INTIMIDAÇÃO: Médico é acusado de planejar atentado contra promotora em Mato Grosso
Bruno Tomiello é acusado pelo Ministério Público de tentar contratar um ataque contra a promotora que atua no processo pela morte da adolescente Kethlyn Vitória, de 15 anos

A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia contra o médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, acusado de tentar contratar um atentado contra a promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, responsável pela atuação do Ministério Público no processo em que ele responde pela morte da ex-namorada, Kethlyn Vitória da Silva, de 15 anos, em Guarantã do Norte.
A decisão foi publicada na terça-feira (20) pelo juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara da Comarca de Peixoto de Azevedo, após denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE) por suposta coação no curso do processo mediante grave ameaça.
Conforme a acusação, o episódio teria ocorrido em 30 de junho de 2026, no Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo, onde o médico está preso preventivamente. Durante o banho de sol, ele teria perguntado a outro detento se conhecia alguém disposto a atacar a promotora.
Ainda segundo o Ministério Público, Tomiello teria dito que Rebeca prejudicaria sua situação no Tribunal do Júri e que estaria disposto a pagar uma quantia elevada para que o atentado fosse executado. De acordo com a denúncia, ele teria mencionado o uso de recursos de uma futura herança para financiar o plano.
Para o Ministério Público, as declarações teriam o objetivo de intimidar a promotora e dificultar o exercício de suas funções no processo criminal. As alegações constam na denúncia recebida pela Justiça e ainda deverão ser apuradas no curso da ação.
Tomiello foi pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri no processo relacionado à morte da adolescente e permanece preso preventivamente desde 5 de maio de 2025.
Morte da adolescente
Kethlyn Vitória da Silva morreu em maio de 2025 após ser atingida por um disparo na nuca. Tomiello confessou ter efetuado o tiro, mas sustenta que o disparo foi acidental.
Em interrogatório, o médico afirmou que estava em um carro com a adolescente, a caminho de casa, e que ambos haviam consumido bebida alcoólica. Segundo sua versão, Kethlyn pediu para dirigir e sentou-se em seu colo. Ele relatou que pegou uma arma acreditando que estivesse descarregada, momento em que ocorreu o disparo.
Ainda conforme o relato, ele levou a adolescente ao hospital, onde foram realizadas tentativas de reanimação por cerca de 40 minutos, sem sucesso. Em seguida, teria danificado parte da estrutura da unidade de saúde e fugido.
Na investigação sobre a morte, a Polícia Civil o indiciou por feminicídio e outros crimes, incluindo dano ao patrimônio público, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, disparo de arma de fogo e condução de veículo sob influência de álcool.
O recebimento da denúncia por suposta coação não representa condenação. A acusação contra o médico deverá ser analisada pela Justiça, com garantia do direito de defesa.
Mais em Justiça
Ver editoria
Canal de Janones entra na mira do TSE por suspeita de amplificação coordenada de conteúdos

ENTENDA: Caso Flávio Bolsonaro vire réu, STF poderá discutir efeitos sobre eventual posse

Operação Replay: dez investigados viram réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro em MT
