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Risco de câncer: MPT aciona empresa responsável pelo HMC e São Benedito

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O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) acionou judicialmente a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), responsável pela gestão do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e do Hospital Municipal São Benedito, após identificar falhas na proteção de trabalhadores expostos a agentes considerados cancerígenos.

A ação civil pública tramita na Justiça do Trabalho e cobra a adoção imediata de medidas para prevenir, monitorar e controlar a exposição ocupacional. O MPT também pede que a empresa seja condenada a pagar pelo menos R$ 200 mil por dano moral coletivo.

Entre os agentes apontados na investigação estão a radiação ionizante, utilizada em exames e procedimentos médicos, e o óxido de etileno, empregado na esterilização de materiais hospitalares.

Falhas na proteção

Segundo o MPT, a investigação encontrou problemas em diferentes etapas do gerenciamento dos riscos ocupacionais. As falhas envolvem desde medidas de proteção e capacitação dos funcionários até o fornecimento de equipamentos de proteção individual, acompanhamento médico e monitoramento da exposição.

No caso da radiação ionizante, o órgão afirma ter identificado deficiências no controle e na documentação das medidas adotadas para proteger os profissionais. Também teria faltado comprovação de treinamentos periódicos para os trabalhadores expostos.

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O procurador do Trabalho Bruno Choairy Cunha de Lima destacou que a radiação ionizante é reconhecida como agente cancerígeno e que a exposição ocupacional precisa ser rigorosamente controlada.

A investigação também apontou problemas relacionados ao óxido de etileno, substância utilizada para esterilizar materiais que não podem ser submetidos a altas temperaturas ou umidade.

De acordo com o MPT, não havia identificação adequada de todos os ambientes e atividades com possibilidade de exposição ao produto, além de deficiências nas medidas de prevenção e no acompanhamento da saúde dos trabalhadores.

MPT tentou acordo

Antes de recorrer à Justiça, o Ministério Público do Trabalho tentou solucionar o problema por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).

Segundo o órgão, a Empresa Cuiabana de Saúde Pública informou que não tinha interesse em formalizar o acordo. Diante da ausência de entendimento, o MPT decidiu ingressar com a ação civil pública.

Entre as medidas cobradas estão a adequação dos programas de saúde e segurança do trabalho, incluindo o Plano de Proteção Radiológica e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional.

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O Ministério Público também exige que sejam comprovados o fornecimento de equipamentos de proteção adequados, a calibração dos dosímetros utilizados para medir a exposição à radiação, o monitoramento individual e ambiental e a capacitação periódica dos profissionais.

A ação ainda pede que os trabalhadores potencialmente expostos sejam submetidos a acompanhamento médico ocupacional adequado.

Além das obrigações relacionadas à segurança e à saúde dos funcionários, o MPT requer indenização de, no mínimo, R$ 200 mil por dano moral coletivo, em razão das irregularidades apontadas durante a investigação.

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Homem é condenado a 18 anos por matar mulher trans em Cuiabá

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O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta terça-feira (5), Junio Santos da Silva a 18 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato da mulher trans Gisa, nome social de Gerardo Ribeiro Lima Junior, de 55 anos. A decisão acolheu integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

Os jurados reconheceram que o crime foi cometido por motivo torpe, mediante asfixia, com emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e por razões da condição do sexo feminino, em contexto de discriminação contra uma mulher trans.

O julgamento foi conduzido pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá, com atuação do promotor de Justiça Vinícius Gahyva. Durante a sessão, o representante do Ministério Público destacou que Gisa integra a exposição “Em Memória Delas”, do Observatório Caliandra, iniciativa do MPMT que homenageia vítimas de feminicídio e violência de gênero.

“O reconhecimento de Gisa na exposição reforça a posição do Ministério Público em reconhecê-la como mulher”, afirmou o promotor durante o julgamento.

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De acordo com a denúncia, o crime ocorreu na madrugada de 7 de abril de 2024, em um terreno baldio na Rua Professora Tereza Lobo, no bairro Consil, em Cuiabá. A vítima foi agredida com diversos golpes na cabeça e morreu após ser asfixiada.

Na sentença, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira destacou que os jurados acolheram todas as qualificadoras apresentadas pela acusação. Ao fixar a pena, a magistrada também considerou os impactos psicológicos sofridos pelos familiares da vítima.

Preso preventivamente desde novembro de 2024, Junio Santos da Silva permanecerá detido. A Justiça determinou a execução imediata da pena e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade.

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