POLÍTICA NACIONAL

Debatedores defendem novas regras para motoristas e entregadores de aplicativos

Publicado em

A elaboração de novas leis que garantam os direitos dos motoristas e entregadores de aplicativos foi defendida nesta terça-feira (6) pela maior parte dos debatedores em audiência pública no Senado. O debate, promovido pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), foi sobre os termos da ocupação por plataforma (TOP), que regem as relações das plataformas com esses profissionais.

O requerimento para a audiência foi da senadora Leila Barros (PDT-DF). Para ela, é necessário discutir os desafios enfrentados por motoristas e motofretistas, dado o crescimento exponencial do setor e aos obstáculos relatados pelos profissionais. Entre esses desafios, ela citou a falta de remuneração justa, de benefícios  e de segurança no exercício das atividades.

— Claro que nós sabemos a importância das plataformas, mas entendendo também que progresso não pode ser só para quem comanda as plataformas. Por trás delas tem gente, tem pessoas que comandam. Nós estamos tratando de direitos, de dignidade para esses trabalhadores — disse a senadora no início do debate.

O presidente da Associação dos Motofretistas do Distrito Federal (AMAEDF), Alessandro Sorriso, afirmou que a categoria vai continuar lutando pelo fim do que chamou de “escravidão moderna digital”. Para ele, os profissionais que fazem entregas por plataformas são reduzidos a algorítimos, recebendo valores baixos e correndo riscos.

— Enquanto vocês quiserem fazer da nossa profissão um bico, uma renda extra, essa exploração nunca vai acabar. O que vai mudar nossa realidade é realmente as empresas de aplicativo valorizarem a nossa mão de obra, respeitarem o trabalhador e fazerem os reajustes que estamos pedindo: R$ 10 a taxa mínima e R$ 2,50  o quilômetro rodado — cobrou o representante dos motofretistas.

Alessandro Sorriso defendeu a aprovação de projetos de lei para proteger os trabalhadores da economia digital, para que o lucro das plataformas não se sobreponha à vida dos entregadores.

O direcionamento de viagens para motoristas mais jovens foi um problema apontado pelo secretário-geral da Associação dos Trabalhadores por Aplicativos e Motociclistas do Distrito Federal e Entorno (Atam), Jair Almeida. Ele afirmou que motoristas menos requisitados chegam a ficar 5 horas ociosos enquanto esperam corridas e lembrou que esse tempo não é remunerado.

O representante dos trabalhadores defendeu um piso de saída para as viagens, valor mínimo que os motoristas devem receber por corrida ou entrega, além da remuneração dos motoristas e entregadores pelas horas ociosas.

Leia Também:  CCJ confirma sabatina de Gonet e outras autoridades para o dia 12

— Muito obrigado, senadora, pela porta aberta para nos receber neste debate porque não tem como ficar parado. As pessoas estão morrendo na rua. São pessoas que precisam sobreviver e falta responsabilidade das empresas porque um motorista ou um motociclista com psicológico abalado vai trazer sérios problemas aos usuários e esses embates estão acontecendo com muita frequência na rua — alertou.

Enquadramento

O procurador regional do Trabalho lan Fonseca de Souza afirmou que, na visão do Ministério Público do Trabalho, os motoristas e entregadores de plataformas não são empreendedores nem empresários. Isso ocorre porque eles não têm uma estrutura econômica própria, não contratam empregados, não conseguem fixar os preços dos próprios serviços e ainda podem ser desligados a qualquer momento pela plataforma, sem justificativas.

— O Ministério Público do Trabalho também não deseja que essas empresas saiam do Brasil. Ninguém deseja, também, que essas empresas vão à falência, mas a gente acredita, a gente tem convicção de que é possível conciliar direitos dos trabalhadores com boas margens de lucro e respeito à dignidade dos trabalhadores da plataforma — disse o procurador.

Ele afirmou que as leis trabalhistas do Brasil já são capazes de garantir os direitos dos trabalhadores de plataformas.

O diretor de Políticas Públicas da Uber no Brasil, Ricardo Leite Ribeiro, discorda. Para ele, a legislação trabalhista em vigor não atende às especificidades desse novo modelo e é preciso que haja leis para isso.

Ele  afirmou que esse modelo de motoristas por plataforma, introduzido no Brasil há pouco mais de dez anos, trouxe muitos benefícios para a sociedade e para os trabalhadores, que antes não contavam com essa opção. Ele concordou, no entanto, que  é preciso discutir formas de garantir os direitos dos motoristas de plataformas.

— E eu acho que as divergências muitas vezes vão vir muito mais na discussão da solução do que no diagnóstico do problema. O diagnóstico do problema eu acho que ele tem um acordo, eu acho que essa é a visão das empresas, essa é a visão da Uber e acho que ela encontra ressonância numa série de outras plataformas — ponderou.

Leia Também:  CAS fará debates sobre terapia celular e prevenção neurológica de recém-nascidos

Caminho do meio

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), André Alencar Porto, afirmou que a constatação, em países nos quais esse trabalho de entregas e viagens por plataforma deu certo, é de que o caminho não é nem a ausência de direitos e nem um vínculo clássico de trabalho. Para ele, é preciso uma alternativa a esses modelos.

—  A gente vê que os países onde essa indústria se desenvolveu e onde os trabalhadores puderam ter acesso a um melhor sistema de direitos, a mais direitos, foram aqueles países que encontraram o caminho do meio. Não estamos falando nem de um de um vínculo de emprego clássico nem estamos falando daquele autônomo puro e simples, sem direito nenhum — explicou.

Esse caminho, na visão do especialista, está no PLP 12/2024, em análise na Câmara dos Deputados. O projeto, do Executivo, regulamenta a atividade dos motoristas de aplicativo.

A gerente de Políticas Públicas e Relações Governamentais da 99, Alessandra Serrazes, afirmou que o ideal não é importar modelos de outros países, mas sim chegar a um modelo que faça sentido na realidade brasileira. Ela lembrou que a empresa participou do Grupo de Trabalho Tripartite, criado 2023, com representantes dos trabalhadores, das empresas e do Governo Federal. Foi das discussões do grupo que saiu o texto apresentado pelo Executivo.

A necessidade de observar as diferenças regionais foi destacada pelo diretor-executivo do Instituto Livre Mercado, Rodrigo Saraiva Marinho. Ele argumentou que a fixação de tarifas não pode se basear, pro exemplo, na realidade do Distrito Federal, porque não seria possível em cidades pequenas do interior. Ele também afirmou que regular demais pode prejudicar os trabalhadores.

— Isso é uma realidade: numa regulação pesada, o grande se defende e o pobre vai ter dificuldade, o menor vai ter dificuldade (…) — alertou o debatedor, que que defendeu a liberdade dos motoristas para atuar no modelo escolhido.

A senadora Leila Barros afirmou que a intenção é acompanhar o trabalho da Câmara, que analisa o PLP 12/2024, para que, quando o projeto chegar ao Senado, a discussão na Casa já esteja amadurecida. Ela não descartou a possibilidade de novas audiências sobre o tema.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Advertisement

POLÍTICA NACIONAL

Cleitinho pede para sair, muda de ideia e Republicanos confirma candidatura ao Governo de Minas

Published

on

A novela envolvendo Cleitinho Azevedo e a disputa pelo Governo de Minas Gerais ganhou, ao menos por enquanto, um novo capítulo. Depois de pedir para deixar a corrida eleitoral e, posteriormente, manifestar o desejo de voltar à disputa, o senador foi novamente escolhido pelo Republicanos como candidato ao Palácio Tiradentes.

A decisão foi definida nesta sexta-feira (7), após uma reunião entre Cleitinho e o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), em São Paulo. A chapa deve ser oficializada nos próximos dias.

A confirmação encerra uma sequência de idas e vindas que transformou a candidatura de Cleitinho em um dos principais assuntos da articulação eleitoral em Minas. O senador chegou a pedir para sair da disputa, mas posteriormente mudou de posição e passou a defender novamente seu nome como candidato ao governo.

A confusão obrigou o Republicanos a reorganizar seus planos. O partido havia colocado o ex-prefeito de Patos de Minas, Luis Eduardo Falcão, como opção para a disputa. Falcão, porém, é aliado de Cleitinho e passou a atuar pela retomada da candidatura do senador.

A movimentação também ganhou força dentro do próprio partido. Candidatos a deputado estadual e federal pressionaram pela permanência de Cleitinho na chapa, avaliando que sua presença poderia fortalecer as candidaturas proporcionais. O senador é considerado um dos principais nomes eleitorais da legenda em Minas.

Leia Também:  Magno Malta critica ativismo judicial

Pedido de desculpas e novo compromisso

Na tentativa de colocar um ponto final na crise, o Republicanos informou que Cleitinho pediu desculpas à população mineira e às forças políticas envolvidas nas negociações para a formação da chapa.

O senador também assumiu o compromisso de levar a candidatura até o fim, numa tentativa de encerrar as dúvidas provocadas pelas mudanças anteriores de posição.

Além da confirmação da candidatura, outro acordo foi estabelecido: Cleitinho não utilizará recursos do fundo eleitoral do Republicanos para financiar sua campanha.

Liderança nas pesquisas pesou na decisão

A força eleitoral do senador foi um dos principais fatores considerados pela direção nacional do partido. Pesquisa Quaest divulgada em 28 de julho apontou Cleitinho com 35% das intenções de voto para o Governo de Minas, 23 pontos à frente do segundo colocado, Alexandre Kalil (PDT), que apareceu com 12%.

O desempenho nas pesquisas ajudou a mudar o cálculo político do Republicanos. Mesmo depois das sucessivas mudanças de posição do senador, a possibilidade de abrir mão de um candidato que aparece na liderança tornou-se mais difícil para a legenda.

Leia Também:  CAE ouve presidente interino da CVM no dia 24

A decisão também atende a uma pressão que vinha dos próprios candidatos do partido, interessados em contar com Cleitinho como principal puxador de votos na disputa proporcional.

Reviravolta mexe com o PL

A volta de Cleitinho à corrida pelo governo também provoca impacto direto na estratégia do PL em Minas Gerais.

O partido vinha trabalhando com a possibilidade de contar com o senador como um nome importante para fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República no estado. Diante da possibilidade de Cleitinho deixar a disputa, o PL havia lançado o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), para o governo.

Agora, com o retorno de Cleitinho ao páreo, o cenário volta a mudar e obriga as forças políticas de direita a recalcularem suas estratégias para a eleição estadual.

O deputado federal Domingos Sávio também está no tabuleiro do PL para a disputa ao Senado.

Por enquanto, a principal novidade é que Cleitinho voltou ao jogo. Depois de pedir para sair, reconsiderar a decisão e enfrentar uma verdadeira queda de braço dentro do próprio campo político, o senador agora promete transformar a candidatura em compromisso definitivo.

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA