Desenhos bíblicos da Record perdem classificação livre após decisão do Ministério da Justiça
Ministério da Justiça retirou a indicação livre do programa Record Kids: Desenhos Bíblicos e apontou presença de violência, atos criminosos, drogas lícitas e preconceito entre as justificativas.

Uma decisão do Ministério da Justiça colocou o programa infantil Record Kids: Desenhos Bíblicos no centro de uma discussão sobre os critérios de classificação indicativa no Brasil. A atração da Record, exibida há mais de duas décadas, deixou de ser considerada adequada para todas as idades e passou a receber classificação recomendada para maiores de 12 anos.
A mudança foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 29 de outubro. Na justificativa, o Ministério da Justiça apontou a presença de conteúdos relacionados a atos criminosos, drogas lícitas, violência e situações de estigma ou preconceito.
Com a nova classificação, a recomendação para exibição em televisão aberta passa a ser a partir das 20h. A medida, entretanto, não representa uma proibição de transmissão em horários anteriores, mas uma orientação relacionada à faixa etária do público.
A decisão foi assinada por Eduardo de Araújo Nepomuceno, coordenador-geral de Políticas de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça.
Produzido pela Rede Record de Televisão, o Record Kids: Desenhos Bíblicos estreou em 2003 e apresenta animações inspiradas em passagens e personagens bíblicos. Atualmente, o programa é exibido aos domingos, das 9h às 10h30, sob direção de Richard Rich.
A alteração chama atenção por envolver uma produção de temática religiosa tradicionalmente associada ao público infantil. O caso também levanta questionamentos sobre os critérios utilizados na avaliação de conteúdos audiovisuais que retratam episódios bíblicos, muitos deles envolvendo guerras, punições, conflitos e violência presentes nas narrativas religiosas.
A classificação indicativa, vale destacar, não equivale à censura ou ao impedimento de exibição. Trata-se de uma orientação do governo federal para que pais e responsáveis tenham informações sobre o conteúdo e possam decidir o que é apropriado para crianças e adolescentes.
Até o momento, o texto de referência não apresenta manifestação da Record sobre a mudança.
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