POLÍTICA NACIONAL

Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark Horse

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar a possível participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em supostos crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a PF, a apuração busca esclarecer a possível ocorrência de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da produção cinematográfica.

Flávio foi incluído formalmente na investigação em 22 de julho. O caso está relacionado a um repasse de R$ 61 milhões atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. A suspeita investigada é de que os recursos tenham sido disponibilizados a pedido do senador.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também aparece como alvo da apuração. Segundo os investigadores, ele é apontado como possível beneficiário de parte dos valores.

O inquérito corre sob sigilo. Mendonça retirou o segredo de Justiça de documentos relacionados a 15 procedimentos derivados da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos e fraudes financeiras de grande dimensão atribuídas a Vorcaro e integrantes de seu grupo.

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A decisão de tornar parte dos documentos públicos ocorreu após pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin. A publicidade, porém, não alcança diligências cujo sigilo seja considerado necessário para o andamento das medidas investigativas.

PF cita quatro possíveis crimes

No pedido encaminhado ao STF, a Polícia Federal afirma que pretende apurar a possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos no contexto do financiamento de Dark Horse junto ao Banco Master.

A abertura do procedimento não significa que os crimes tenham sido comprovados. O objetivo do inquérito é justamente reunir elementos para esclarecer a origem, a movimentação e a eventual destinação dos recursos.

Na quarta-feira (11), Mendonça também homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele é apontado como responsável por realizar repasses em dinheiro vivo relacionados ao filme.

Áudios colocaram Flávio e Vorcaro no centro da investigação

A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou repercussão após a divulgação, pelo The Intercept Brasil, de áudios nos quais o senador aparece conversando com o banqueiro e solicitando recursos para a produção de Dark Horse.

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Desde a divulgação das gravações, Flávio não contesta a autenticidade dos áudios. O senador sustenta que não há irregularidade em procurar financiamento privado para uma produção cinematográfica sobre seu pai.

A defesa do parlamentar ainda não havia se manifestado publicamente sobre a abertura do novo inquérito até a publicação da informação.

A investigação seguirá sob sigilo, e caberá à Polícia Federal esclarecer se houve irregularidades na origem, movimentação ou utilização dos recursos destinados ao filme.

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POLÍTICA NACIONAL

Trabalhadores cruzam os braços e governo Lula é pressionado a agir nos Correios

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A greve por tempo indeterminado aprovada pelos trabalhadores dos Correios coloca novamente o governo federal diante de um problema que não pode ser tratado apenas como uma disputa trabalhista. A paralisação expõe o desgaste nas relações entre a direção da estatal e os funcionários e aumenta a cobrança por uma solução capaz de evitar novos prejuízos à população.

As assembleias realizadas nesta quinta-feira (10) aprovaram o movimento em sindicatos de diferentes Estados. Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), a decisão ocorreu depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A categoria afirma que tentou chegar a um acordo, mas não houve consenso com a direção dos Correios.

Entre os principais pontos de conflito está o plano de saúde dos trabalhadores, aposentados e seus familiares. Os funcionários contestam a proposta da empresa de alterar sua condição de mantenedora do benefício e afirmam que a mudança pode comprometer o custeio e a garantia da assistência médica.

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O impasse, porém, coloca uma questão maior sobre a gestão da estatal: até quando o governo pretende assistir à deterioração das relações com seus próprios trabalhadores sem apresentar uma solução definitiva?

Os Correios são uma empresa pública estratégica para o país e têm impacto direto na rotina de milhões de brasileiros. Uma paralisação prolongada pode afetar entregas, encomendas, serviços e empresas que dependem da estrutura postal, especialmente pequenos negócios e empreendedores que utilizam os Correios para vender produtos em diferentes regiões.

É justamente por isso que a greve aumenta a responsabilidade do governo. Não se trata apenas de decidir quem vence uma negociação. Trata-se de evitar que uma crise trabalhista se transforme em mais um problema para quem está fora da mesa de negociação e depende do serviço.

Os sindicatos prometem ampliar a mobilização e pressionar a empresa e o governo federal pela apresentação de uma nova proposta. Entre as reivindicações estão a preservação dos direitos trabalhistas e a manutenção das condições do plano de saúde.

A Findect informou que continuará acompanhando o movimento junto às entidades filiadas e que mantém disposição para retomar as negociações.

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Por enquanto, não há data para o fim da paralisação. O encerramento dependerá da evolução das negociações e de uma proposta considerada suficiente pelos trabalhadores.

Enquanto isso, fica a cobrança: em vez de esperar que uma greve nacional se prolongue e atinja trabalhadores, empresas e consumidores, o governo precisa assumir sua responsabilidade sobre uma estatal que está sob sua gestão e buscar uma saída antes que o problema fique ainda maior.

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