POLÍTICA NACIONAL

Trabalhadores cruzam os braços e governo Lula é pressionado a agir nos Correios

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A greve por tempo indeterminado aprovada pelos trabalhadores dos Correios coloca novamente o governo federal diante de um problema que não pode ser tratado apenas como uma disputa trabalhista. A paralisação expõe o desgaste nas relações entre a direção da estatal e os funcionários e aumenta a cobrança por uma solução capaz de evitar novos prejuízos à população.

As assembleias realizadas nesta quinta-feira (10) aprovaram o movimento em sindicatos de diferentes Estados. Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), a decisão ocorreu depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A categoria afirma que tentou chegar a um acordo, mas não houve consenso com a direção dos Correios.

Entre os principais pontos de conflito está o plano de saúde dos trabalhadores, aposentados e seus familiares. Os funcionários contestam a proposta da empresa de alterar sua condição de mantenedora do benefício e afirmam que a mudança pode comprometer o custeio e a garantia da assistência médica.

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O impasse, porém, coloca uma questão maior sobre a gestão da estatal: até quando o governo pretende assistir à deterioração das relações com seus próprios trabalhadores sem apresentar uma solução definitiva?

Os Correios são uma empresa pública estratégica para o país e têm impacto direto na rotina de milhões de brasileiros. Uma paralisação prolongada pode afetar entregas, encomendas, serviços e empresas que dependem da estrutura postal, especialmente pequenos negócios e empreendedores que utilizam os Correios para vender produtos em diferentes regiões.

É justamente por isso que a greve aumenta a responsabilidade do governo. Não se trata apenas de decidir quem vence uma negociação. Trata-se de evitar que uma crise trabalhista se transforme em mais um problema para quem está fora da mesa de negociação e depende do serviço.

Os sindicatos prometem ampliar a mobilização e pressionar a empresa e o governo federal pela apresentação de uma nova proposta. Entre as reivindicações estão a preservação dos direitos trabalhistas e a manutenção das condições do plano de saúde.

A Findect informou que continuará acompanhando o movimento junto às entidades filiadas e que mantém disposição para retomar as negociações.

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Por enquanto, não há data para o fim da paralisação. O encerramento dependerá da evolução das negociações e de uma proposta considerada suficiente pelos trabalhadores.

Enquanto isso, fica a cobrança: em vez de esperar que uma greve nacional se prolongue e atinja trabalhadores, empresas e consumidores, o governo precisa assumir sua responsabilidade sobre uma estatal que está sob sua gestão e buscar uma saída antes que o problema fique ainda maior.

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POLÍTICA NACIONAL

Moraes decide resistir e não deixaria STF sozinho em meio à crise, diz coluna

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O ministro Alexandre de Moraes teria decidido resistir à pressão crescente em torno das suspeitas que envolvem sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo informações do colunista Matheus Leitão, do Metrópoles, um aliado próximo afirmou que o integrante do Supremo Tribunal Federal não pretende renunciar caso seja aberta uma investigação e tampouco estaria disposto a deixar a Corte sozinho.

A informação surge em meio a um dos momentos de maior desgaste político envolvendo Moraes e às novas revelações relacionadas ao caso Banco Master. A crise ganhou ainda mais tensão na quinta-feira (10), quando o ministro chegou a anunciar um pronunciamento público, mas cancelou a fala pouco depois.

Entre os pontos que passaram a alimentar o debate estão um contrato milionário firmado pelo escritório de sua mulher e mensagens relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro que, segundo os relatos publicados, ainda não tiveram todos os seus elementos esclarecidos.

Moraes não seria o único ministro do STF citado nas discussões relacionadas ao empresário. O nome de Dias Toffoli também aparece entre os integrantes da Corte mencionados no caso.

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Estratégia seria resistir

De acordo com a coluna, Moraes estaria ciente de que as revelações alcançaram outros integrantes do Supremo e avaliaria que uma eventual investigação contra ele poderia representar apenas o início de uma crise mais ampla dentro da Corte.

A estratégia atribuída ao ministro seria resistir às pressões e evitar que a discussão fosse concentrada exclusivamente em sua atuação.

Uma eventual saída compulsória do cargo, porém, dependeria da abertura e do avanço de um processo de impeachment no Senado.

Segundo a informação divulgada por Matheus Leitão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não teria interesse em levar adiante um processo dessa natureza ainda nesta legislatura. A avaliação seria aguardar o resultado das eleições e a composição da próxima legislatura antes de decidir os próximos passos.

Sessão do STF aumenta expectativa

A tensão deverá ganhar novo capítulo em 15 de setembro, quando está prevista uma sessão extraordinária do Supremo.

O encontro deverá reunir Moraes, André Mendonça e outros ministros que, em diferentes graus, passaram a ser relacionados às controvérsias envolvendo o caso Vorcaro.

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O cenário coloca dentro do mesmo plenário ministros que protagonizaram divergências sobre a condução das investigações e aumenta a expectativa em Brasília sobre os próximos movimentos da Corte.

Moraes estaria mais recluso

Ainda segundo a coluna, Moraes teria reduzido o círculo de pessoas com quem conversa e estaria mais recluso diante da pressão.

A avaliação de seus aliados, contudo, seria de que o ministro não estaria disposto a recuar. A trajetória de enfrentamento político e institucional acumulada desde sua chegada ao Supremo seria apontada como um indicativo de que ele pretende manter a mesma postura diante da crise atual.

Caso as pressões avancem para uma tentativa de afastamento, a estratégia seria mostrar que as controvérsias não dizem respeito exclusivamente a Moraes, mas alcançam outros integrantes da mais alta Corte do país.

O episódio coloca novamente o STF no centro de uma disputa que mistura investigação, relações privadas, atuação institucional e política. E, às vésperas das eleições, qualquer novo movimento envolvendo os ministros tende a ganhar dimensão muito além dos limites do Judiciário.

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