Operação Replay: dez investigados viram réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro em MT
A operação cumpriu dez mandados de prisão preventiva e adotou medidas cautelares contra 14 investigados em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como WT, a esposa dele, Thawany Nunes Silva de Bulhões, e outros oito investigados por suspeita de envolvimento em organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação penal é resultado das investigações da Operação Replay.
A decisão foi publicada nesta segunda-feira (19) e assinada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Ao receber a denúncia, o magistrado entendeu que a acusação atende aos requisitos legais e apresenta elementos que justificam o prosseguimento do processo.
Além do casal, tornaram-se réus a advogada e influenciadora Dayane Karol Moreira da Silva; o ex-assessor parlamentar da Câmara de Cuiabá Brunno Passos da Silva; o jogador de futebol Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como Soldado; Emerson Ferreira Lima, o Gordinho; Katani Adorno Bocardi, esposa de Emerson; Ygor Henrique da Silva Martins; Anderson Alves de Sousa; e Allan Xavier da Silva.
Com o recebimento da denúncia, os dez acusados deverão ser citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias.
Investigação foi arquivada para sete pessoas
Na mesma decisão, o juiz homologou o pedido do Ministério Público para arquivar a investigação em relação a Aldemir de Assis Campos, conhecido como Tucão, Paulo Vinicius Gabriel de Araújo, Wires Alves Guerra, Nagilda Cândida Ferreira Lima, Fernando Wagner Moraes Amorim, Wellen de Amorim Gomes e Giselly Breier Streck.
Como consequência, o magistrado também determinou a revogação da prisão preventiva de Tucão.
Como funcionava o esquema investigado
Deflagrada em 30 de julho de 2026, a Operação Replay apura a suspeita de que WT, apontado pela Polícia Civil como tesoureiro de uma das principais facções criminosas com atuação em Mato Grosso, continuava exercendo funções financeiras e disciplinares na organização mesmo preso em uma ala de segurança máxima do sistema penitenciário estadual.
Segundo as investigações, ele manteria contato com integrantes em liberdade, orientaria ações do grupo e determinaria movimentações de recursos supostamente ilícitos.
A operação cumpriu dez mandados de prisão preventiva e adotou medidas cautelares contra 14 investigados em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Bloqueio milionário de bens
As medidas judiciais também alcançaram o patrimônio dos investigados. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores estimados em mais de R$ 17,2 milhões.
Entre os bens atingidos estão imóveis de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos.
Também foi determinado o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros. Conforme a Polícia Civil, o valor corresponde à movimentação identificada em uma contabilidade apreendida durante as investigações.
O processo seguirá para a apresentação das defesas e as próximas etapas da ação penal. O recebimento da denúncia não representa condenação, e a responsabilidade criminal dos acusados deverá ser estabelecida pela Justiça ao longo do processo.
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