A morte da influenciadora chinesa Ganfan Yingying, de 24 anos, voltou a chamar atenção para os limites dos vídeos de mukbang, conteúdo em que criadores consomem grandes quantidades de comida diante das câmeras para milhões de espectadores.
Conhecida nas redes sociais pelo formato, Yingying morreu em 17 de agosto após enfrentar complicações de saúde. Segundo informações divulgadas pelo jornal chinês Global Times, a morte foi confirmada pelos pais. A causa oficial, no entanto, não foi divulgada.
A influenciadora, cujo nome verdadeiro era Chen Ziyi, acumulava mais de 1,2 milhão de seguidores. Pouco antes de morrer, ela havia relatado aos seguidores que precisou ser hospitalizada depois de apresentar uma queda acentuada nos níveis de potássio no sangue.
Em sua última publicação, Yingying afirmou que o índice havia chegado a 2,3, enquanto a faixa considerada normal estaria entre 3,5 e 5,5. Na ocasião, ela também falou sobre os impactos físicos enfrentados por criadores de conteúdo que trabalham com vídeos de alimentação em excesso.
“Embora ganhar dinheiro seja importante, a saúde deve sempre vir em primeiro lugar”, escreveu.
O caso repercutiu justamente porque o conteúdo produzido por Yingying estava associado ao consumo de grandes quantidades de alimentos. Apesar disso, não há confirmação de que essa prática tenha provocado diretamente sua morte.
O mukbang surgiu na Coreia do Sul no fim dos anos 2000 e rapidamente se espalhou pelas plataformas digitais. O termo reúne palavras coreanas relacionadas a comer e transmissão. No formato tradicional, o criador aparece diante da câmera enquanto come e conversa com o público.
Com a popularização das redes sociais, o gênero passou a incorporar desafios, refeições cada vez maiores e conteúdos voltados à reação dos espectadores. O modelo também abriu espaço para discussões sobre os limites da exposição do corpo e dos hábitos alimentares em busca de audiência.
A morte de Yingying ocorre pouco mais de um ano depois de outro caso envolvendo um criador de mukbang. Em março de 2025, o turco Efecan Kültür, também de 24 anos, morreu após ser hospitalizado com problemas respiratórios e de mobilidade.
Os dois casos reacendem o debate sobre a pressão por audiência e monetização nas redes sociais. Para criadores que transformam hábitos alimentares em entretenimento, a busca por visualizações pode envolver desafios cada vez mais extremos.