento comercial da empresa. O primeiro pagamento, no valor de R$ 1 mil, foi realizado diretamente para uma conta da Gemini Motors.

Negociação começou dentro da concessionária

R.O., pessoa com deficiência, pretendia adquirir o veículo por meio do programa de venda direta destinado ao público PCD. Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, o casal, que afirma ser cliente do Grupo Canopus desde 2018, procurou a unidade da GAC localizada na Avenida da FEB, em Várzea Grande.

Em 6 de julho, Douglas Tonholo teria iniciado o atendimento. Por meio do WhatsApp utilizado na negociação, recebeu documentos dos compradores e encaminhou um link para pagamento do sinal de R$ 1 mil.

O valor foi pago à Gemini Motors. Conforme consta na documentação do caso, a própria empresa reconheceu o recebimento dessa quantia.

Nas semanas seguintes, o vendedor continuou mantendo contato com os compradores. Em 18 de agosto, informou que o veículo havia sido faturado e que seria necessário quitar o restante da compra.

O casal afirma ter efetuado o pagamento de R$ 153.990, utilizando recursos provenientes da venda do veículo anterior e das economias da família.

Vendedor informou que veículo chegaria em setembro

Após o pagamento integral, segundo as mensagens apresentadas pelos consumidores, Douglas informou que o veículo havia sido embarcado em São Paulo e que chegaria a Várzea Grande entre os dias 3 e 4 de setembro.

Ainda conforme o relato do casal, o vendedor passou a marcar e desmarcar encontros na concessionária e dizia estar realizando “vendas externas”.

No dia 4 de setembro, teria enviado mensagem informando que estava a caminho da loja.

Quando os compradores chegaram à concessionária, porém, descobriram que o vendedor não estava trabalhando no local naquele período.

Segundo os documentos apresentados no caso, Douglas havia entrado em férias anteriormente e não teria retornado ao trabalho. A empresa também teria encaminhado a ele um telegrama relacionado ao vínculo empregatício, sob pena de caracterização de abandono de emprego.

O casal afirma, contudo, que não foi informado pela concessionária sobre a situação funcional do vendedor nem sobre eventual problema relacionado à negociação.

Pedido do veículo não constava no sistema, segundo relato

Na concessionária, os compradores procuraram informações sobre o veículo. Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, o gerente regional informou que não havia pedido do automóvel registrado no sistema.

Diante da situação, o casal tentou entrar em contato com Douglas. O telefone, segundo os consumidores, estava desligado e as mensagens deixaram de ser respondidas.

O veículo, que havia sido apresentado pelo vendedor como já faturado e em transporte para Mato Grosso, não foi entregue.

Gerente relata reclamações anteriores à Polícia Civil

Um dos principais pontos do caso consta do depoimento prestado pelo gerente regional da GAC à Polícia Civil em 14 de setembro e posteriormente juntado ao processo judicial.

Segundo o depoimento, a empresa já havia recebido informações sobre outras reclamações envolvendo Douglas Tonholo antes do episódio relatado pelo casal.

Ainda conforme o depoimento, em situações anteriores teriam ocorrido pagamentos feitos por clientes diretamente ao vendedor. Um desses casos, segundo o representante da empresa, teria sido solucionado internamente com a entrega de um veículo seminovo ao consumidor.

Outro episódio, iniciado em abril deste ano, resultou em uma ação judicial que tramita na 2ª Vara Cível de Várzea Grande, sob o processo nº 1032007-34.2026.8.11.0002, movida contra a Gemini Motors e Douglas Tonholo.

As informações constam do depoimento do gerente e dos documentos judiciais relacionados aos casos.

Consumidores buscaram solução antes da ação judicial

Após constatarem que o veículo não havia sido entregue, os compradores encaminharam notificações extrajudiciais ao gerente regional, solicitando a entrega do automóvel ou a restituição dos valores pagos.

Segundo os consumidores, não houve solução para o caso.

A reclamação também foi levada ao Procon-MT.

No boletim de ocorrência, o casal relata que confiou na negociação porque ela ocorreu dentro da concessionária e porque o vendedor se apresentava como funcionário da empresa.

“Confiamos na marca, no grupo e na loja. Ele estava de uniforme, dentro da concessionária, e o sinal foi pago para a empresa”, relataram os consumidores no registro policial.

Os compradores também afirmam que R.O. passou a necessitar de acompanhamento médico após o episódio.

Caso está na Justiça

Sem acordo, o casal ingressou com ação na 4ª Vara Cível de Cuiabá. No processo, os consumidores pedem a entrega do veículo ou a devolução integral dos R$ 154.990 pagos, além de indenização por danos morais.

A ação ainda aguarda decisão definitiva.

Entre os argumentos apresentados no processo está a responsabilidade da empresa pelos atos praticados por seus prepostos. Os consumidores também invocam o artigo 34 do Código de Defesa do Consumidor, que trata da responsabilidade do fornecedor pelos atos de seus prepostos.

A existência da ação judicial, entretanto, não representa decisão definitiva sobre a responsabilidade da Gemini Motors ou do vendedor.

A investigação policial também não significa, por si só, que tenha sido reconhecida judicialmente a prática de estelionato. As responsabilidades deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.

Outro processo envolve vendedor e concessionária

Além da ação movida pelo casal, existe o processo nº 1032007-34.2026.8.11.0002, em tramitação na 2ª Vara Cível de Várzea Grande, no qual Gemini Motors e Douglas Tonholo também figuram como partes, conforme os documentos relacionados ao caso.

O processo é mencionado no depoimento do gerente regional como uma das reclamações anteriores envolvendo o vendedor.

A reportagem procurou preservar a distinção entre as acusações feitas pelos consumidores, as informações prestadas pelo representante da empresa à Polícia Civil e aquilo que já foi efetivamente decidido pela Justiça.

O espaço permanece aberto para manifestação da Gemini Motors Ltda./Grupo Canopus e da defesa de Douglas Alexandre de Paula Tonholo sobre os fatos relatados.

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