A crise no comando do futebol mundial ganhou força com a articulação conjunta de UEFA, Concacaf e AFC contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino. As três confederações passaram a discutir uma proposta de mudança na estrutura de governança da entidade e não descartam medidas mais duras caso suas reivindicações não sejam atendidas.
Segundo informações divulgadas pelo jornal britânico The Guardian, o grupo trabalha em um modelo que poderia ser apresentado como uma reforma da própria Fifa. Em um cenário de ruptura, porém, a proposta também poderia servir de base para uma organização alternativa.
A movimentação ocorre após UEFA, Concacaf e AFC cobrarem uma investigação independente sobre decisões tomadas pela atual direção da Fifa. A tensão aumentou com a divulgação do projeto Fifa Forward Enterprise, que previa a venda de uma participação de 21% na Copa do Mundo a investidores privados. A iniciativa acabou abandonada.
Além da discussão sobre a permanência de Infantino, as confederações questionam o modelo de gestão da entidade, as regras de governança e a forma como os recursos financeiros são distribuídos entre as 211 associações filiadas à Fifa.
Possível ruptura
O documento em elaboração poderá ser usado como plataforma de uma candidatura de oposição na eleição presidencial da Fifa, marcada para março de 2027. Caso não haja acordo com a atual direção, também existe a possibilidade de criação de uma estrutura concorrente.
As três confederações já discutem a organização de competições próprias diante de um eventual agravamento da crise. A UEFA também aumentou a pressão e considera retirar suas seleções de torneios da Fifa caso não sejam apresentadas garantias de mudanças na governança.
A primeira competição que pode ser afetada é a Copa do Mundo Feminina Sub-20, prevista para setembro. A participação de seleções europeias está condicionada ao avanço das negociações.
Montagliani surge como possível adversário
A disputa também começa a ganhar nomes para a eleição de 2027. Victor Montagliani, presidente da Concacaf, aparece como um possível candidato para enfrentar Infantino, embora ainda não tenha confirmado uma candidatura.
O prazo para formalização das candidaturas termina em 18 de novembro, enquanto a eleição está marcada para março do próximo ano.
A reação, porém, não é unânime entre as confederações. Conmebol e CAF declararam apoio a Infantino, ampliando a divisão política dentro do futebol internacional.
O cenário coloca a Fifa diante de uma disputa que vai além da eleição presidencial. Em jogo está também o modelo de governança da principal entidade do futebol mundial e a relação de poder entre suas confederações.