Política MT
Do PT de volta ao PL: Alencar Farina conta como Wellington Fagundes o reconduziu à sigla
Publicado em
17 de agosto de 2026por
Da Redação
O médico Alencar Farina (PL) revisitou sua trajetória política e revelou os motivos que o levaram a deixar o Partido Liberal após o escândalo do Mensalão, passar pelo PT e, anos depois, retornar à legenda onde iniciou sua vida pública.
Em entrevista, Farina afirmou que decidiu deixar o PL após a condenação do então presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, no processo relacionado ao Mensalão. Naquele período, o médico migrou para o PT, onde permaneceu até ser novamente procurado por aliados do PL.
Segundo Farina, o retorno ocorreu no contexto das investigações da Operação Lava Jato. Ele atribui ao senador Wellington Fagundes (PL) a articulação para que voltasse à legenda.
“Foi na Lava Jato. Quando veio a Lava Jato, aí sim. Aí o Wellington me resgatou. Eu estava no PT. O Wellington foi lá e comecei a filiar no PL”, afirmou.
Farina contou que Wellington já havia procurado por ele em 2013 e insistido para que retomasse o partido de origem.
“Eu falei que já tinha saído e precisava de um partido. Ele falou: ‘Não, você vai vir para cá de novo. Você nasceu aqui e vai voltar para cá’”, relatou.
O médico aceitou o convite e, desde então, permaneceu no PL.
“E foi isso que aconteceu. E estou até hoje”, completou.
A relação política com Wellington Fagundes também chegou a colocar Farina no centro da disputa pelo Governo de Mato Grosso. Ele chegou a ser escolhido como candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador.
A composição, porém, não avançou. De acordo com Wellington, Farina mantinha contratos de prestação de serviços com o poder público na área da saúde e não teria conseguido cumprir, dentro do prazo, as exigências de desincompatibilização previstas pela legislação eleitoral.
A permanência na chapa poderia gerar questionamentos jurídicos sobre a candidatura. Diante do cenário, Farina deixou a composição.
A trajetória relatada pelo médico evidencia também as mudanças partidárias que marcaram sua caminhada política, desde a saída do PL após o Mensalão, a passagem pelo PT e o posterior retorno à legenda liberal, novamente pelas mãos de Wellington Fagundes.
Política MT
TRE defere candidatura de Flaviane Ramalho, mas veta uso de Flaviane do Bolsonaro na urna
Published
15 minutos agoon
21 de agosto de 2026By
Da Redação
A candidata a deputada estadual por Mato Grosso Flaviane Ramalho do Partido NOVO, seguirá oficialmente na disputa eleitoral de 2026. A Justiça Eleitoral deferiu seu registro de candidatura, mas não autorizou a utilização do nome de urna “Flaviane do Bolsonaro”, determinando que ela concorra como “Dr.ª Flaviane Ramalho”.
A discussão judicial ficou restrita ao nome escolhido para aparecer na urna. Na própria decisão, o relator registrou que Flaviane está quite com a Justiça Eleitoral, não possui condenação criminal apontada nos autos e preenche as condições de elegibilidade, não havendo discussão sobre sua possibilidade de disputar a eleição.
Desde o início da controvérsia, a defesa sustentou que “Flaviane do Bolsonaro” jamais foi uma tentativa de aparentar parentesco com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro ou qualquer integrante da família. Segundo a manifestação apresentada ao TRE-MT, a denominação “não pretende indicar qualquer vínculo sanguíneo ou familiar”, mas traduz uma “identificação política, ideológica e pública”, relacionada aos valores e ao projeto político com os quais a candidata se identifica.
A defesa também ressaltou que a palavra “do” não foi utilizada por acaso. O argumento apresentado foi exatamente o de diferenciar sobrenome de identificação política: Flaviane não pretendia se registrar como “Flaviane Bolsonaro”, mas como “Flaviane do Bolsonaro”, numa referência expressa ao bolsonarismo e a um projeto político e ideológico.
Em outro trecho, a manifestação foi ainda mais objetiva: “‘do Bolsonaro’ significa vinculada ao projeto político Bolsonaro, e não pertencente à família Bolsonaro”. A defesa apresentou ainda publicações, entrevistas, matérias jornalísticas e registros em redes sociais para demonstrar que a identificação vinha sendo utilizada antes do registro formal da candidatura.
O Ministério Público Eleitoral entendeu de maneira diferente. Em seu parecer, conforme registrado na decisão, sustentou inicialmente o indeferimento do registro porque a candidata, após ser intimada, permaneceu defendendo um nome de urna que o órgão considerava incompatível com o artigo 25 da Resolução TSE nº 23.609/2019. De forma subsidiária, o Ministério Público pediu a rejeição de “Flaviane do Bolsonaro” e a adoção de “Dr.ª Flaviane Ramalho”.
O juiz-relator não acompanhou o Ministério Público na proposta de impedir o registro da candidatura. Entendeu que a discussão sobre o nome da urna não representava falta de condição de elegibilidade nem causa de inelegibilidade e destacou que todos os demais requisitos estavam satisfeitos.
Quanto ao nome, porém, o entendimento judicial foi contrário à candidata.
Na decisão, o relator considerou que “Bolsonaro” não integra o nome civil de Flaviane, que não existe vínculo familiar e que as provas apresentadas não seriam suficientes, na avaliação da Justiça Eleitoral, para demonstrar que “Flaviane do Bolsonaro” já constituía uma identidade pública consolidada. Também foi considerado o fato de a candidata ter concorrido em eleições anteriores utilizando o nome “Dra. Flaviane Ramalho”.
Por essa razão, o magistrado concluiu ser “inviável a homologação do nome de urna ‘FLAVIANE DO BOLSONARO’”.
Ao final, a Justiça Eleitoral indeferiu especificamente o uso de “Flaviane do Bolsonaro”, determinou o registro do nome “Dr.ª Flaviane Ramalho” e, ao mesmo tempo, deferiu integralmente a candidatura de Flaviane ao cargo de deputada estadual pelo NOVO, sob o número 30.022.
Apesar de discordar da interpretação dada ao caso, Flaviane Ramalho decidiu que não recorrerá da decisão.
Para a candidata, prolongar uma disputa judicial em torno do nome desviaria tempo, energia e recursos de uma campanha que pretende concentrar esforços nas ruas e na apresentação de suas propostas.
Flaviane também afirma que respeita a decisão judicial, embora veja o episódio como mais uma demonstração das limitações impostas à utilização de uma identidade política vinculada ao bolsonarismo.
“Eu poderia recorrer e continuar essa discussão. Mas não vou perder a campanha discutindo meu nome. Todo mundo sabe que sou bolsonarista. Nunca escondi isso e nunca disse que era parente do Bolsonaro. Meu nome na urna muda. Meus princípios não mudam.”
A candidata faz ainda uma comparação provocativa sobre a realidade eleitoral brasileira.
“Nós vemos candidatos conhecidos como ‘fulano do cachorro-quente’, ‘fulano da escola’, ‘fulano do salão’, ‘fulano da oficina’. Quando se trata de uma identificação ideológica ligada a Bolsonaro, a interpretação é outra. Respeito a decisão, mas o eleitor pode tirar suas próprias conclusões.”
Para Flaviane, entretanto, a discussão termina aí.
Não haverá recurso. Não haverá paralisação da campanha. E não haverá mudança de posicionamento político.
A partir de agora, a candidata seguirá oficialmente como: Dr.ª Flaviane Ramalho
Deputada Estadual- NOVO
“Podem determinar como meu nome aparecerá na urna. O que ninguém pode mudar são meus valores, meus princípios e aquilo em que acredito. Continuo bolsonarista, continuo defendendo as mesmas bandeiras e continuarei enfrentando o que precisar ser enfrentado. Agora é rua, trabalho, luta e muita correria por Mato Grosso.”
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