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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Política MT

Mato Grosso une inteligência policial e avanços legislativos para localizar crianças desaparecidas

CCJR da Assembleia aprova cadastro integrado de segurança pública enquanto Polícia Civil recorre à projeção facial por IA para intensificar buscas por menina sumida desde 2024

Redação Assembleia News5 min de leitura
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Mato Grosso une inteligência policial e avanços legislativos para localizar crianças desaparecidas

A localização imediata de crianças e adolescentes desaparecidos em Mato Grosso ganha o reforço conjunto da tecnologia investigativa e do respaldo legislativo. A Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) deu parecer favorável ao projeto de lei que unifica as bases de dados das polícias Civil e Militar voltadas à busca de menores. O avanço parlamentar ocorre simultaneamente às ações do Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD), da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)  coordenado pela escrivã de polícia Janaína Paula, de 46 anos —, que utilizou projeção facial etária aperfeiçoada por Inteligência Artificial para retomar as buscas ativas por Heloísa Pereira da Silva, desaparecida no início de 2024, quando tinha cerca de um ano.

A matéria legislativa, de autoria do deputado Eduardo Botelho (MDB) , que tramita em conjunto com a proposta de cotas raciais para concursos estaduais —, segue agora para deliberação em plenário. O objetivo central é eliminar o isolamento de informações entre as forças operacionais, encurtando o tempo de resposta nas primeiras horas do desaparecimento, momento considerado crítico pelos investigadores.

Deputado Estadual, Eduardo Botelho

"A integração das bases de dados entre as polícias é um passo fundamental para salvarmos vidas. Não podemos permitir que o isolamento de informações atrase o trabalho investigativo. Nas primeiras horas do desaparecimento, cada segundo conta, e o Estado precisa agir com resposta unificada e imediata", defendeu o deputado Eduardo Botelho.

Projeção com IA tenta localizar menina sumida aos 12 meses

O caso emblemático de Heloísa Pereira da Silva ilustra a importância de ferramentas tecnológicas avançadas aliadas ao banco de dados oficial. Atualmente com 4 anos de idade, a menina teve seu paradeiro perdido após ter sido supostamente entregue pela mãe a uma mulher identificada como "Joana", perto de Juína (MT), com relatos preliminares de que teria sido levada para a região de Campinas (SP).

Em cumprimento a determinação judicial movida pela 1ª Promotoria de Justiça Cível de Juara, o NPD incluiu Heloísa nos cadastros estadual e nacional de desaparecidos e elaborou a estimativa visual de sua aparência atual. O trabalho começou com um estudo morfológico conduzido por um especialista em retrato falado da Polícia Civil, baseado em fotos dos pais, avós, tios e primos. A representação manual foi posteriormente submetida a refinamento por algoritmos de inteligência artificial.

Conforme explica a escrivã Jannaína Paula, coordenadora do NPD, o uso da tecnologia é essencial, mas exige cuidados na divulgação pública:

"A inteligência artificial permitiu cruzar traços morfológicos e hereditários para projetar a evolução facial da criança. Contudo, é vital ressaltar que o resultado não é uma fotografia real, mas sim uma estimativa científica. Para aumentar a eficácia da identificação popular, orientamos que a divulgação seja feita sempre em conjunto com a foto original tirada quando ela tinha um ano", explicou a coordenadora do Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD), Jannaína Paula.

O procedimento será remetido à Delegacia de Juara para a continuidade dos atos investigativos.
O mito das 24 horas e os entraves da investigação

A eficácia de bancos unificados e recursos biométricos esbarra, com frequência, na desinformação e na demora do primeiro contato com a polícia. A Polícia Civil de Mato Grosso alerta que não existe determinação legal que exija esperar 24 horas para prestar queixa: no Brasil, a investigação sobre o paradeiro de menores de idade tem prioridade e início imediatos.

A escrivã Jannaína Paula reforça o impacto negativo da demora no registro inicial:

"Precisa ficar claro para a sociedade: o 'mito das 24 horas' é extremamente prejudicial. No Brasil, o boletim de ocorrência por desaparecimento de crianças e adolescentes deve ser feito de imediato. Quanto mais rápido a polícia for acionada e quanto mais detalhes a família fornecer — como roupas, hábitos e fotos recentes —, maiores são as chances de localização", alertou Jannaína Paula.

A qualidade dos subsídios fornecidos pela família nas primeiras horas é o fator decisivo para o êxito das diligências. A ausência de fotos recentes, o desconhecimento sobre roupas utilizadas, relatos imprecisos sobre os últimos deslocamentos e a comunicação tardia inviabilizam o recolhimento oportuno de imagens de videomonitoramento e a oitiva de testemunhas-chave.

Além disso, os motivos dos sumiços variam amplamente, desde desentendimentos familiares, evasões e disputas de custódia até hipóteses criminais graves, como subtração de incapazes, sequestro e redes de exploração, demandando triagem técnica célere e individualizada.

Biometria infantil e canais de resposta imediata

Paralelamente à integração de sistemas, as forças policiais incentivam a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) desde os primeiros meses de vida. O cadastro biométrico infantil e a inclusão das impressões digitais em bancos de dados públicos viabilizam confrontos periciais rápidos em eventuais resgates ou abordagens.

Nos casos que atendem a requisitos estritos  sumiço recente com risco iminente de morte ou lesão corporal grave , Mato Grosso dispõe da articulação do NPD junto à Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) para acionamento do Alerta AMBER. A ferramenta dispara notificações com fotos e dados em um raio de 160 quilômetros nas redes sociais da Meta (Instagram e Facebook) e no aplicativo da Uber para condutores e usuários em deslocamento pela região demarcada.

Para evitar prejuízos à integridade da criança e às linhas de investigação, a coordenação do NPD reforça a necessidade de acolhimento humanizado dos parentes, evitando acusações precipitadas e o compartilhamento de boatos em redes sociais.

Canais Oficiais de Consulta e Denúncia

Informações sobre Heloísa Pereira da Silva, dados sobre a mulher citada como "Joana" ou qualquer ocorrência correlata podem ser repassadas com garantia de sigilo e anonimato aos seguintes contatos:

Disque-Denúncia Geral: 197

Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD): (65) 98173-0565
 Delegacia de Polícia de Juara: (65) 98173-0287
 Contato da família (Fabiano da Silva - Pai da Heloísa): (66) 99696-0504
 Emergências e Risco Iminente: 190 (Polícia Militar)
 Portal Oficial de Consultas e Cartazes: desaparecidos.pjc.mt.gov.br

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