POLÍTICA NACIONAL

Sessão especial destaca importância do DataSenado aos 20 anos

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Os 20 anos do Instituto DataSenado e da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher foram comemorados em sessão especial nesta quinta-feira (27). Os convidados elogiaram o nível técnico das estatísticas do DataSenado e sua importância para a formulação de políticas públicas, e comentaram os desafios apontados pelos resultados da edição 2025 da Pesquisa Nacional, divulgados hoje.

A edição de 2005 da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher foi o primeiro levantamento realizado pelo DataSenado. Na época, os dados contribuíram para a discussão do projeto da Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006), hoje considerada referência mundial em legislação de proteção à mulher. Desde então, o instituto entrevistou mais de 4,7 milhões de cidadãos por meio de mais de 500 pesquisas sobre temas diversos.

A senadora Leila Barros (PDT-DF), que presidiu a sessão, leu o discurso da senadora Augusta Brito (PT-CE). O pronunciamento destacou a importância do DataSenado na conexão entre a Casa legislativa e a sociedade, por meio da avaliação de leis e políticas públicas, e, citando a Pesquisa Nacional, chamou a atenção para as estatísticas como forma de compreender a questão da violência de gênero como “misoginia estrutural”.

— Essa pesquisa surgiu em 2005 (…). Naquele momento, travávamos uma luta ainda mais árdua do que a atual, visto que não contávamos sequer com um marco legal que nos amparasse.

Aprimoramentos contínuos

A edição de 2025 da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher passou a apurar a violência testemunhada, as agressões por meio digital, os motivos da falta de denúncia à autoridade estatal, as solicitações de medidas protetivas e o prolongamento da violência ao longo do tempo.

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Marcos Ruben de Oliveira, coordenador do DataSenado, apresentou as principais constatações da pesquisa e destacou os aprimoramentos contínuos na metodologia da pesquisa. Para Oliveira, a realização de campanhas sobre o tema em meios de comunicação aumentou a consciência das mulheres sobre a violência que sofreram.

— Até a mulher (…) ter coragem para falar, existe um processo de identificação e de aceitação da situação para combater aquilo que elas estão vivendo.

Representando o Ministério das Mulheres, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, destacou a informação de que, em 71% das vezes, as mulheres são agredidas na presença de outras pessoas, muitas vezes diante dos próprios filhos — situação que, em sua avaliação, estende a violência às crianças e aos adolescentes.

— Não é um desafio de decreto, de lei, de ministério ou de secretarias: é um desafio da sociedade. A violência contra a mulher não pode ser tratada como um simples instrumento, evento ou fenômeno que, a partir de um determinado momento, uma lei vai erradicar.

Série histórica

Elga Lopes, ex-diretora de Transparência e Opinião Pública do Senado, reconheceu na Pesquisa Nacional a mais longa série histórica sobre violência contra a mulher. Ela lembrou os elevados critérios técnicos do DataSenado e a ausência de ingerência política nas pesquisas.

— A interação entre o Parlamento e o cidadão, mediada por pesquisas de opinião e análise de dados, é o núcleo de nossa atuação. É por meio desse diálogo estruturado, dessa escuta qualificada, é que o Senado se aproxima da sociedade.

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Maria Teresa Firmino Prado Mauro, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado, citou o Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma plataforma desenvolvida pelo OMV que reúne estatísticas de fontes oficiais de forma integrada com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher. Ela associou a qualidade da pesquisa com a atuação de profissionais isentos e comprometidos a serviço do país.

— A série história desses 20 anos é insubstituível. Essa construção não se faz em pouco tempo: ela exige continuidade, competência técnica e visão de Estado. E o Senado tem garantido tudo isso. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher é uma política pública consolidada.

Modernização

Em mensagem gravada, o ex-presidente do Senado José Sarney exaltou os serviços do DataSenado como um importante instrumento da modernização da atividade parlamentar e apuração de dados que não são contemplados por institutos de pesquisa privados. Marcos André Bezerra Mesquita, coordenador-geral da Secretaria de Transparência do Senado, afirmou ser gratificante trabalhar com uma equipe empenhada em fazer a diferença na vida das pessoas.

Representando o Instituto Natura — instituição parceira no Mapa Nacional da Violência de Gênero —, Beatriz Accioly Lins afirmou que a pesquisa do Senado produz “continuidade, memória e persistência metodológica”. E Ana Maria Nogales, professora do Departamento de Estatística da Universidade de Brasília (UnB), opinou que a abrangência nacional das entrevistas do DataSenado é uma função pública inegável que deve ser preservada.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Nunes Marques restabelece filiação de Flávio Bolsonaro ao PL

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Às vésperas do prazo final para o registro de candidaturas, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL). A decisão ocorre após o nome do parlamentar aparecer como filiado ao Partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral, justamente no período em que ele busca registrar sua candidatura à Presidência da República.

A medida foi tomada a pedido do próprio PL. Na decisão, Nunes Marques considerou que a filiação partidária é uma condição necessária para que o cidadão possa disputar uma eleição e destacou que o vínculo não poderia ser alterado sem a manifestação de vontade do filiado.

Segundo o ministro, documentos apresentados no processo comprovam que Flávio Bolsonaro mantém vínculo com o PL desde 30 de novembro de 2021. Uma certidão da Justiça Eleitoral, citada na decisão, apontaria a regularidade e a exclusividade da filiação do senador à legenda.

Nunes Marques também considerou incompatível com as circunstâncias do caso a hipótese de uma mudança voluntária de partido. Flávio é apresentado publicamente como pré-candidato do PL à Presidência, enquanto o Missão já possui Renan Santos como nome lançado para a disputa ao Palácio do Planalto.

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A decisão ocorreu no mesmo dia em que o presidente do TSE determinou a abertura de investigação para apurar como a filiação ao Missão foi registrada. De acordo com o tribunal, não houve invasão ou ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. A suspeita é de uso indevido das credenciais de acesso de alguém autorizado a realizar filiações em nome do partido.

O caso também deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral para as providências cabíveis, enquanto a Polícia Federal investigará as circunstâncias do registro.

Em nota, o Missão afirmou ter sido alvo de uma tentativa de filiação fraudulenta e informou que já havia comunicado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre as tentativas de inclusão do senador no quadro partidário desde o dia 2 de agosto.

O partido também declarou que pretende colaborar com as investigações e disponibilizar informações técnicas, como registros de acesso, e-mails e endereços de IP, para ajudar na identificação dos responsáveis.

Com a decisão do TSE, Flávio Bolsonaro volta a ter oficialmente o PL como partido de filiação, afastando, neste momento, um dos obstáculos para o registro de sua candidatura à Presidência da República.

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