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Decisão do TJMT trava reeleição de Paula Calil e fortalece candidatura de Ilde Taques

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A disputa pelo comando da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou novos contornos após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manter as regras do Regimento Interno que exigem quórum de dois terços para mudanças consideradas estratégicas na Casa.

A decisão representa um revés para a articulação que buscava viabilizar a reeleição imediata da atual presidente, Paula Calil (PL), e fortalece o grupo liderado pelo vereador Ilde Taques (Podemos), que disputa a Presidência do Legislativo.

Ilde classificou a decisão judicial como uma vitória institucional e afirmou que a discussão, para ele, vai além da possibilidade de reeleição da presidente.

“O Judiciário manteve a autonomia desta Casa de Leis. A minha preocupação nunca foi a questão da reeleição da presidente, mas sim de tirar a autonomia do poder”, declarou.

Ilde diz ter 13 votos

Com a manutenção das regras atuais, Ilde afirma contar com um grupo de 13 vereadores e trabalha para ampliar esse número nos bastidores.

O parlamentar confirmou que mantém conversas com outros vereadores, entre eles Dilemário Alencar (União Brasil) e Marcos Brito (PV), na tentativa de consolidar apoio para a eleição da Mesa Diretora, prevista para ocorrer após o primeiro turno das eleições, em 6 de outubro.

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Apesar da disputa, Ilde sinalizou que não descarta uma composição política. Segundo ele, a possibilidade de uma chapa única ainda está sobre a mesa.

“Na política, a gente não pode ter portas fechadas. Eu sempre deixo portas abertas. Se for ter algum tipo de composição com a presidente Paula ou com o grupo de lá, nós temos que discutir com o nosso grupo”, afirmou.

Reeleição de Paula enfrenta obstáculo

Paula Calil contava com o apoio declarado de 14 vereadores para tentar permanecer no comando da Câmara. Pelas regras atualmente vigentes, porém, seriam necessários pelo menos 17 votos, equivalentes a dois terços dos parlamentares, para alterar o Regimento e permitir a recondução consecutiva dentro da mesma legislatura.

Com a exigência mantida pelo TJMT, a articulação para mudar a regra perdeu força.

O grupo governista ainda teria como alternativa apoiar Dilemário Alencar em uma eventual composição, caso não consiga viabilizar a permanência de Paula na Presidência.

Disputa vai além da eleição da Mesa

A ação apresentada pelo prefeito Abilio Brunini (PL) ao Judiciário não tratava exclusivamente da eleição da Mesa Diretora. O pedido buscava alterar o quórum previsto em 11 dispositivos do Regimento Interno da Câmara.

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Na prática, a mudança permitiria que determinadas matérias fossem aprovadas por maioria simples, em vez de dois terços dos vereadores.

Entre os temas alcançados pelas regras estão concessões de incentivos fiscais, perdão e descontos de dívidas tributárias, compra, venda e doação de imóveis públicos, alterações no mapa do município, criação de distritos e concessão de títulos honoríficos.

As regras estão em vigor na Câmara desde 2016.

A Prefeitura também pediu que eventual decisão pela alteração das normas tivesse efeitos apenas para o futuro, numa tentativa de evitar questionamentos sobre medidas aprovadas nos últimos anos, como incentivos fiscais e doações de áreas públicas.

Com o impasse jurídico mantido, a disputa política pelo comando da Câmara entra agora em uma nova fase, marcada pela tentativa de ampliar os blocos de apoio e pela possibilidade de uma composição antes da eleição da Mesa.

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Pivetta e Gisela intensificam mobilizações e miram força eleitoral da Baixada Cuiabana

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A campanha de Otaviano Pivetta (Republicanos) e Gisela Simona (União) entrou em uma nova etapa de mobilização na Baixada Cuiabana, com os dois candidatos intensificando a presença conjunta ou em ações concomitantes em toda região. Alternando caminhadas, bandeiraços e adesivaços com reuniões e conversas com lideranças políticas e comunitárias.

Um movimento mais forte nesta reta final de ampliar a aproximação com Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães e outras cidades vizinhas onde estão concentrados os maiores colégios eleitorais e onde a disputa pelo voto costuma ser marcada pela forte presença das lideranças municipais e representantes de bairros. Desta forma, ampliando o diálogo político.

Aliás, é justamente nesse território que Gisela vem ampliando sua presença, agora não só como uma liderança política da capital, mas como candidata a vice-governadora e integrante de uma chapa que precisa apresentar uma visão de Estado para além dos limites de cada município.

E, claro, a presença com Pivetta ajuda a dar outra dimensão à disputa, pois o governador carrega uma trajetória fortemente associada à gestão pública, aos investimentos e à articulação com o interior. Enquanto Gisela chega à chapa trazendo uma experiência construída na defesa do consumidor, nas políticas para mulheres, no serviço público e, mais recentemente, no Congresso Nacional.

Assim, a campanha ganha complementaridade entre dois grandes perfis que precisam redimensionar demandas que precisam ser incorporadas a uma nova agenda de governo. Para que a escuta não termine no palanque, mas ajude a organizar prioridades para uma eventual segunda gestão.

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Para Gisela, campanha também é momento de ouvir. “Quando caminhamos pelas ruas, conversamos com as pessoas e nos reunimos com as lideranças, conseguimos enxergar aquilo que muitas vezes não aparece nas estatísticas. É essa escuta que nos permite compreender as diferenças entre os municípios e pensar políticas públicas que façam sentido para quem vive em cada região”.

A candidata tem aproveitado a agenda de mobilização para ampliar também a discussão sobre temas que deverão ocupar espaço na campanha majoritária. Em entrevistas recentes, a segurança pública apareceu entre as questões mais abordadas por Gisela, especialmente diante do avanço das facções criminosas e da necessidade de fortalecer a capacidade do Estado de enfrentar organizações cada vez mais estruturadas.

Ao defender os investimentos realizados pela atual gestão, Gisela destacou a modernização das forças de segurança, a aquisição de equipamentos, armamentos, viaturas e tecnologias e o fortalecimento do trabalho de inteligência. Também citou as recentes convocações para a Polícia Militar. Em maio, foram autorizadas 430 convocações, sendo 400 soldados e 30 oficiais. Em julho, outros 220 soldados aprovados no concurso foram chamados, zerando a fila de soldados daquele certame.

“Reconhecemos a legitimidade das reivindicações relacionadas à defasagem do efetivo policial. Essa é uma questão que precisa ser avaliada considerando a necessidade de cada região e a capacidade financeira do Estado. Mas segurança pública hoje não se faz apenas com aumento de efetivo. É preciso investir em inteligência, tecnologia, integração das forças e capacidade de resposta ao crime organizado. E isto as forças de segurança do Estado têm feito”, afirma.

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A violência contra a mulher também permanece entre os temas levados por Gisela para as conversas durante a campanha. Ela defende a combinação de repressão, atendimento e prevenção, com ampliação da estrutura especializada e utilização de ferramentas digitais para garantir atendimento rápido às vítimas enquanto a rede presencial não consegue chegar a todas as regiões.

“Não podemos esperar a tragédia acontecer para depois agir. A prevenção precisa estar dentro da política pública, na educação, na informação, na rede de proteção e na capacidade de atendimento. Onde ainda não existe uma estrutura presencial funcionando 24 horas, precisamos utilizar as ferramentas que já temos para garantir que essa mulher não fique sem resposta”, afirma.

Assim, a maratona de Pivetta e Gisela têm mostrado que esta é uma relação que combina experiência de gestão com capacidade de diálogo. Onde o governador busca consolidar a confiança construída com os municípios e a candidata a vice amplia cada vez mais a sua presença justamente onde sua trajetória política e social pode produzir maior identificação.

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