POLÍTICA NACIONAL

Galípolo: normalizar política monetária vai demandar reformas contínuas

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Em sua primeira audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) após ser aprovado pelo Senado, em outubro do ano passado, para assumir a presidência do Banco Central no quadriênio 2025-2028, Gabriel Galípolo disse nesta terça-feira (22) ao colegiado que a normalização da política monetária vai demandar uma série de reformas contínuas. Ele destacou o “crescimento excepcional” do Brasil, mas chamou a atenção para a inflação. 

Questionado pelos senadores, o gestor afirmou que o cenário internacional, ainda imprevisível, tem sido o vetor principal na determinação da dinâmica dos preços de mercado. Galípolo defendeu que é papel da autarquia atuar em uma ação de “contrapé” (como o aumento da taxa básica de juros) para que não se perca o controle da estabilidade monetária.

— Estamos todos no Banco Central bastante incomodados por estarmos fora da meta. Porém, estamos falando de um patamar de inflação muito inferior ao que estávamos discutindo antes e mais próximo com as economias avançadas e com as emergentes.

Presidente da CAE, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) enfatizou que o país enfrenta incertezas no cenário internacional, que ainda não permitem ver com clareza qual será a trajetória das commodities. Essa pressão externa influencia, sendo um dos vilões da inflação no Brasil, avaliou.

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— A supersafra vai ajudar, mas os preços dos alimentos não devem regredir com velocidade; assim, temos uma situação peculiar. Vamos muito bem com o crescimento do produto interno bruto [PIB], aumento da renda média das famílias e baixa taxa de desemprego. No entanto, paira o fantasma inflacionário — pontou Renan.

Questionamentos

O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) comparou o Brasil ao Vietnã, que, segundo ele, “ressurgiu das cinzas” após a guerra e apresenta números de crescimento superiores aos brasileiros. Ele salientou que o Vietnã teve uma taxa de inflação de 3,6% em 2024, contra 4,83% no Brasil. O aumento do PIB foi de 5% no país asiático em 2024, contra 3,4% aqui.

Galípolo disse que a diversificação no mercado doméstico oferece uma proteção adicional ao Brasil e lembrou que a guerra tarifária pode trazer alguns ganhos para o país.

Já o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) pediu a busca de soluções e saídas para atender os produtores, em especial no Rio Grande do Sul, onde as perdas na lavoura foram significativas nos últimos anos — primeiro pela seca e depois pelas enchentes que devastaram o estado em 2024.

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Sobre os impactos do clima, Galípolo disse que a questão tem efeito no mundo como um todo e gera uma combinação maior de perdas para os países de baixa renda, por impor mais financiamento e juros mais altos, o que eleva os custos de produção. Ele afirmou que esse é um tema que vai demandar acompanhamento e atualização das políticas públicas.  

Em resposta ao senador Plínio Valério (PSDB-AM), Galípolo afirmou que o Brasil está próximo do pleno emprego e que “nunca tivemos um nível tão baixo de desemprego na série histórica”.

O gestor ressaltou ainda que houve aumento da renda média brasileira e que o crescimento dos indicadores econômicos levou o Banco Central a migrar para um patamar de segurança, mais restritivo, que está em análise. 

O comparecimento do titular do Banco Central à CAE é periódica e serve para a prestação de contas aos senadores, além da discussão de planos e estratégias da instituição sobre grandes temas da economia nacional.

Mais informações a seguir

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Eleições 2026 têm aumento de candidaturas indígenas e de pessoas com deficiência, aponta TSE

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Pela primeira vez em uma eleição geral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a divulgar estatísticas sobre orientação sexual e identidade de gênero dos candidatos aos cargos em disputa. Os dados, ainda sujeitos a alterações durante a análise dos registros, mostram que 1,93% das 20.575 candidaturas registradas até terça-feira (18) correspondem a pessoas que se declararam bissexuais, gays, lésbicas, pansexuais ou assexuais.

O levantamento também aponta que 0,51% do total de candidaturas é formado por pessoas que se identificaram como transgênero. O preenchimento dessas informações é facultativo e, por isso, os números não representam necessariamente o perfil completo dos candidatos.

A inclusão da orientação sexual nos formulários eleitorais começou nas eleições municipais de 2024. Em 2026, porém, é a primeira vez que o TSE reúne e apresenta esse recorte nas eleições para presidente, governador, senador e deputados.

Entre os candidatos que optaram por informar a orientação sexual, 55,09% preencheram o campo, enquanto 44,91% preferiram não declarar. No caso da identidade de gênero, 57,75% forneceram a informação e 42,25% não responderam.

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Quando considerados apenas os candidatos que declararam sua orientação, 3,58% se identificaram como LGBTQIAPN+. No universo total de 20.575 candidaturas, o índice corresponde aos 1,93% registrados pelo TSE. Já entre aqueles que informaram a identidade de gênero, 0,89% se declararam transgênero, percentual que representa 0,51% quando calculado sobre todas as candidaturas.

O banco de dados eleitoral também apresenta mudanças em outros recortes do perfil dos candidatos, especialmente entre pessoas com deficiência e indígenas.

Nas eleições de 2026, foram registrados 499 candidatos com deficiência, equivalente a 2,42% do total. Em 2022, eram 476, ou 1,62% das candidaturas. O crescimento proporcional foi de 0,8 ponto percentual, equivalente a uma alta de 49%.

Entre os candidatos com deficiência, 39,7% declararam deficiência física. Na sequência aparecem deficiência visual, com 21,7%; autismo, com 14,2%; e deficiência auditiva, com 10,89%. Outras condições representam 14% do grupo.

No recorte racial, os candidatos brancos continuam representando a maior parcela, com 48,82%. Pardos somam 36,11% e pretos, 13,62%.

A participação indígena também apresentou crescimento. O percentual passou de 0,64% em 2022 para 0,93% em 2026, uma elevação de 0,29 ponto percentual. Entre os candidatos classificados pelo TSE como amarelos, também houve aumento proporcional em relação à eleição geral anterior.

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Os dados integram as estatísticas oficiais de candidaturas disponibilizadas pelo TSE. Como o processo de registro ainda está em andamento, os números poderão sofrer alterações conforme a Justiça Eleitoral analise e julgue os pedidos de candidatura.

Fonte: Agência Senado, com dados do TSE.

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