A Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça completa 113 anos de fundação nesta quarta-feira (26.3). Fundada por meio do Decreto 307 de 26 de março de 1912, o equipamento cultural da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) é a maior e mais antiga biblioteca pública de Mato Grosso.
“Durante mais de um século, a biblioteca pública estadual tem sido um ponto de referência de aprendizado, inclusão e de preservação da memória cultural de Mato Grosso. Parabéns e vida longa a essa instituição que desempenha um papel fundamental no fomento à educação, à cultura e à cidadania”, saúda o secretário adjunto de Cultura da Secel, Jan Moura.
Desde sua fundação, a então Bibliotheca Pública do Estado passou por outros cinco endereços localizados no centro de Cuiabá, até ser instalada no Palácio da Instrução, em 1975. Atualmente, a unidade está temporariamente fechada e os serviços são realizados internamente, devido à restauração em andamento no prédio histórico.
“Essas intervenções são essenciais para garantir a segurança e o conforto dos usuários, além de preservar a edificação centenária, que já enfrenta o desgaste do tempo. Mas, em breve, assim que as manutenções forem concluídas, vamos retomar os serviços para que a população possa voltar a usufruir de todos os recursos e benefícios oferecidos”, explica a gerente da Biblioteca Estadual, Elienes Maria Moreira.
Para assegurar a continuidade do serviço de empréstimo de livros, o procedimento ocorre de forma agendada. O interessado entra em contato por e-mail ([email protected]), ou por telefone (65 98174-0232), indica o livro e agenda a retirada às sextas-feiras, na sede da Secel-MT, em horário de funcionamento do órgão. Cada leitor pode emprestar até três obras por 10 dias.
Criada com um acervo de cerca de um mil exemplares, a Biblioteca conta hoje com cerca de 100 mil volumes divididos nas coleções temáticas: Literatura, Mato Grosso, Indígena, Afro, Infantil, Arte, Obras raras, Braille, Periódicos, Multimídia, Assuntos Gerais, Especial e Obras de referência.
O catálogo de obras pode ser acessado no site por este link.
Papel de transformação social
A instituição, que foi criada para subsidiar e motivar a evolução cultural na capital e auxiliar o ensino, percorre há alguns anos um caminho de ressignificação de seu papel na difusão do conhecimento e da cidadania. Novas formas de atuação foram implementadas visando efetivar o conceito de equipamento cultural ativo e próximo da comunidade.
Além dos serviços de empréstimo de livros, também realiza variadas programações que contribuem para o desenvolvimento sociocultural da sociedade, como cursos, oficinas, eventos culturais, biblioteca itinerante, campanhas de leitura e de divulgação.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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