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“Assédio sexual contra alunas? MP investiga conduta de militares em escola de Cuiabá”

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou um inquérito civil para apurar denúncias de suposto assédio sexual envolvendo militares que atuam na Escola Estadual Cívico-Militar André Avelino Ribeiro, localizada no CPA 1, em Cuiabá. A investigação também mira possíveis falhas administrativas na condução dos casos e na adoção de medidas de prevenção dentro da unidade.

A denúncia chegou ao Ministério Público por meio da Ouvidoria de Direitos Humanos, pelo Disque 100. Entre os relatos encaminhados às autoridades está a acusação de que militares teriam entrado no banheiro feminino e observado de maneira inadequada os corpos das estudantes.

A denúncia também apontava uma possível omissão da antiga direção da escola diante das reclamações apresentadas por alunas.

Durante as apurações preliminares realizadas pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e por equipes técnicas, entretanto, não foi possível confirmar que um militar tenha efetivamente entrado no banheiro feminino. O episódio teria ocorrido após uma suspeita de que estudantes estariam utilizando cigarro eletrônico no local.

Até o momento, não foram formalmente identificadas vítimas nem apontada a autoria desse episódio específico. Ainda assim, a ocorrência teria causado repercussão entre os estudantes e passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelo Ministério Público.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o comportamento atribuído a um dos militares citados nas reclamações. Conforme informações apresentadas pela própria gestão escolar, estudantes teriam relatado desconforto com a forma de comunicação do servidor e, principalmente, com supostos olhares prolongados direcionados às alunas.

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Em 9 de junho deste ano, inclusive, um bilhete atribuído a uma estudante do período noturno foi encontrado na escola. No documento, a aluna relatava incômodo com os olhares do militar.

As informações encaminhadas pela Seduc ao Ministério Público indicam ainda que relatos de supostos assédios de natureza sexual envolvendo militares e estudantes já vinham sendo registrados desde 2025.

Diante da recorrência das reclamações, a secretaria reconheceu a necessidade de apuração e orientou a unidade escolar a adotar providências em relação aos casos relatados.

Uma diligência realizada na escola apontou que a antiga gestão havia promovido reuniões, orientações e advertências verbais aos servidores mencionados nas reclamações. Um dos militares citados também já não estaria mais trabalhando na unidade.

Apesar das medidas adotadas, o Ministério Público identificou uma série de pendências administrativas que ainda precisam ser solucionadas.

Entre elas está a ausência de capacitação específica e contínua para servidores e integrantes da equipe gestora sobre prevenção e enfrentamento ao assédio sexual. O MP também apontou a inexistência de um protocolo formal para abordagens de estudantes, além da necessidade de regulamentar procedimentos envolvendo detectores de metais e eventual entrada de servidores em banheiros.

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Outro ponto considerado preocupante é a ausência de uma servidora militar mulher destinada especificamente à abordagem de alunas. Segundo o Ministério Público, a própria comunidade escolar e a gestão reconheceram a necessidade desse tipo de atuação.

O inquérito também deverá verificar a implementação do Plano de Segurança Escolar previsto na legislação estadual e apurar se novas denúncias ou ocorrências semelhantes foram registradas depois da última diligência realizada na unidade.

A 8ª Promotoria de Justiça Cível da Capital determinou que a Seduc apresente, no prazo de 15 dias, documentos e informações sobre as providências adotadas para solucionar as pendências identificadas.

Também está prevista uma audiência extrajudicial com a atual equipe gestora da escola e representantes da Secretaria de Estado de Educação.

Além da investigação na área cível, o Ministério Público encaminhou cópia integral do procedimento à 27ª Promotoria Criminal de Cuiabá. O objetivo é avaliar a possível ocorrência do crime de importunação sexual, previsto no artigo 215-A do Código Penal.

A investigação ainda está em andamento e deverá buscar esclarecer as circunstâncias dos relatos, verificar a existência de novas ocorrências e identificar eventuais responsabilidades.

OUTRO LADO

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação para obter um posicionamento sobre as denúncias e as medidas adotadas pela pasta, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria.

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Prefeitura de Cuiabá não tem previsão para quitar terço de férias

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que ainda não há previsão para o pagamento do terço de férias dos servidores municipais, que está atrasado desde o ano passado. Segundo o gestor, a prioridade no momento é quitar dívidas de contratos essenciais para a manutenção dos serviços públicos e garantir o pagamento dos salários sem atrasos.

Durante uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (31), Abilio explicou que o cenário financeiro do município segue crítico e que fevereiro não é um mês favorável para arrecadação, o que inviabiliza o pagamento imediato da dívida, estimada em R$ 7 milhões.

“Nós não estamos com condição de fazer o pagamento porque estamos focados em quitar contratos emergenciais para evitar a paralisação da prefeitura. Além disso, precisamos garantir que os salários sejam pagos dentro do prazo de 30 dias. Se conseguirmos pagar no dia 10, manteremos o cronograma e evitamos mais prejuízos aos servidores”, declarou o prefeito.

A expectativa é que a situação melhore somente com o início da campanha de arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Abilio ressaltou que fevereiro é um mês curto, com menor arrecadação e impacto do feriado de Carnaval, o que dificulta a obtenção de recursos para cobrir a dívida.

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“Estamos organizando os cofres do município para pagar esse terço de férias. Mas fevereiro é o mês mais fraco da economia municipal. Além de ter menos dias, o Carnaval reduz ainda mais a arrecadação. A melhora nos recursos só deve acontecer quando começar a campanha do IPTU”, explicou.

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