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Deputados estaduais e bancada federal discutem contrato de concessão de energia elétrica em MT

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Deputados estaduais e a bancada federal de Mato Grosso participaram de agenda em Brasília, nesta terça-feira (16), para discutir o futuro do contrato de concessão dos serviços de distribuição de energia elétrica no estado, prestados pela Energisa, que vence no dia 11 de dezembro de 2027.

A programação foi articulada pela comissão especial instalada no mês passado pela Assembleia Legislativa para debater o assunto e teve início com reunião de alinhamento no gabinete do senador Wellington Fagundes (PL). Posteriormente, os parlamentares mato-grossenses se reuniram com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e com o secretário nacional de energia elétrica, João Daniel de Andrade Cascalho. Na ocasião, foi apontada a necessidade de ampliar o fornecimento de energia, reduzir tarifas e melhorar a qualidade do serviço prestado à população.

Estiveram presentes os deputados estaduais Janaina Riva (MDB), Faissal (Cidadania), Chico Guarnieri (PRD), Valdir Barranco (PT), Wilson Santos (PSD) e Eduardo Botelho (União); os senadores Wellington Fagundes (PL) e Margareth Buzetti (PSD); e os deputados federais Emanuelzinho (MDB), Rodrigo da Zaeli (PL), Gisela Simona (União) e Coronel Fernanda (PL).

“Essa é uma oportunidade única. A cada três décadas a concessão é renovada e agora é a hora de pontuarmos que Mato Grosso merece mais atenção por parte da Energisa. O mato-grossense paga uma das tarifas mais caras do país e não recebe a qualidade que deveria lá na ponta, principalmente quando se trata dos municípios mais distantes. É hora de levar argumentos técnicos e cobrar melhorias”, afirmou Janaina Riva, que articulou a agenda em Brasília.

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Foto: JARDEL DA SILVA/ASSESSORIA DE GABINETE

O deputado Wilson Santos lembrou que o contrato da concessionária vence no fim de 2027, mas que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) precisa decidir sobre a renovação 18 meses antes. Ressaltou ainda que há reclamações nos 142 municípios mato-grossenses sobre a falta de capacidade de expansão da empresa.

O ministro Alexandre Silveira destacou a importância de Mato Grosso para o Brasil, tanto pelo crescimento econômico quanto pela produção agroindustrial, e disse que o governo está comprometido em garantir energia de qualidade, incluindo fontes limpas e renováveis, para sustentar a geração de emprego e renda.

“É fundamental que a gente ouça os legítimos representantes da sociedade, aqueles que estão mais próximos e sabem da necessidade da população, especialmente em estados tão prósperos quanto Mato Grosso, que cresce, precisa levar força ao campo, às indústrias, precisa gerar emprego e renda. Nós vamos ouvir as demandas da Assembleia e dos nossos senadores e, a partir daí, avançar na renovação do contrato de forma adequada, para melhorar a qualidade dos serviços de energia do estado”, declarou.

O senador Wellington Fagundes afirmou que a comissão da ALMT e a de Infraestrutura do Senado vão atuar em conjunto na discussão e análise do tema. “Estamos buscando fazer com que o novo contrato a ser firmado entre o governo e a Energisa garanta a melhoria do atendimento ao cidadão, com energia mais barata e eficiente. Também vamos incluir nesse contrato a participação das nossas universidades e dos institutos de pesquisa, para que Mato Grosso ofereça mais oportunidades para empresas que queiram se instalar e para quem deseja investir no estado”, acrescentou.

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Audiência pública – O deputado estadual Wilson Santos comunicou que, no dia 23 de outubro, será realizada audiência pública na Assembleia Legislativa para tratar do assunto, com a participação de representantes da diretoria da Aneel.

MP 1300/25 – Os impactos causados pela Medida Provisória (MP) 1300/25, que altera a Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), também esteve em pauta. Conforme os deputados estaduais Faissal e Janaina Riva, a bancada federal de Mato Grosso se comprometeu a votar contra a medida. “A bancada está unida contra essa MP, que é muito danosa para o consumidor de energia elétrica e solar em Mato Grosso e no Brasil”, ressaltou Riva.

Moratória da Soja – Durante a agenda em Brasília, a comitiva mato-grossense participou ainda de reunião no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ocasião em que reforçou a posição contrária à moratória da soja. No mês passado, a Superintendência-Geral do Cade suspendeu preventivamente os efeitos do acordo, após instaurar processo administrativo contra associações e 30 tradings, suspeitas de formar um cartel. Dias depois, uma decisão liminar da Justiça Federal restabeleceu a vigência da moratória até o julgamento do mérito pelo Cade.

Fonte: ALMT – MT

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Grupo de Trabalho da ALMT debate impactos sociais e ambientais da inteligência artificial

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta segunda-feira (15), mais uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) responsável por acompanhar, promover estudos e propor medidas relacionadas à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A principal pauta do encontro foi a palestra “O custo social e ambiental da Inteligência Artificial diante dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU”, ministrada pelo advogado, biólogo e mestrando em Política Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luiz Felipe Goffi Portela.

Participaram da reunião o presidente do GT, André Luis Rufino, a relatora Clara Vaz e o secretário José Carlos Bazan. O debate abordou os impactos da crescente utilização da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, o consumo de energia e água, além dos desafios relacionados à desigualdade social e aos vieses presentes nos sistemas tecnológicos.

Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela destacou a necessidade de ampliar o debate sobre a inteligência artificial para além dos benefícios normalmente divulgados pelas grandes empresas de tecnologia.

“É importante que nós tenhamos uma discussão além da publicidade e dessa magia que é vendida por essas empresas. Precisamos entender o que existe por trás dessa tecnologia e quais são os impactos que ela gera para a sociedade”, afirmou.

Segundo o palestrante, a inteligência artificial depende de uma enorme estrutura física e humana para funcionar. Ele explicou que os sistemas utilizam grandes volumes de dados, demandam equipamentos de alta capacidade e consomem grandes quantidades de energia e água por meio dos data centers.

Foto: Hideraldo Costa/ALMT

“Quando falamos em nuvem, muitas pessoas imaginam algo abstrato, mas essa nuvem é formada por data centers espalhados pelo mundo. Existe uma estrutura física gigantesca sustentando esses sistemas, e isso tem custos ambientais e sociais que muitas vezes não aparecem para o usuário final”, observou.

Outro ponto destacado foi o impacto da inteligência artificial sobre o trabalho. De acordo com o especialista, parte da tecnologia é alimentada por trabalhadores que realizam tarefas repetitivas e pouco valorizadas, muitas vezes em países em desenvolvimento.

“A inteligência artificial não aprende de forma mágica. Ela depende de milhões de dados que são organizados e tratados por pessoas. Muitas dessas atividades são mal remuneradas e não geram qualificação profissional para quem as executa”, explicou.

Na área ambiental, Portela alertou para o elevado consumo de recursos naturais necessários para manter os data centers em funcionamento.

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“Essas estruturas possuem uma pegada hídrica muito forte. São bilhões de litros de água utilizados para resfriar os equipamentos, além de uma demanda crescente por energia elétrica. Precisamos avaliar quais são os benefícios que essas instalações deixam para as comunidades onde são implantadas”, afirmou.

A relatora do GT, Clara Vaz, chamou atenção para a necessidade de refletir sobre formas de reduzir os impactos gerados pelo uso crescente da inteligência artificial.

“Quando discutimos desenvolvimento sustentável, o objetivo é justamente reduzir os impactos sociais, econômicos e ambientais. Diante desse cenário, precisamos refletir sobre o uso consciente da inteligência artificial e sobre mecanismos que possam minimizar esses efeitos”, destacou.

Ao responder aos questionamentos da relatora, Luiz Felipe afirmou que a inteligência artificial já está integrada a diversas atividades do cotidiano e dificilmente deixará de ser utilizada. Para ele, o caminho passa pela conscientização e pela criação de regras que garantam um desenvolvimento mais equilibrado da tecnologia.

“Não acredito que seja possível simplesmente parar de usar a inteligência artificial. O principal é compreender os impactos gerados por essa tecnologia e avançar no debate sobre formas de regulação que permitam um uso mais sustentável e responsável”, defendeu.

Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela também chamou atenção para os riscos relacionados às bases de dados utilizadas para treinar os sistemas de inteligência artificial. Segundo ele, como essas tecnologias aprendem a partir de informações produzidas pela própria sociedade, acabam reproduzindo preconceitos e desigualdades já existentes.

“O problema é que a inteligência artificial não cria conhecimento sozinha. Ela aprende com os dados que recebe. Se a sociedade produz desigualdades e preconceitos, esses padrões também podem aparecer nos sistemas”, explicou.

O palestrante apresentou exemplos de pesquisas internacionais que apontam falhas em sistemas de reconhecimento facial, especialmente na identificação de pessoas negras. Segundo ele, estudos demonstram taxas de erro significativamente maiores quando a tecnologia é aplicada a mulheres negras em comparação com homens brancos.

Portela também destacou casos já registrados no Brasil em que cidadãos foram abordados ou detidos injustamente após erros em sistemas automatizados de reconhecimento facial.

“Quando um sistema erra, precisamos discutir quem será responsabilizado por esse erro e quais mecanismos de fiscalização existem para evitar que a tecnologia prejudique a vida das pessoas”, alertou.

Outro exemplo apresentado envolveu a geração de imagens por inteligência artificial. O pesquisador demonstrou que, ao solicitar imagens de pessoas em determinadas profissões ou condições sociais, os sistemas tendem a reproduzir estereótipos raciais e econômicos presentes nos bancos de dados utilizados para o treinamento das plataformas.

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Para ele, o avanço da inteligência artificial exige transparência, auditorias independentes e mecanismos de controle social capazes de identificar possíveis vieses discriminatórios.

“A tecnologia não é neutra. Ela reflete os dados que recebe e as escolhas feitas durante seu desenvolvimento. Por isso, é fundamental que haja fiscalização e acompanhamento desses sistemas”, afirmou.

Além de apresentar os impactos sociais, ambientais e econômicos da inteligência artificial, o palestrante também sugeriu possíveis frentes de atuação para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Entre elas, a criação de mecanismos de acompanhamento e fiscalização da implantação de sistemas de inteligência artificial utilizados pelo poder público, especialmente nas áreas de segurança, reconhecimento facial e prestação de serviços à população.

O palestrante defendeu ainda a realização de auditorias independentes em sistemas automatizados, o fortalecimento da transparência no uso de algoritmos e a ampliação do debate sobre a regulação da inteligência artificial, de forma a garantir que a inovação tecnológica esteja alinhada à proteção dos direitos fundamentais e aos princípios da Agenda 2030.

Segundo ele, a participação do Poder Legislativo é fundamental para avaliar os impactos dessas tecnologias antes de sua adoção em larga escala.

“Faz parte do papel da Assembleia pensar como esse uso será construído e fiscalizar de fato esses sistemas. Muitas vezes se observa apenas o resultado apresentado pela tecnologia, mas é preciso também avaliar os erros e os impactos que podem atingir a população”, destacou.

O presidente do Grupo de Trabalho, André Luis Rufino, destacou que o debate contribui diretamente para os trabalhos desenvolvidos pela ALMT em torno da Agenda 2030 e poderá subsidiar futuras iniciativas legislativas.

“Essa discussão é extremamente importante porque a inteligência artificial já está presente no cotidiano das pessoas e na administração pública. O Grupo de Trabalho, criado por iniciativa do deputado estadual Wilson Santos (PSD), tem justamente a missão de estudar esses temas, identificar desafios e buscar caminhos para que Mato Grosso avance de forma sustentável. As sugestões apresentadas durante a palestra serão analisadas e poderão subsidiar indicações, propostas legislativas e outras medidas que venham a ser discutidas e tramitadas na Assembleia Legislativa”, pontuou André Luis.

Fonte: ALMT – MT

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