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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Justiça

Ex-noiva de Vorcaro terá de explicar bens e movimentações financeiras nos EUA

Empresária terá de prestar depoimento sob juramento em Miami e apresentar documentos sobre patrimônio, movimentações financeiras e negócios relacionados ao ex-noivo, Daniel Vorcaro.

Redação Assembleia News3 min de leitura
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Ex-noiva de Vorcaro terá de explicar bens e movimentações financeiras nos EUA

A empresária e influenciadora digital Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, foi alvo de uma intimação judicial nos Estados Unidos para prestar depoimento sob juramento e apresentar documentos sobre bens e movimentações financeiras relacionados ao ex-companheiro e a empresas ligadas ao Banco Master.

O pedido foi apresentado pela EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do banco, ao Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida. Conforme a solicitação protocolada na terça-feira (3), Graeff deverá comparecer para depor em 8 de dezembro, em Miami, e entregar a documentação exigida até 30 de novembro.

A medida busca rastrear a origem e o destino de recursos financeiros relacionados à crise do Banco Master. Embora tenha sido chamada a prestar esclarecimentos, Martha Graeff não é ré no processo e foi convocada na condição de testemunha.
Patrimônio, joias e movimentações financeiras
Entre os documentos solicitados estão registros de imóveis, veículos, obras de arte, joias, relógios, apólices de seguro e extratos bancários. O levantamento abrange o período de janeiro de 2018 até o momento atual e inclui bens que a empresária tenha possuído, adquirido ou ajudado a comprar, inclusive por meio de empresas, trusts ou terceiros.

A EFB também quer informações sobre pagamentos recebidos por Graeff e por empresas sob seu controle, especialmente a Graeff Holdings LLC, registrada na Flórida em setembro de 2023. A intenção é esclarecer possíveis relações comerciais e financeiras com Vorcaro e o grupo empresarial ligado ao Master.

A defesa da empresária, por meio do advogado Lucio Constantino, afirmou que ela ainda não havia recebido formalmente a intimação e declarou que sempre esteve à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Cobertura de US$ 43,9 milhões entra no radar
Outro ponto mencionado no pedido envolve uma cobertura de luxo em Surfside, região próxima a Miami Beach, adquirida por US$ 43,9 milhões.

Registros imobiliários do condado de Miami-Dade indicam que o imóvel não está registrado diretamente em nome de Martha Graeff, mas da G5C Capital Corporation, empresa constituída em Ontário, no Canadá, um dia antes da aquisição.

Até o momento, os registros públicos não identificam os proprietários da companhia nem apontam vínculo direto comprovado com Vorcaro ou com o Banco Master.
Liquidação do Master e disputa por patrimônio nos EUA
A investigação patrimonial ocorre no contexto das medidas adotadas após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. Nos Estados Unidos, o liquidante recebeu autorização para buscar ativos relacionados ao devedor em território americano.

Uma das frentes envolve a tentativa de reter aproximadamente US$ 42 milhões provenientes da venda de um jato Gulfstream G700, de prefixo PS-MGG. Segundo a EFB, a aeronave teria sido adquirida com recursos do banco. O prefixo corresponde às iniciais de Martha Gonçalves Graeff.

O caso também recupera informações sobre conversas entre Vorcaro e a então namorada envolvendo estruturas de proteção patrimonial. Conforme reportagem anteriormente publicada pela Folha, o ex-banqueiro teria sugerido a transferência de bens para o nome dela e negociado a criação de um trust em seu benefício.

Em abril deste ano, após a divulgação de mensagens trocadas com Vorcaro, Graeff afirmou ter sido arrastada para um episódio de exposição pública e negou envolvimento em irregularidades. Na ocasião, declarou que seu patrimônio permanecia inalterado e contestou informações sobre supostos presentes de alto valor.

A intimação americana, portanto, representa mais uma etapa da tentativa de rastrear recursos e identificar possíveis ativos relacionados à crise do Banco Master. Até aqui, não há indicação de que a convocação de Martha Graeff como testemunha represente acusação formal contra ela.

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