Thiago Boava vê risco de Centrão reduzir espaço do PL na Câmara após derrota de Flávio
Deputado federal eleito afirma que resultado da disputa presidencial alterou articulações políticas e demonstra preocupação com negociações de cargos no governo Lula

O deputado federal eleito Thiago Boava (PL) avalia que a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial mudou o cenário político para a próxima legislatura e pode dificultar os planos do partido de conquistar espaços de comando na Câmara dos Deputados a partir de 2027.
Em declaração nesta terça-feira (27), Boava demonstrou preocupação com as negociações entre dirigentes partidários e o governo federal, especialmente diante da possibilidade de distribuição de cargos e ministérios em troca de apoio político.
“Mas a derrota do Flávio muda todo o cenário, vai depender do movimento do Centrão e tudo que está sendo articulado”, afirmou.
PL teme negociações por cargos e apoio político
Ao comentar as articulações entre as bancadas, o parlamentar eleito criticou o que classificou como comportamento fisiológico de setores do Centrão, expressão utilizada no meio político para descrever negociações orientadas pela conquista de cargos, recursos e influência na estrutura do poder.
“Existe essa preocupação, porque a gente sabe que o Centrão sempre é fisiológico”, declarou.
Apesar das incertezas, Boava acredita que a composição da próxima Câmara pode abrir espaço para o PL disputar posições estratégicas, incluindo a presidência da Casa. Ele ponderou, entretanto, que o resultado da eleição presidencial interfere diretamente nas negociações.
“Acredito que, pela Câmara que foi eleita, a gente deduz que vamos ter esse espaço maior e buscar, quem sabe, uma presidência. Mas a derrota do Flávio muda todo o cenário, vai depender do movimento do Centrão e de tudo que está sendo articulado lá”, acrescentou.
Boava também chamou atenção para as possíveis negociações envolvendo a divisão de ministérios no governo Lula. Na avaliação dele, dirigentes partidários podem priorizar acordos políticos e cobrar dos parlamentares eleitos o apoio às decisões negociadas pelas cúpulas das legendas.
“Eu fiz um vídeo falando que agora o grande problema pode ser o fatiamento dos ministérios e os partidos, os caciques partidários. Cada um querendo ficar com a sua fatia e depois cobrar a fatura dos eleitos que estão nos partidos”, afirmou.
Na Câmara dos Deputados, a disputa pela presidência depende da construção de alianças entre diferentes bancadas. O PL poderá buscar apoio de outras siglas para conquistar posições na Mesa Diretora, enquanto partidos do Centrão mantêm influência nas negociações legislativas.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também aparece no cenário de possíveis articulações para a próxima legislatura.
As declarações de Boava indicam que, além da composição das bancadas, o resultado presidencial deverá influenciar as negociações por cargos e espaços de poder em Brasília a partir de 2027.
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