O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a produção e a divulgação de relatórios da Polícia Federal utilizados no contexto das investigações envolvendo o Banco Master acabaram prejudicando diligências que ainda estavam em andamento.
Segundo Mendonça, a exposição antecipada das informações teria permitido que potenciais alvos de medidas cautelares e de outras ações investigativas tomassem conhecimento prévio das movimentações da Polícia Federal, comprometendo a eficácia das diligências planejadas.
Na decisão, o ministro fez duras críticas aos documentos e questionou tanto a origem quanto a qualidade técnica do material. Mendonça classificou os relatórios como “amorfos, estapafúrdios e anômalos” e apontou “absoluta impropriedade técnica e ilicitude” na forma como teriam sido produzidos.
Para o magistrado, os problemas seriam tão graves que os documentos não poderiam ser considerados adequados sequer para sua finalidade original, relacionada à atividade de inteligência.
Um dos pontos citados por Mendonça envolve uma operação que estaria pendente de decisão judicial e teria como alvos dirigentes do União Brasil, entre eles ACM Neto e Antônio Rueda. Na avaliação do ministro, a divulgação antecipada dessas informações poderia comprometer medidas que ainda não haviam sido executadas.
O episódio foi considerado por Mendonça entre os fundamentos para determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O delegado Leandro Almada, então diretor de Inteligência Policial da corporação, também foi afastado temporariamente.
A decisão determina ainda que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar os fatos identificados pelo ministro.
CRISE NO CASO MASTER
A decisão ocorre em meio ao agravamento do embate entre ministros do STF em torno das investigações relacionadas ao Banco Master e ao seu antigo controlador, Daniel Vorcaro.
O caso ganhou novos contornos após Alexandre de Moraes pedir que Mendonça fosse investigado por supostos indícios de crimes relacionados à atuação do colega em inquéritos sob sua relatoria.
Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que registrava uma troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes.
Desde então, documentos produzidos pela área de inteligência da PF passaram a ocupar o centro da disputa entre os ministros.
Mendonça sustenta que, além dos questionamentos sobre a origem e a consistência técnica dos relatórios, a circulação do material produziu consequências concretas para investigações que ainda estavam em curso.
O episódio amplia a crise institucional envolvendo STF e Polícia Federal e coloca sob escrutínio os procedimentos utilizados na produção, circulação e divulgação de informações de inteligência dentro da corporação.