POLÍTICA NACIONAL
Para debatedores, DF precisa de autonomia para gerir segurança pública
Publicado em
14 de julho de 2025por
Da Redação
O governo do Distrito Federal precisa ter autonomia para gerenciar o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e aumentar os salários dos agentes de segurança da capital do país. Essa foi a conclusão entre participantes da audiência pública da Comissão de Segurança Pública (CSP) nesta segunda-feira (14). A medida está na proposta de emenda à Constituição (PEC) 1/2025, que também prevê a equiparação dos salários da Polícia Civil do Distrito Federal aos da Polícia Federal.
A proposta é do senador Izalci Lucas (PL-DF), que também foi autor do requerimento para o debate. Izalci explicou que o DF é o único ente federativo que precisa de autorização de Congresso Nacional para fazer concursos para as forças de segurança, por exemplo. Ele considerou que o contingente das polícias Civil e Militar está defasado e que “não faz sentido” exigir autorização para uso de recursos que já são repassados para o Distrito Federal.
— Na prática, o recurso do fundo já está no orçamento tanto da União quanto do GDF. São burocracias que não deveriam existir. Ninguém está pedindo mais recursos, estamos pedindo o que já está no cofre do GDF e tem sido usado para outros fins. A gente precisa dar ao GDF os mesmos poderes dos outros 26 governadores, que têm autonomia para fazer concurso, chamar, reajustar, sem depender de governo, sem depender de Congresso.
Autonomia
O delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Distrito Federal, Saulo Ribeiro Lopes, defendeu a autonomia do GDF para gerir o fundo e a recomposição salarial da categoria, afirmando que a capital do país sofre hoje “discriminação e prejuízo” em relação aos demais entes federativos. Além da proteção ao FCDF, o delegado considerou importante simplificar o reajuste do salário dos policiais, classificando a burocracia para esses aumentos uma desvalorização da categoria.
— É extremamente importante a autonomia completa para o DF. A complexidade na revisão dos vencimentos dos servidores da PCDF, envolvendo processo de negociação tanto com o governo do Distrito Federal como com o governo federal, não tem paralelo no país e talvez nem no mundo. Ora não é momento político para tratar da negociação no DF, ora não é momento para tratar da negociação no Executivo, o que gera muito desgaste para os atores envolvidos.
Chefe da Assessoria Especial de Articulação da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, Benito Augusto Tiezzi ressaltou que gerenciar as forças de segurança é prerrogativa dos governadores dos estados, cuja atuação básica e elementar é o aumento de salários. Para ele, o GDF vive “uma autonomia ferida”.
— A segurança pública é um complexo de diversas forças. Desconheço, no mundo inteiro, um país onde a capital da República não tenha um tratamento diferenciado para as suas forças [de segurança]. O assunto tratado aqui nos parece óbvio, já que segurança pública é o maior clamor da população brasileira e está também diretamente relacionada a desenvolvimento econômico, já que as empresas olham para isso antes de investir.
Valorização
Na opinião do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol/DF), Enoque Venâncio de Freitas, o FCDF é o instrumento que permite à Polícia Civil do DF ser uma das mais eficientes do país, mesmo com salários “abaixo do ideal” e atuando com estrutura “precária”. Ele defendeu a equiparação salarial desses profissionais, afirmando que a desigualdade é “injusta e desmoralizante” e tem levado muitos policiais a buscarem carreiras mais atrativas e de menor risco.
— Enfraquecer esse fundo e permitir que ele seja corroído é abrir as portas de Brasília para a violência. Não protegemos apenas uma cidade, mas a capital federal. Protegemos o símbolo da democracia brasileira e o fazemos mantendo o nosso Distrito Federal livre do domínio de facções criminosas e do crime organizado. É com orgulho que afirmamos que a Polícia Civil do DF tem os melhores índices de resolução de crimes do país.
A PEC 1/2025 iguala os salários das carreiras da Polícia Civil com os da Polícia Federal, com o argumento de que ambas exercem funções semelhantes — ambas são polícias investigativas — e são custeadas com recursos federais. A medida, segundo os defensores, busca valorizar os profissionais da PCDF e reduzir a perda de profissionais, mas enfrenta impasses fiscais, especialmente diante das regras do teto de gastos e das restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal.
— Esta Casa tem papel fundamental de fazer justiça ao aprovar o restabelecimento da nossa simetria salarial, já que somos regidos pelas mesmas leis e temos atribuições similares — declarou Enoque, que disse acreditar na aprovação da PEC.
Contraponto
Para a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepo-DF), Cláudia Aparecida da Silva Alcântara, a PEC 1/2025 produz uma “falsa autonomia”, pois podde colocar o FCDF em risco. Na avaliação dela, a proposta tira a Polícia Civil do DF da estrutura federal e torna a União “mera organizadora” do sistema, sem responsabilidade pela gestão. Para Cláudia, essa mudança torna o fundo “vulnerável” a revisões políticas e jurídicas no futuro.
— Hoje a União tem o dever de manter. Amanhã, com essa PEC, [a União] poderá dizer: “Se o DF tem essa responsabilidade, que o DF assuma tudo”. Não estamos pensando só neste momento, mas no futuro, já que fundo constitucional pode estar em risco. Então, na nossa opinião, [a PEC] gera uma falsa autonomia porque, sem garantia constitucional de recursos, pode ser uma armadilha, e não um avanço.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse que o tema não é de interesse apenas do Distrito Federal e, por isso, precisa ser aprofundado. Ela considerou a PEC 1/2025 “uma matéria ousada e que traz riscos”, mas ressaltou que o senador Izalci Lucas construiu o texto com base em debates. A parlamentar pontuou ainda que os senadores são “maduros” para buscar entendimento sobre a proposta e para apresentar as eventuais sugestões de mudanças.
Contexto
O Fundo Constitucional do DF surgiu em 1998, com o objetivo de assegurar recursos da União para a manutenção de serviços públicos típicos de competência federal no DF — como segurança pública — além de complementar recursos para saúde e educação. Ele é regulamentado pela Lei 10.633, de 2002.
A PEC 1/2025 garante que os valores transferidos anualmente ao FCDF sejam corrigidos pela variação da receita corrente líquida (RCL) da União, e não mais apenas pela inflação. Também assegura que o fundo cubra integralmente os custos com segurança pública, saúde e educação no DF. O texto aguarda votação na Comissão de Constituiçãoe Justiça (CCJ) e, se aprovada no Senado, seguirá para análise da Câmara dos Deputados.
Outra audiência pública da CSP sobre a proposta de Izalci está marcada para as 9h30 da quarta-feira (16).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Nunes Marques restabelece filiação de Flávio Bolsonaro ao PL
Published
6 horas agoon
13 de agosto de 2026By
Da Redação
Às vésperas do prazo final para o registro de candidaturas, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL). A decisão ocorre após o nome do parlamentar aparecer como filiado ao Partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral, justamente no período em que ele busca registrar sua candidatura à Presidência da República.
A medida foi tomada a pedido do próprio PL. Na decisão, Nunes Marques considerou que a filiação partidária é uma condição necessária para que o cidadão possa disputar uma eleição e destacou que o vínculo não poderia ser alterado sem a manifestação de vontade do filiado.
Segundo o ministro, documentos apresentados no processo comprovam que Flávio Bolsonaro mantém vínculo com o PL desde 30 de novembro de 2021. Uma certidão da Justiça Eleitoral, citada na decisão, apontaria a regularidade e a exclusividade da filiação do senador à legenda.
Nunes Marques também considerou incompatível com as circunstâncias do caso a hipótese de uma mudança voluntária de partido. Flávio é apresentado publicamente como pré-candidato do PL à Presidência, enquanto o Missão já possui Renan Santos como nome lançado para a disputa ao Palácio do Planalto.
A decisão ocorreu no mesmo dia em que o presidente do TSE determinou a abertura de investigação para apurar como a filiação ao Missão foi registrada. De acordo com o tribunal, não houve invasão ou ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. A suspeita é de uso indevido das credenciais de acesso de alguém autorizado a realizar filiações em nome do partido.
O caso também deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral para as providências cabíveis, enquanto a Polícia Federal investigará as circunstâncias do registro.
Em nota, o Missão afirmou ter sido alvo de uma tentativa de filiação fraudulenta e informou que já havia comunicado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre as tentativas de inclusão do senador no quadro partidário desde o dia 2 de agosto.
O partido também declarou que pretende colaborar com as investigações e disponibilizar informações técnicas, como registros de acesso, e-mails e endereços de IP, para ajudar na identificação dos responsáveis.
Com a decisão do TSE, Flávio Bolsonaro volta a ter oficialmente o PL como partido de filiação, afastando, neste momento, um dos obstáculos para o registro de sua candidatura à Presidência da República.
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