CASO ZAMPIERI: Coronel da reserva chora no júri ao explicar mensagem sobre “missão cumprida”
O Ministério Público também questionou o coronel sobre uma condenação relacionada à sua trajetória militar. Caçadini confirmou a existência da decisão, mas afirmou que há recurso pendente de análise no Superior Tribunal Militar.

O coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas se emocionou e chorou durante o interrogatório realizado nesta quarta-feira (30), no Tribunal do Júri, em Cuiabá, onde é julgado pela suposta participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri.
Durante os questionamentos feitos pelo Ministério Público, Caçadini foi confrontado com mensagens trocadas com Hedilerson Fialho Martins Barbosa após o crime. Entre elas estava a expressão “missão cumprida”, que, segundo a acusação, foi enviada após a morte do advogado.
Ao ser questionado pelo promotor Vinícius Gahyva Martins sobre o significado da frase naquele contexto, o coronel afirmou que “missão cumprida” é uma expressão comum no ambiente militar e que não pode ser interpretada, por si só, como referência a uma execução.
Caçadini relatou aos jurados que teve contato com a carreira militar desde os 10 anos de idade, ingressou na Academia Militar aos 18 e tornou-se oficial em 1978. Segundo ele, a expressão é utilizada para indicar simplesmente que determinada tarefa foi concluída.
Para explicar o sentido atribuído à frase, apresentou uma situação cotidiana. Disse que, caso alguém peça um café e a bebida seja entregue, a pessoa poderia responder “missão cumprida”, sem que isso tenha qualquer relação com uma atividade criminosa.
O Ministério Público também questionou o coronel sobre uma condenação relacionada à sua trajetória militar. Caçadini confirmou a existência da decisão, mas afirmou que há recurso pendente de análise no Superior Tribunal Militar.
O julgamento envolve três réus. Antônio Gomes da Silva, que confessou ter efetuado os disparos contra Zampieri, é apontado como o executor do homicídio. Hedilerson Fialho Martins Barbosa é acusado de ter auxiliado na ação e fornecido a arma utilizada no crime. Já Caçadini responde pela suposta participação na articulação do assassinato.
A sessão desta quarta-feira marca a retomada do julgamento após a interrupção da sessão realizada em julho. Na ocasião, um dos jurados apresentou um problema de saúde, o que levou à necessidade de formação de um novo Conselho de Sentença.
O advogado Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em dezembro de 2023, quando estava dentro de seu veículo, em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. O caso passou a ser investigado como uma possível execução planejada, e os detalhes sobre a participação de cada acusado vêm sendo apresentados durante o julgamento.


