POLÍTICA NACIONAL

Dívida pública e despesas dos estados continuam a preocupar, avalia IFI

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O ano começa sem expectativa de grandes turbulências ou de medidas “heroicas” na política econômica, diz a Instituição Fiscal Independente (IFI) em seu  Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de fevereiro, divulgado nesta quinta-feira (26). De acordo com o documento, que avalia as contas públicas e o cenário econômico para 2026, a meta é mais modesta: buscar déficit primário zero, usando as margens de tolerância previstas no arcabouço fiscal e as exclusões permitidas pela legislação.

Apesar da inflação mais próxima ao centro da meta e do cenário externo considerado confortável — com regime de câmbio flutuante, reservas internacionais elevadas e balança comercial positiva —, a IFI adverte que o principal foco de preocupação continua sendo a dívida pública.

A instituição fiscal avalia que o país precisaria gerar um superávit primário superior a 2% do produto interno bruto (PIB) para interromper o crescimento da dívida e mudar o perfil dos gastos públicos, ampliando investimentos em infraestrutura, ciência e tecnologia. Essa agenda, no entanto, deve ficar para 2027, já que reformas estruturais profundas costumam enfrentar mais resistência em anos eleitorais.

— O governo vai tentar, de alguma maneira, controlar a trajetória de algumas despesas, mas não se espera nenhum movimento muito brusco nesse sentido. E também vai buscar fontes de arrecadação, se assim for necessário, para fazer frente a essa trajetória das despesas. (…) Os números do Poder Executivo são mais otimistas do que os que nós temos aqui na IFI, mas o governo precisa de arrecadação para fechar as contas do ano e entregar a meta de superávit primário de 0,25% do PIB — disse o diretor da IFI Alexandre Andrade.

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O documento também analisa o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026, elaborado pela Secretaria do Tesouro Nacional. A IFI destaca como objetivo estratégico melhorar o perfil da dívida pública, reduzindo custos e alongando prazos de vencimento. Porém, juros elevados e incertezas quanto ao cenário fiscal tornam essa tarefa mais complexa. A falta de uma ancoragem mais sólida para as expectativas do mercado é apontada como um dos principais desafios para estabilizar a trajetória da dívida.

Resultado dos estados

Outro ponto de atenção é o resultado primário dos estados e do Distrito Federal, aponta o documento. Em 2025, o superávit caiu para 0,04% do PIB, refletindo crescimento real das despesas acima do aumento das receitas. Embora o maior peso do ajuste esteja no governo federal, a IFI ressalta que estados e municípios têm papel relevante no equilíbrio das contas públicas. A deterioração das finanças regionais preocupa porque esses entes vinham ajudando a compensar parcialmente o déficit do governo central.

— O aumento da despesa de pessoal, no entanto, acende um sinal de alerta, porque se trata de despesas obrigatórias de caráter continuado. Caso ocorra alguma reversão no cenário que afete a arrecadação desses entes, os estados podem enfrentar dificuldades. (…) E há um risco que nós apontamos: (…) neste ano, deve ocorrer uma desaceleração da atividade econômica, o que afetaria a arrecadação dos estados — alertou o diretor da instituição fiscal.

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Imposto de Importação

Por fim, o relatório analisa o aumento do Imposto de Importação sobre vários bens de capital, informática e telecomunicações, medida incorporada ao Orçamento de 2026. Com essa elevação, o governo espera arrecadar entre R$ 14 bilhões e R$ 20 bilhões adicionais para ajudar no cumprimento da meta fiscal.

A proposta, no entanto, é alvo de controvérsia quanto à eficácia e aos possíveis impactos sobre investimentos e competitividade. Por isso, a IFI afirma que o tema precisa ser amplamente debatido entre governo, Congresso e setores produtivos antes de sua consolidação.

— Houve um estudo feito pelo Ministério da Fazenda que identificou, nos dois últimos anos, um aumento considerável das importações de bens de capital e de bens de informática. Isso, por sua vez, traz, de acordo com esse documento, alguns prejuízos para os fabricantes nacionais. Então, o governo utiliza o Imposto de Importação também com fins regulatórios, assim como o IOF [Imposto sobre Operações Financeiras]. Primeiro, para equilibrar um pouco a balança comercial desses bens. E, em segundo lugar, para conseguir fontes de arrecadação, tendo em vista que o governo precisa, para fechar a meta de resultado primário fixada na LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias], de novas fontes de receita — avaliou Andrade. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Destinação de emendas parlamentares da saúde aos bombeiros vai à CAE

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Emendas parlamentares destinadas ao atendimento pré-hospitalar realizado pelo Corpo de Bombeiros poderão ser consideradas gastos com saúde no Orçamento, aprovou a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) nesta quarta-feira (17). O Projeto de Lei Complementar (PLP) 18/2021 segue para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

A legislação exige que pelo menos metade das emendas individuais sejam para a saúde. Pelo texto, apenas despesas que cumprirem requisitos a serem definidos do Ministério da Saúde poderão receber recursos de emendas. O PLP 18/2021 proíbe que gastos não relacionados ao atendimento pré-hospitalar, inclusive remuneração de servidores, sejam contabilizados como gasto em saúde.

O relator, senador Wilder Morais (PL-GO), afirmou que o projeto incentivará um financiamento mais eficiente para as atividades. 

— [A proposta] não transfere recursos da saúde para a segurança pública, nem tira recursos do SUS nem do Samu — disse Wilder, que votou pela aprovação, sem alterações, do projeto do deputado Guilherme Derrite (PP-SP). 

‘Precedente perigoso’

O senador Humberto Costa (PT-PE) argumentou que o projeto retira recursos da saúde, pois parlamentares poderão deixar de investir no SUS para favorecer os bombeiros. Ele observou que o projeto modifica a Lei Complementar 141, de 2012, a qual, por sua vez, quase teve, na sua elaboração, gastos com meio ambiente, saneamento básico e outros temas considerados como sendo do setor de saúde. 

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— [Os recursos que podem ir aos bombeiros] não são nem tão relevantes. O problema é que estaremos abrindo um precedente perigoso para voltar a tudo o que havia no passado, e sabemos o trabalho que deu para garantir os recursos para a saúde — salientou Humberto Costa.

O senador defendeu um projeto de lei específico para obrigar investimento nos bombeiros com parte das emendas que não são para a saúde.

Urgência

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) disse que melhorar o atendimento pré-hospitalar não prejudicará o setor de saúde. Os bombeiros realizaram 40% do total de 2,5 milhões de ocorrências registradas, disse Trad, repercutindo dados de audiência pública realizada na CAS em 8 de junho.

— Eu não consigo entender por que essa situação possa vir a causar um prejuízo para a saúde, até porque ninguém aqui vai colocar tudo para esse setor das emendas que a gente tem.

A pedido de Trad, a comissão aprovou requerimento de urgência, que precisa ser aprovado em Plenário.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Fonte: Agência Senado

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